Traduções Crédulas: O que Mortos em Pecados Podem Fazer?

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Uma das pressuposições mais comuns da apologética calvinista é a ideia de que a regeneração vem antes da fé. Muitos argumentarão, para tal, uma analogia ruim: o fato de que estamos mortos em delitos e pecados – e como mortos não ouvem, primeiro tem que ressuscitar para depois ouvirem.

O principal problema desta analogia é: se um morto físico não ouve, um morto espiritual também não. Mas, se um morto físico não peca, não blasfema, não resiste ao Espírito Santo (Atos 7), como pode um morto espiritual fazer tais coisas?

O que mortos em pecados podem fazer?

Por KangarooDort from Arminian Perspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Calvinistas amam apontar que estamos mortos em pecados. Que estamos mortos em pecados antes da conversão, é inegável (Ef 2:1,5; Cl 2:13); a questão a se fazer é o que significa estar morto em pecados.

Calvinistas são pródigos em comparar morte espiritual com morte física. Isto lhes dá a base com a qual pressionam sua convicção teológica que regeneração precede a fé. Se estar morto em pecados significa que estamos tão desesperançados quanto cadáveres físicos então somos informados de que certamente não podemos “ouvir” o Evangelho nem “ver” a nossa necessidade de Cristo, mais que um cadáver físico possa ver ou ouvir. Mas, existe alguma justificação para tal paralelo estrito entre as mortes espiritual e física?

Em ponto algum da Escritura tal paralelo estrito é desenhado. Estar morto em pecados significa que estamos separados da relação com Deus necessária para a vida espiritual. Nossos pecados nos separam de um Deus Santo e causam morte espiritual. Isto é tanto atual quanto potencial. O pecador está presentemente “morto” porque, na ausência de fé, ele não está desfrutando da vida em união com Cristo. O pecador é potencialmente morto porque se continuar neste estado ele acabará eternamente eliminado da presença do Senhor, no Inferno (2Ts 1:9).

Calvinistas irão geralmente zombar dos arminianos afirmando que é inútil esperar que o morto em pecados responda ao Evangelho, da mesma maneira que seria de se esperar que um monte de cadáveres no necrotério responda ao Evangelho. A única maneira de cadáveres poderem ouvir tal pregação é que primeiro se lhes dê a vida. Da mesma forma, somos informados que a única maneira de alguém que está “morto” em pecados possa responder ao Evangelho seria se eles primeiros fossem levantados para a vida espiritual.

Mas isto leva a absurdos e demonstra que pressionar este paralelo entre aqueles que estão espiritualmente com os que estão fisicamente mortos é insensato e sem suporte escriturístico. Se a analogia é precisa então os mortos espiritualmente não devem ser capazes de fazer qualquer coisa mais que cadáveres possam fazer, o que é simplesmente absurdo. Um simples exemplo será suficiente.

A Bíblia ensina claramente que os mortos em pecado resistem ao Espírito Santo. Agora, você já viu alguma vez um cadáver resistir a alguma coisa? Certamente não. Então, se adotarmos as implicações da definição calvinista de “morto em pecados”, então devemos negar que qualquer morto em pecados seja capaz de resistir ao Espírito Santo ou rejeitar o Evangelho (At 7:51, 2Ts 2:10, 1Jo 4:10, Rm 10:21). Cadáveres não podem resistir ou rejeitar qualquer coisa mais que podem ver ou ouvir qualquer coisa. Isto, certamente, deve nos dizer algo sobre o entendimento calvinista de “mortos em pecados”. Ele não é bíblico.

“Você está indo longe demais”, diria o calvinista. Verdade? E como é que você determina o quão longe a analogia deve ser levada? Ou estamos espiritualmente tão inúteis quanto cadáveres físicos ou temos que abandonar este paralelo. Você não pode ressaltar da sua ilustração aquilo que se adapte às suas vontades e ignorar o restante. Isto é simplesmente argumentação ad-hoc.

Agora, é importante lembrar que arminianos não negam a necessidade da graciosa habilitação de Deus antes que um pecador possa crer e abraçar o Evangelho. Sem a iniciativa e habilitação divinas ninguém pode sequer vir a Deus em fé. Somos confiantes, porém, que Deus é poderoso o bastante para sobrepujar nossa depravação e assim não haveria necessidade pela prioridade de uma regeneração, desde que não existe este paralelo estrito entre a incapacidade de um cadáver e a de um morto em pecados. Podemos então aceitar o ensino bíblico da depravação humana e da graça preveniente de Deus sem precisar distorcer a Bíblia em uma tentativa de colocar a vida espiritual antes da fé.

