Traduções Crédulas: Expiação Provisional (1 de 3)

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Dado o fato que John Owen ainda faz muitas vítimas com seu argumento da expiação ilimitada, resolvi postar esta série do blog Arminian Perspectives, sobre expiação provisional. São três partes, esta é a primeira.

Expiação Provisional Parte 1 – Lidando com o Dilema Arminiano de John Owen

por kangaroodort from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Esta eu vi no site de Jeff Paton. Ele responde baseado em seu compromisso com a visão “sacrificial” da expiação, o que o faz desviar-se da força do argumento de John Owen.

Como afirmei anteriormente, não sou (até o momento) dogmático acerca de visões da expiação. Eu porém prefiro a visão da satisfação penal, que parece ser a visão que Owen descreve como incompatível com a soteriologia arminiana. Desde que eu me alinho mais ou menos com a linha que Owen pensa ser incompatível com o arminianismo, Eu penso que poderá ser divertido tomar este “dilema” (os argumentos de Owen em azul).

Para tal eu posso adicionar este dilema aos nossos universalistas – 

É claro que arminianos não são universalistas em sentido estrito. Eu espero que Owen não esteja tentando emoldurar o arminianismo de uma maneira negativa com este comentário. Não é esta a opinião de Jeff Paton.

Deus impôs sua ira devido a, e Cristo sofreu as dores do inferno por

1 – ou todos os pecados de todos os homens,

2 – ou todos os pecados de alguns homens,

3 – ou alguns pecados de todos os homens.

Eu prefiro 1, que o Owen crê ser incompatível com o arminianismo.

Se for o último, alguns pecados de todos os homens, então todos os homens têm alguns pecados a responder, e portanto homem algum deveria ser salvo; pois se Deus entrou em juízo conosco, considerando que está [em juízo] com toda a humanidade por um pecado, nenhuma carne deve ser justificada diante dele: “Se o SENHOR deve marcar iniquidades, quem deve permanecer?” [Sl cxxx.2]. Podemos todos lançar tudo o que temos “às toupeiras e aos morcegos, entrar nas fendas das rochas, nos cumes das pedras irregulares, por temor do Senhor, e pela glória de sua majestade” [Is ii:20,21]

Concordo. A opção 3 não é boa.

Se a segunda, que é o que afirmamos, Cristo em seu canto e lugar sofreu por todos os pecados de todos os eleitos do mundo.

Discordo. Esta opção é incompatível com numerosas passagens que devem ser submetidas a exegeses torturantes para ser encaixadas nesta posição. Esta, portanto, não é boa. Desculpe-me, John Owen.

Se a primeira, por que então, não são todos livres de sua punição por todos os pecados? Você dirá “por causa da sua incredulidade; eles não creram”.

Esta é uma boa resposta. Pode me contar entre aqueles que diriam isto.

Mas esta incredulidade é pecado ou não?

Se por “incredulidade” Owen quer dizer “rejeitar Cristo”, então sim, incredulidade é um pecado.

Se não, por que alguém deveria ser punido por isto?

Se esta é um pecado, então, como todos os pecados, eles devem ser punidos por ele. Eu pessoalmente acho que pecadores serem condenados pela incredulidade cria sérios problemas para o calvinismo de Owen, mas vamos chegar nisto na Parte 3. Por ora vou concordar e seguir em frente com o “dilema”.

Se não, então Cristo sofreu a punição devida por ela ou não?

Parece algo simplista demais, mas vou conceder que Cristo sofreu até mesmo pela incredulidade.

Se sim, então por que deve impedi-los mais que os outros pecados pelos quais ele morreu de provar o fruto de sua morte? Se ele não o fez, então ele não morreu por todos os pecados.

E agora Owen me atinge, por assim dizer. O que devo eu fazer? Se eu digo que Cristo morreu pela incredulidade e acreditar que ele morreu por todos, então eu devo adotar o universalismo (verdadeiro universalismo, isto é, todos serão salvos). Se eu negar o universalismo então sou levado a crer numa expiação limitada. Então, Owen aponta:

Deixe-os escolher que parte eles querem.

