Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista V

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Ainda no “Falácias da Apologética Calvinista” e falando sobre livre arbítrio, vamos a mais um post (e rumo às 12 falácias mais comuns): “Escolhemos à parte de nossas intenções?”.

Mil perdões pela demora, mas tradução é algo bem mais lento para um amador e tosco blogueiro como este que vos fala. Talvez com o tempo, e com a graça de Deus, eu acabe por acelerar um pouco nesta parte mais complicada de defender o livre-arbítrio libertário.

Falácias da Apologética Calvinista

Falácia V – Escolhas à parte da intenção?

Por J.C. Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Falácias Correlatas:

Espantalho

Petição de Princípio

Enquanto os libertários defendem a filosofia de que “escolha sem causa suficiente” é o que nos faz responsáveis, o compatibilista, por outro lado, olham a Escritura , a qual testifica que é porque as nossas escolhas tem motivos e desejos que a responsabilidade moral é realmente estabelecida. Responsabilidade requer que nossas ações, por necessidade, sejam intencionais… [Eleven (11) Reasons to Reject Libertarian Free Will, John Hendryx]

E se você se perguntar, “Por que puxaste o gatilho?” [quando] um assassinato é cometido. Por que puxaste o gatilho? Pois bem, qualquer razão dada para puxar o gatilho ou qualquer conjunto de razões que se der para ter puxado o gatilho, é a mesma razão ou conjunto de razões pelas quais, se você não tivesse puxado o gatilho, você não teria puxado o gatilho. Então, qual é a explicação de por que tal ação é executada? Isto não seria válido numa corte judicial – as pessoas olham para os motivos! Elas olham para as razões de por que as ações foram realizadas. [Dr. Bruce Ware, argumentando contra o livre arbítrio libertário]

Esta falácia é bem caricata. Livre arbítrio libertário é geralmente definido como ‘escolha contrária’ ou ‘capacidade de escolher de outra forma’. Deterministas, em contrapartida, empregam argumentos deficientes e absurdamente ridículos para desacreditá-lo na tentativa de separar tais atos da vontade de nossas intenções.

Problemas com esta lógica

Quanto à assertiva ‘escolhemos de acordo com nossas intenções’, eu só posso responder: é claro que escolhemos de acordo com aquilo que temos intenção. Seria uma tremenda façanha fazer escolhas deliberadas que não temos intenção de fazer. Para entender a falha lógica do argumento calvinista, devemos primeiro entender suas ideias sobre motivos e intenções:

Na visão determinista, nossos motivos e intenções não são de nosso próprio feitio independente, mas são atribuídas a, ou irresistivelmente surgidas em nós por alguns estímulos; em tal abordagem, nós não temos realmente nenhum controle autônomo sobre as nossas intenções. Se não temos controle sobre o que intencionamos, então se segue naturalmente que não temos controle, então segue naturalmente que não podemos controlar o que escolhemos. O caso calvinista aqui essencialmente afirma: “Não podemos escolher de outra forma, porque não podemos intencionar de outra forma.”

Esta é exatamente a razão de o argumento de Dr. Ware beirar a incoerência: ela equivale a afirmar, “se você puxar ou não puxar o gatilho, deve ser pela mesma razão”. Tal assertiva só faz sentido se assumirmos de antemão que as pessoas não tem controle sobre suas razões/intenções pelas quais agem.

Argumentar que não podemos escolher diferentemente a partir da afirmação que não podemos intencionar diferentemente não é nada além de uma petição de princípio acerca da operação da vontade humana ser completamente predeterminada. Tal argumento se articula na remoção de uma das implicações necessárias da escolha contrária, a liberdade das intenções. O termo ‘escolha contrária’ descreve o efeito global sem entrar em detalhes (como muitas definições concisas), sendo a liberdade de intencionar diferentemente uma inferência bastante óbvia, apesar das tentativas imensamente simplistas de os apologistas calvinistas de separá-las. Escolhas conscientes não são feitas à parte das intenções; intenções são componentes integrais e inseparáveis de escolhas deliberadas! Poder de escolher de outra forma necessariamente implica poder de ter uma intenção diferente.

