Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista VI

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Mais um post das quase esquecidas falácias da apologética calvinista! Esta aqui é mais divertida: um blogueiro calvinista fala que o Deus arminiano é cruel porque salva aquele que sabe que um dia irá cair. Mas aí eu me pergunto: não seria cruel aquele que cria uma pessoa com o único intuito de condená-la?

Falácias da Apologética Calvinista

Falácia VI – Deus é cruel se Ele deixa o crente cair?

Por J.C.Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

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Argumentação Ad-Hoc (Duplo Padrão)

Equivocação

Espantalho

“Claramente isto os traz a questão, por que seu Deus salva uma pessoa para depois condená-la? Por que não mantê-la em seu estado não-salvo?” – Steve Hays, Tender Mercies

Parater uma melhor ideia desta falácia, vamos examinar melhor o argumento do autor mais completamente a partir da analogia que ele nos fornece:

Suponha que há um novo estudante na escola. Sua família se mudou para a área há algumas semanas. Como eles estão se sentindo sozinhos e deslocados, suponha que eu apareço para ser seu amigo convidando-o para uma pescaria comigo e mais dois amigos da escola. Ele está muito feliz em fazer novos amigos. No primeiro dia, ele cai na água. Infelizmente, ele não sabe nadar. Felizmente, eu pulo para salvá-lo. Ele me abraça e agradece profusamente por salvar sua vida. Ele nos conta o quanto está ansioso pela vida que segue. Eu aceno e sorrio. No dia seguinte ele cai novamente na água . Mas desta vez eu não o resgato. Deixo ele se afogar. Mais que isso, eu pressenti que isto aconteceria antes mesmo de eu convidá-lo para juntar-se a nós nesta pescaria. Eu sabia o tempo todo, enquanto ele me abraçava e me agradecia por tê-lo salvo, que eu iria deixá-lo morrer no dia seguinte. Por que eu o resgatei em primeiro lugar, apenas para deixá-lo se afogar no dia seguinte? Isto não é cruel? …

Problemas com esta lógica

Esta falha crítica do pensamento crítico pode ser respondida facilmente com um exemplo escriturístico:

[1] Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar;
[2] e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés,
[3] e todos comeram do mesmo alimento espiritual;
[4] e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo.
[5] Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto.
{1Coríntios 10:1-5 Almeida Rece}

Como cada teologia sistemática interpreta os eventos da queda de Israel no deserto revela muita coisa.

Arminianismo Calvinismo
Muitos dos filhos de Israel se rebelaram contra Deus? Sim Sim
Eles foram destruídos no deserto devido à rebelião? Sim Sim
Deus sabia de antemão que eles se rebelariam, e mesmo assim permitiu que isto ocorresse? Sim Sim
Deus os livrou do exército de Faraó, mesmo assim? Sim Sim
Deus não apenas permitiu a rebelião, mas na realidade quis que eles caíssem? Não Sim
Aqueles que caíram podiam escolher ser fiéis em vez de rebeldes? Sim Não
Deus permitiu que eles escolhessem obediência para vida ou rebelião para morte, ou Ele permitiu apenas que eles se rebelassem para a morte? Deus permitiu-lhes escolher um ou outro Deus permitiu a escolha apenas de rebelião para morte
Qual foi a causa final seus atos de rebelião? A vontade livre independente dos rebeldes O decreto de Deus

Estas respostas são particularmente irônicas quando o resto da narrativa é considerada:

Eu sei algo que ele não sabe. Eu sei que ele está destinado. Mas eu permito a ele se entreter numa tremenda sensação de alívio depois de seu encontro com a morte, embora, sem que ele soubesse, esta é um alívio temporário que é somente um preparativo para sua morte premeditada. Como isto pode ser diferente de um serial killer que orquestrou a morte de sua vítima tornando-se sua amiga para lhe ganhar a confiança, tal que ele possa brincar com a vítima antes de lhe dar o golpe de misericórdia?