Penso em escolher uma terceira opção. Uma opção que eu acredito que se encaixa melhor com os dados bíblicos. Afirmo que a expiação é provisional “em Cristo”. Em outras palavras, a morte de Cristo fez provisão para todo pecado, e mesmo assim apenas aqueles que vem a uma união com Cristo desfrutam desta provisão. Eu creio que esta visão é apoiada por numerosas passagens da Escritura. Abaixo, algumas delas (com minhas ênfases):

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou {crentes} com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;{Efésios 1:3 Almeida Recebida}

Todas as bênçãos espirituais são encontradas em Cristo. Penso que isto deve incluir os benefícios da expiação (isto, se já não forem de fato encontradas nela). Mais evidências em Efésios 1:7:

em quem temos redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, {Efésios 1:7 Almeida Recebida}

Penso que esta passagem confirma que os benefícios da expiação são provisionais “em Cristo”.

Observemos Colossenses 1:13-14:

[13] e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado;
[14] em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, o perdão dos pecados;{Colossenses 1:13-14 Almeida Recebida}

Novamente vemos que os benefícios são provisionais em seu “Filho Amado”.

Então, como alguém vem a estar em união com Cristo e portanto benficiam-se da redenção e perdão providenciados nEle?

 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, {Efésios 1:13 Almeida Recebida}

Nos achegamos à união em Cristo mediante a fé.

Enquanto aceitarmos o ensino bíblico que o perdão é provisional em Cristo, o “dilema” de Owen equivale a nada. Incredulidade é expiada, mas somente “em Cristo”. Somos postos em união com Cristo pelo Espírito Santo, mediante a fé, nossa antiga “incredulidade” é expiada tanto quanto todos os outros pecados. Se continuamos em incredulidade,não podemos nos beneficiar do perdão que está em Cristo somente, e portanto sofreremos a condenação. Desde que a expiação é provisional em Cristo, podemos afirmar que Ele morreu por todos e que somente crentes se beneficiarão desta expiação. Isto é evidenciado muito bem em 1Tm 4:10:

Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens{provisional}, especialmente dos que creem{aplicação condicional}.{1Timóteo 4:10 Almeida Recebida}

Penso que tal passagem ensina claramente que a expiação é providenciada para todos, enquanto apenas crentes irão realmente experimentar arrependimento pela condição da fé (que nos une com Cristo e os benefícios de Sua expiação).

Calvinistas lutam para contornar as implicações desta passagem. Alguns sugerem que o “todos” se refira aos “eleitos”. Isto reduziria a passagem a uma tautologia:

“que é o salvador de todos [os eleitos], em especial dos crentes [eleitos]”.

Alguns raciocinam que o “todos” significa simplesmente “todos os grupos de pessoas” ou “todos os tipos de pessoas”. Não existe garantia contextual para esta interpretação e isto equivale a pouca coisa mais que a interpretação que tratamos acima:

“que é o salvador dos eleitos [entre todos os tipos de pessoas], em especial dos crentes [os eleitos]”

Ainda há aqueles que notam que “Deus” é referência ao Pai como Salvador, em vez de Cristo, como se isso alterasse alguma coisa. O Pai não salva por intermédio de Cristo, afinal?

Talvez uma última tentativa deva ser aqui adicionada. Alguns calvinistas postulam que “Salvador” deva ser entendido num sentido de que toda a humanidade, incluindo os reprovados, desfruta de certas bênçãos divinas. Novamente, não há razão contextual para atribuir outro significado a “Salvador” além do modo que Paulo sempre coloca tal termo em conexão com Deus. Esta é uma tentativa verdadeiramente desesperada de evitar as conclusões arminianas deste texto.

Portanto, penso que posso concluir que o dilema de Owen não coloca dificuldade alguma para os arminianos que prezam tanto pela visão da satisfação penal quanto pela universalidade da expiação. Tudo que devemos fazer é imaginar que a expiação é provisional e aplicada apenas na base (condição) de união em fé com Cristo.

Owen, porém, tem alguns dilemas para tratar em sua própria abordagem para sua escolha por 2 acima. Vamos lidar com elas na Parte 2.

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10 comentários sobre “Traduções Crédulas: Expiação Provisional (1 de 3)

  1. Pingback: Traduções Crédulas: Expiação Provisional (2 de 3) | credulo

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  3. Algo que foi citado naquele podcast em que o PC participou recentemente (Bibo Talk), é uma realidade. Realmente o Brasil é carente de material arminiano. Não há nada sistematizado em terras brazucas. Isto é uma pena. Sendo que a única alternativa que sobra é a literatura reformada. isso foi tema de discussão na sala de aula do seminário. Inclusive o professor ventilou a mesma observação do podcast.