Toda esta embromação de ‘escolha à parte da intenção’ não é nada além de um espantalho bem malfeito que não reflete fielmente a visão bíblica do livre arbítrio libertário, afinal. A Bíblia não retrata nossas intenções como algum impulso irresistivelmente colocado em nós, mas de fato nos instrui a agir com boas intenções em nossos corações em vez de motivos impuros:

Vossas almas tendo sido purificadas na obediência à verdade pelo Espírito, que leva ao amor fraternal não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro, {1Pedro 1:22 Almeida Recebida}

[5] Vós, servos, sede obedientes a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo,
[6] não servindo somente à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus,
[7] servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens.{Efésios 6:5-7 Almeida Recebida}

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.{2Coríntios 9:7 Almeida Recebida}

cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,{Hebreus 10:22 Almeida Recebida}

Aqui não está escrito “A vontade de Deus causará você a ter uma boa vontade”, mas de fato nos comanda a ter um coração voluntário.

Conclui-se, após um exame, que estes argumentos calvinistas acerca da realidade do livre arbítrio se reduzem a nada mais que tentativas sem o menor sentido de mostrar o quão ridículo o livre arbítrio libertário parece se assumirmos o determinismo em relação às intenções. Tal suposição é infundada, desde que uma doutrina dependente da ideia de que não temos controle em nossas intenções entra em tensão com o senso de credulidade que as escrituras claramente propõem.

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8 comentários sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista V

  1. Nossa que brutal insanidade um calvinista separar intenção de vontade, eu como sempre fico sem palavras para descrever o que sinto quando vejo o calvinismo em ação, é um assassinato mental que só as TJ (testemunhas de Jeová) conseguem superar…

  2. Sempre com falácias Bíblia que é bom, muito pouco quase nada, é Deus que opera em nós [Salvos] tanto o querer, como o efetuar, o que se une ao SENHOR é um só Espírito com Ele.

    Como está escrito, Eleito para obediência, e não pela obediência, isso é anátemas como vocês que dizem.

    • Sempre com falácias Bíblia que é bom, muito pouco quase nada,

      Ataque barato. Me diga em que post não foi usada a Bíblia, ou em que post foi formulada uma falácia lógica, e quem sabe a gente conversa? Até lá, é apenas isto: um ataque barato de sua parte.

      é Deus que opera em nós [Salvos] tanto o querer, como o efetuar, o que se une ao SENHOR é um só Espírito com Ele.

      E daí? Por acaso leste o verso inteiro?
      Portanto, meus amados, assim como sempre obedecestes, não somente em minha presença, mas muito mais agora em minha ausência, [assim também] operai vossa salvação com temor e tremor. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o agir, conforme o que lhe for agradável. Fazei todas as coisas sem murmurações e discussões.{Filipenses 2:12-14 BLIVRE}
      Não preciso negar uma vírgula do que está escrito – eu nego é que sou uma simples marionete sem vontade. Mas tudo bem, em breve lidarei com textos-prova.

      Como está escrito, Eleito para obediência, e não pela obediência, isso é anátemas como vocês que dizem.

      Eleito pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, caso tenhais se esquecido.
      Onde você viu um arminiano lendo ‘eleito pela obediência’? Ou você vai confundir isto com regeneração anterior à fé? Já traduzi sobre isto aqui e aqui no blog.

    • Estranho. Acho que, pela minha formação mais exatóide, ela é um pouco mais difícil de ver. Tem sempre uma pressuposição oculta – a de que a pessoa não é livre. Mas depois da ideia do Thibodaux em demonstrar que Deus tem liberdade libertária, não me parece mais tão poderosa essa falácia. É como, por exemplo, se perguntar “se Deus me salvou ou não, foi pela mesma razão?”. Nonsense.

      • Então, mas como eu já tinha lido anteriormente aqui sobre a tal “petição de princípio”, achei mais tranquila essa. Estou gostando muito desse site, conheci através de um calvinista que te chama de Cheung arminiano. Foi exatamente Cheung que me fez refletir melhor sobre calvinismo, determinismo e confrontar tudo isso com a Bíblia, de forma que o efeito foi contrário: me fez conhecer o arminianismo melhor em vez de ignorar e considerar os arminianos “cachorros loucos” (como já dizia Wesley). Um abraço, Deus abençoe.

  3. Pingback: Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista (INDEX) | credulo

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