“Um preparativo para sua morte premeditada”? De acordo com a tabela acima, se o ponto de vista arminiano é que Deus não desejou a queda dos filhos de Israel, mas a visão calvinista é que esta queda foi Seu plano perfeito, então quem é que está emoldurando Deus como preparando-os para sua destruição?

“Um serial killer orquestrando a morte de sua vítima… [brincando] com a vítima antes de lhe dar o golpe de misericórdia”? De onde a queda pela rebeldia em última análise surgiu? Note novamente que na visão arminiana foi o próprio ato dos israelitas e não algo decorrente da vontade de Deus; na visão calvinista a rebelião fora necessariamente causada pelo decreto de Deus. Então, quem é que retrata Deus como orquestrando a queda do povo que ele salvou? Quem é que está retratando Deus cruelmente, então? É crueldade de Deus salvar as pessoas da destruição e dar-lhes uma oportunidade genuína de obter a promessa, ainda que Ele saiba que eles morrerão em uma rebelião iniciada por eles mesmos? Ou é cruel para Deus salvar as pessoas da destruição apenas para levá-las ao deserto para lá morrerem em uma rebelião que Ele inescapavelmente decretou que eles cometeriam? O fato que Deus mostra Sua contínua benevolência ao homem numa base condicional é bem-estabelecida na Escritura (2Cr 16:6-9 por exemplo). Assim, a lógica deste argumento se divide na ridícula posição de condenar Deus como ‘cruel’ se Ele salva alguém, mas depois deixa este alguém sofrer as consequências de suas próprias escolhas destrutivas; e ao mesmo tempo elogiando-o como bom e justo quando se Ele salva alguém, e depois o destrói por escolhas que Deus decretou que este alguém fará! Isto é argumentação ad-hoc no seu maior absurdo. Ademais, o autor confunde e equivoca Deus meramente permitindo o mal ocorrer (a visão arminiana) com Deus ‘preparando’ e ‘orquestrando’ o evento (o que melhor reflete a sua própria visão de determinismo exaustivo). A comparação de Deus como um serial killer na qual Ele está ansioso para desferir o golpe de misericórdia é também uma completa descaracterização, desde que Ele não tem prazer na morte do ímpio (ou em sua impiedade, em todo caso).

A Peça que Falta

Voltando à questão da apostasia. Bem como Israel caiu no deserto após ser salvo da ira de Faraó, assim as Escrituras nos alertam semelhantemente em incorrer no julgamento de Deus após Ele nos mostrar Sua misericórdia.

Tende cuidado, a fim de que não rejeiteis ao que fala; pois, se não escaparam os que rejeitaram ao que os advertia sobre a terra, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos daquele que dos céus nos adverte;{Hebreus 12:25 Almeida Recebida}

Ora, à vista disso, procuremos diligentemente entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.{Hebreus 4:11 Almeida Recebida}

Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado.{Romanos 11:22 Almeida Recebida}

Deus não seria mais cruel por punir tal apóstata que Ele foi ao punir os israelitas por sua rebelião. Se perder nesta fraca e malfeita analogia da pescaria não é referência alguma ao fator da rebelião deliberada contra o Salvador. Apostasia não é algo como uma pessoa simplesmente cair de repente por acidente e sem aviso. O apóstata não é uma pobre criança se debatendo na água e clamando por ajuda a um Deus insensível e indiferente. Ele é aquele que uma vez andou junto, mas agora é inimigo da cruz (Fp 3:18). Ele é o falso mestre que conhecia Cristo, mas se voltou contra (2Pe 2:20). Ele é o súdito que retribui o perdão do rei com crueldade aos seus próprios servos (Mt 18:23-35), e diante do Justo Juiz de toda a terra, sua sentença é a mesma de todos os que não amam nosso Senhor Jesus Cristo.

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Um comentário sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista VI

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