    • Me pergunto porque esta preocupação com o arminianismo, dado que você escreve coisas como “pobres arminianos, acham que a salvação é obra deles…” em outro comentário. Mas, como não sei o que você está pensando, fica o post!

      No mais, tem um molinista que indiretamente está ajudando muito neste sentido: William Lane Craig. Ele defende, tanto filosófica quanto biblicamente, o livre arbítrio (num debate com Sam Harris ele afirmou que não existe moralidade sem liberdade de escolha) e a soberania divina (Por exemplo, Deus é Amor somente se for trino – ele defendeu isto num debate contra um muçulmano). E, quanto ao dilema arminianismo-calvinismo, os calvinistas não gostam dele 🙂

      • Até o momento, só consigo lembrar de três: Filosofia e Cosmovisão Cristã, A Veracidade da Fé Cristã, e mais recentemente Em Guarda.

        Em inglês, eu te cito os mesmos títulos, e tudo o que estiver no site do Craig: Reasonable Faith. Lá tem livros e artigos dele – em especial um que eu recomendo para quem gostar de teologia natural: The Blackwell Companion to Natural Theology.

        Outros que você pode gostar é Alvin Plantinga (ele é um tipo esquisto de calvinista molinista – acredite ou não, ele escreveu um artigo sobre a defesa do livre-arbítrio como uma resposta ao problema do mal) e Richard Swinburne (ele é um teísta aberto – mas seus estudos valem a pena!).

        No mais, o grande amigo de toda pessoa que vive nessa selva de elétrons: Google!

      • “No mais, o grande amigo de toda pessoa que vive nessa selva de elétrons: Google!”

        Sei, mas queria ver a sua resposta, pois prefiro tê-la de alguém de verdade! 🙂

  4. “Alguns calvinistas postulam que “Salvador” deva ser entendido num sentido de que toda a humanidade, incluindo os reprovados, desfruta de certas bênçãos divinas. Novamente, não há razão contextual para atribuir outro significado a “Salvador” além do modo que Paulo sempre coloca tal termo em conexão com Deus.”

    Desculpa, mas creio que há razão contextual para atribuir outro significado:
    William H. :
    “É preciso estudar este termo à luz não só do Novo Testamento, mas também do Antigo Testamento e da Arqueologia.

    Ora, na versão LXX do Antigo Testamento, a palavra Soter, que é usada aqui em 1Timóteo 4.10, e que geralmente é traduzida Salvador , às vezes é empregada num sentido bem inferior ao que geralmente lhe atribuímos. Assim, por exemplo, o juiz Otniel é chamado soter ou “salvador” ou “libertador” porque salvou os filhos de Israel das mãos de Cusã Risatain, rei da Mesopotâmia (Jz 3.9). Ver também 2Reis 13.5: “O Senhor deu um salvador [libertador] a Israel, de modo que os filhos de Israel saíram de sob o poder dos sírios e habitaram, de novo, em seus lares, como dantes”. Em certo sentido, todos os juízes de Israel foram “salvadores” (libertadores), justamente como lemos em Neemias 9.27: “Pelo que os entregaste nas mãos de seus opressores , que os angustiaram; mas no tempo de sua angústia, clamando eles a ti, dos céus tu os ouviste; e, segundo a tua grande misericórdia lhes deste libertadores que os salvaram [ou seja, os libertaram ] das mãos dos que os oprimiam”. Cf. também o uso um pouco semelhante da palavra em Obadias 21: “Salvadores [libertadores] hão de subir ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú e o reino será do Senhor”.

    Não causa estranheza que especialmente Jeová seja chamado Salvador, porque foi ele quem repetidas vezes salvou seu povo (Dt 32.15; Sl 25.5). Ele “fez grandes coisas no Egito… coisas formidáveis sobre o Mar Vermelho”, sendo, conseqüentemente, o “Deus de sua salvação” (Sl 106.21).