Para uma defesa detalhada do Ordo Salutis arminiano, veja estes artigos:{em breve!}

Regeneração Precede a Fé?

Jesus Ensinou que Regeneração Precede a Fé em João 3:3,6?

A Ordo Salutis Arminiana e Calvinista: Um Breve Estudo Comparativo

Fletcher sobre “Morto em Pecados”

Fletcher on Being “Dead in Sin” Part 2

O “Novo Coração” de Ezequiel 36:26-27 É uma Referência à Regeneração Precedendo a Fé?

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10 comentários sobre “Traduções Crédulas: O que Mortos em Pecados Podem Fazer?

  1. Quando o texto diz: ” Agora, você já viu alguma vez um cadáver resistir a alguma coisa? Certamente não.” Concluo que seu autor desconhece que “morto” espiritualmente, não é aquele que resiste, mas aquele que não pode responder ao chamado.

    • Leia o texto.

      De fato, você sequer respondeu o que significa ser ‘incapaz de responder ao chamado’.
      Se uma pessoa é incapaz de responder a Jesus do mesmo modo que um cadáver físico (e é este tipo de analogia que os calvinistas usam) então um morto espiritual é idêntico a um cadáver físico – inerte. Mas um cadáver espiritual não é inerte – e é disto que o texto trata.

      Aliás, caso seus neurônios não fundam com a alta quantidade de filosofia, leia os links sobre regeneração e fé.

      Como sempre, calvinistas não levam seu sistema até suas consequências últimas…

  2. Segundo o conceito arminiano, a Graça Preveniente não chega a dar vida nova ao pecador. Daí pergunto como ele pode responder ao evangelho, se “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”?

    • Há diversos termos que se referem à regeneração, e tanto arminianos quanto calvinistas se embananam com isto.
      Se você refere à obra inicial, a de convencimento do pecado, da justiça e do juízo, não – já postei um texto que vão contra a ideia de regeneração antes da fé). Aliás, até mesmo Calvino colocava a fé antes da regeneração.

      O primeiro ponto é: a graça de Deus é necessária para a salvação, mas não é suficiente – e antes que você apele para a ‘onipotência’, é o seu ônus demonstrar que Deus usa a Sua graça em ‘full power’ (e que não existe outro meio). Aliás, me seria mais impressionante ainda que Deus não precise apelar usando 100% do Seu poder – isto indica que o homem realmente exige todo o poder de Deus. Esquisito, o calvinismo diminui a divindade!

      O segundo: Deus capacita o homem a crer, mas não toma a decisão dele. POsso expor assim:
      Antes da graça: o homem apenas resiste
      Depois da graça: o homem ou resiste ou não resiste

      No caso calvinista (o qual eu rejeito) é assim:
      Antes da regeneração: o homem apenas resiste
      Depois da regeneração: o homem apenas aceita

      E, antes que você diga que Deus se torna refém da decisão do homem, Deus não é refém de ninguém – Ele poderia muito bem não fazer nada. Aliás, quem é você pra dizer que este não é o melhor jeito de Deus fazer as coisas, hein, calvinista?
      E se você tentar apelar pra obra da fé, a coisa falha miseravelmente – obra da fé é uma contradição de termos!

  3. A Graça Preveniente chega a tornar o homem de “natural” para “espiritual” para que ele possa aceitar as coisas do Espírito de Deus? Só por curiosidade!

    • O que é um homem natural e um homem espiritual, afinal?

      A graça preveniente é somente o começo, e não o fim em si.
      É por isso que o evangelismo no calvinismo é intrinsecamente inútil – como uma pessoa pode saber que não foi um espírito demoníaco que a ‘convenceu’ de que é um filho de Deus? Afinal, dá pra citar milhões de apóstatas – ou melhor, de ex-crentes – neste mundo…

      Aliás, valeu por lembrar – tenho este texto-prova pra analisar. No mais, me faz um belo favor: leia os livros na aba “Ordem na casa” e de lá tome suas opiniões. Também, escreva suas mensagens de uma vez – responder em picotes é muito ruim 🙂

    • Leia o texto que eu indiquei, e largue as suas definições para outros carnavais. Ademais, bem o disseste – poder exercer a fé, e não necessariamente exercer a fé.

      Sem esta atuação monergística inicial, o homem jamais responderá sim. Novamente, estude direito e depois critique.

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