    Havendo libertado Israel da opressão de Faraó, ele veio a ser o Salvador daquela multidão inteira que saiu do Egito. Todavia, “Deus não se agradou da maioria deles” (1Co 10.5). Em certo sentido , pois, ele foi o Salvador ou o Soter de todos, mas especialmente dos que creram. Destes, e tão-somente destes, ele “se agradou”. Todos saíram do Egito; nem todos entraram em “Canaã”.

    Especialmente em certas passagens de muita beleza de Isaías é que se imprime um conteúdo rico e espiritual à palavra Soter : Jeová é o Salvador de Israel, e Isto não só porque ele liberta seu povo da opressão, mas também porque coletivamente ele os ama . Todavia, mesmo nessas passagens exaltadas, o significado que hoje geralmente daríamos à palavra não havia sido alcançado. As passagens não podem ser interpretadas no sentido em que atribuímos vida eterna a todos os indivíduos do grupo. Note Isaías 63.8-10:

    “Porque ele dizia: Certamente, eles são meu povo, filhos que não mentirão; e se lhes tornou seu Salvador . Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo de sua presença os salvou; por seu amor e por sua compaixão, ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles.” (Cf. Is 43.3,11; 45.15,21; 49.26; 60.16; Jr 14.8; Os 13.4. Na última referência note especialmente o contexto: “Além de mim não há salvador ” precedido por “Jeová teu Deus desde a terra do Egito”, e seguido de “eu te conheci no deserto”.) Segundo o Antigo Testamento, pois, Deus é Soter não só dos que entram em seu reino eterno, mas, em certo sentido, também de outros; aliás, de todos aqueles a quem ele liberta de catástrofes temporais.

    Além disso, o Antigo Testamento ensina em outra parte aquele tipo de providência que Deus estende a todos os homens, num sentido até mesmo às plantas e aos animais: Salmos 36.6; 104.27,28; 145.9,16,17; Jonas 4.10,11. Ele provê suas criaturas com alimento, as mantém vivas, está profundamente interessado nelas, amiúde as livra de doenças calamidades, dor, fome, guerra, pobreza e perigo em qualquer forma. Ele é, por conseguinte, seu Soter (Preservador, Libertador, e, nesse sentido, Salvador).

    No Novo Testamento, este ensino é contínuo, como era de se esperar. Em seu amor, bondade e misericórdia, o Pai celestial “faz seu sol nascer sobre o mau e o bom, e envia chuva sobre o justo e o injusto”… “é bom para com os ingratos e maus” (Mt 5.4,5; Lc 6.3,5). A perversidade dos homens maus consiste em parte no fato de que eles não dão graças a Deus por sua bondade (Rm 1.21). É ele quem “dá a todos vida e fôlego e todas as coisas” (At 17.25). É ele “em quem vivemos e nos movemos e temos nosso ser” (At 17.28). Ele preserva, livra e, nesse sentido , salva ; e essa atividade “salvífica” de modo algum se limita aos eleitos! Na viajem perigosa (a Roma), Deus “salvou” não só a Paulo , mas a todos os que estavam com ele (At 27.22,31,44). Não houve perda de vida.

    Além do mais, Deus também faz com que seu evangelho da salvação seja solicitamente proclamado a todos os homens , ou seja, aos homens de cada raça e nação. Verdadeiramente, a bondade de Deus se estende a todos. Não há sequer um que de uma maneira ou outra não esteja ao alcance de sua benevolência, e ainda o círculo daqueles que ouvem a proclamação da mensagem de salvação é mais amplo que o círculo dos que a aceitam com verdadeira fé.

    Isso é realmente tudo o de que se necessita na classificação de nossa presente passagem. Então, o que o apóstolo ensina equivale a isto: “Nós temos nossa fé posta no Deus vivo, e nessa esperança não somos desapontados, pois ele não é apenas um Deus bondoso, daí o Soter (Preservador, Libertador) de todos os homens, derramando bênçãos sobre eles, mas ele é, num sentido muito especial, o Soter (Salvador) dos que pela fé abraçam a ele a sua promessa, pois a esses ele comunica salvação, vida eterna em toda sua plenitude.”

    • Taí, gostei. Confesso que gostei! Para todos os efeitos, este texto não ataca a minha visão – ele é paralelo a ela!
      Cara, cê anda lendo arminianismo demais, larga dessa vida!

      Enfim, voltando: no seu texto (leitura dinâmica!), Deus é tratado por salvador de duas maneiras distintas. E isto não está ausente no texto paulino, nem na análise do autor original. Deus é Salvador, no sentido que ninguém é salvo fora de Deus. Ele é a possibilidade de salvação de todos os homens – ou existe alguma outra divindade que salve? Sei lá, Allah, Olodum, Ylê Ayê, Shiva, Rá… (me desculpem os de outras religiões, mas tive que citar, hehe!)
      E o caso indutivo mencionado nos posts desta série continua de pé – este texto pode até ser usado a favor da minha posição!

      Ademais, Paulo não fala “Deus é salvador de todos os homens e Deus é salvador especialmente dos fiéis” – ele usa uma palavra em duas situações distintas, postas na mesma frase. Ele não separa as ocorrências.

      De acordo com o lema da expiação limitada – a da ‘intrinsecalidade’ da expiação, ou expiação pecuniária – Deus não pode ser salvador de mais ninguém além dos eleitos. E isto é prontamente descartado por este texto (exceto mediante uma exegese torturante).

      Eu vou usar justamente um texto-prova calvinista para dar suporte à minha posição: “Pois ele diz a Moisés: Eu terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer. {Romanos 9:15 BLIVRE}”
      Deus pode ter quanta misericórdia Ele quiser, de quem Ele quiser – e não apenas de ‘Sua Raça Incondicional-Gloriosa-Glorificamente Eleita’. Ele teve misericórdia dos israelitas supra-mencionados, pois o seu justo quinhão era nada – e Deus ainda lhes deu 40 anos de vida a mais. Ele teve misericórdia de muita gente. Afirmar que Deus tem que limitar Sua misericórdia é de alguma forma “castrar” Deus – se é que me entende. Ele tem misericórdia dos assassinos, idólatras, prevaricadores e aquele povo todo – afinal, não somos todos filhos da ira? Ele tem misericórdia de quem Ele quiser ter, Ele dá quantas chances quiser dar. Ele é Deus.

      Em minha opinião, o calvinismo até chega a fazer pouco de Deus – afinal, o que é pior, ser mandado para o inferno antes mesmo de nascer, ou ter recusado a única e maior chance de toda a sua vida (e detalhe que esta chance foi oferecida sem ser cobrado nada em troca – além de talvez um ‘[…]que te importa? Segue-me tu'{pedaço de João 21:22 BLIVRE}’)? Em minha opinião, orgulho e ingratidão são a maior punhalada que uma pessoa pode receber. E se Jesus suportou isto, amou pessoas que sempre o odiariam, vemos o quanto somos pequenos até nisso – ‘os cobradores de impostos também não fazem o mesmo?'{Mateus 5:46 BLVIRE}. Nada mais justo que aqueles que deliberadamente O recusaram mereçam o mais terrível castigo.

      Ainda há pouca razão para evitar o ensino imediato deste trecho: Deus não está limitado a porcaria nenhuma – Sua misericórdia não está limitada a nada, Sua justiça não está limitada a nada. Ele é salvador de todos, em especial dos fiéis. Ele sempre estendeu as mãos a um povo rebelde e contradizente, e Ele continua a estender as mãos (diga-se, mãos perfuradas, peito aberto e costas marcadas), a uma humanidade contradizente e rebelde. Se isto não significa que Ele deseja que todos se arrependam e venham ao conhecimento da verdade, não sei exatamente como definir as palavras compaixão, misericórdia, lágrimas e sinceridade.

      Epa, peraê?? Não dizem os reformados (olha, lembrei um trocadilho agora…) que Deus odeia as pessoas desde o início dos tempos? Não tinha Ele odiado Esaú e amado Jacó antes mesmo de terem nascido, de cometerem bem ou mal? Esaú teve alguma chance de ir pro céu?

      Opa! Empolguei demais! Mas, para acabar: estes libertadores de Israel também podem ser tomados como figuras de Jesus Cristo. Isaque, José, Moisés, os juízes, Boaz, os profetas, todos eles apontavam para um Salvador. Afinal, não é Jesus que liberta do pecado?

      P.S.: tem certeza que o cara que escreveu isto é calvinista? Pois, usando um pouco do que sei de filosofia, este texto pode na verdade ser usado por um arminiano sem problemas.

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