Traduções Crédulas: A Realidade da Escolha e o Testemunho da Escritura

Padrão

Eis um texto comprido, há muito preparado, acerca do que a Escritura fala sobre a liberdade das escolhas do ser humano. Como tal conceito é por demais confundido e alvo de equivocações, este texto será útil para aquelas típicas perguntas do gênero “o livre arbítrio não é bíblico, não encontra apoio, o homem não tem poder” e tantos outros espantalhos típicos.

Com a parceria de Ben Henshaw, vulgo KangarooDort (uma piada com aquela piada que foi o Sínodo Nacional), mais um texto sobre o poder humano!

A Realidade da Escolha e o Testemunho da Escritura

por KangarooDort from ArminianPerspectives

Tradução: Crédulo from this WordPress Blog

O que é Livre-Arbítrio?

Pode parecer estranho a alguns que exista mesmo um debate sobre o que constitui o livre arbítrio. A pessoa comum crê que possua livre arbítrio. Quando ela é confrontada com uma escolha ela acredita que pode escolher de uma maneira ou outra, e qualquer escolha é uma real possibilidade. De fato, é isto o que geralmente pensamos quando usamos a palavra escolha. Pensamos no poder de escolher entre alternativas. Mas os conceitos simples de escolha e livre arbítrio foram infelizmente complicados e confundidos pelos calvinistas. Como resultado de seu comprometimento com o determinismo exaustivo, calvinistas negam que a vontade seja livre no sentido que a maior parte das pessoas normalmente a entende. Mesmo assim, eles recusam-se a abandonar estes termos comumente usados apesar de abraçarem uma teologia que nega tais conceitos como normalmente são conhecidos.

Eles simplesmente redefinem “livre arbítrio” de maneira que ele se torna essencialmente sem sentido como normalmente compreendido. Ele se torna a “liberdade” de agir conforma deve-se de fato agir. É a “liberdade” de agir conforme já fora predeterminado desde a eternidade. É a “liberdade” de fazer o que se foi irresistivelmente programado (e livre arbítrio tem referência essencial com “querer” e não somente “fazer”, isto é, alguém pode ser impedido de “fazer” o que ele livremente “quis” fazer). É essencialmente uma liberdade causada (uma “liberdade” que precisa ser necessitada) que denuncia a inerente contradição no uso dos termos pelos calvinistas.

Para a maioria das pessoas isto não parece ser de todo como a liberdade como normalmente entendida. De fato, a maioria das pessoas entende que uma vontade que age por necessidade é oposta a uma vontade livre. Ainda assim, calvinistas querem tomar o oposto de livre arbítrio e tornar esta a definição própria do termo.[1]

Arminianos, por outro lado, são capazes de trabalhar com as definições padrão ao usar termos como “livre arbítrio” e “escolha”. Falar de livre arbítrio é falar do poder de auto-determinismo de uma pessoa. Uma pessoa escolhe fazer isto ou aquilo, ou nenhum deles se for o caso. Quando usamos o termo “livre arbítrio” estamos descrevendo a liberdade que uma pessoa tem de escolher entre opções disponíveis. A vontade é livre na medida que não é necessitada. Se a vontade só pode se mover em uma direção, então a mesma não pode ser chamada propriamente de “livre”. Liberdade da vontade se refere a habilidade de escolher livremente. Uma vontade livre é livre de necessidade. Ela tem poder de alternativa. [2]

A Realidade e o Significado da Escolha

Será melhor simplesmente focar na realidade das escolhas. Falar de escolha é falar de um agente decidindo entre duas ou mais possibilidades. Novamente, esta é a definição padrão que a maioria das pessoas toma quando fala de escolha e da ação de escolher. Aonde houver opções de escolha, haverá escolha. Se uma opção não está disponível, então ela deixa de ser uma “opção”, e portanto neste caso deixa de ser uma possibilidade.

Mas, novamente, as coisas não são tão simples quando estamos lidando com aqueles que estão confortáveis usando palavras de uma maneira incompatível (e às vezes diametralmente opostas) com as definições padrão. Calvinistas e deterministas ainda usam os termos escolher e escolha (há até mesmo calvinistas que admitem livremente que tal linguagem é incompatível com o determinismo calvinista, mas no momento são minoria). Mas de acordo com o calvinismo todas as “escolhas” já foram pré-determinadas por Deus antes da criação e antes mesmo de termos nascido ou termos nos confrontado com qualquer escolha a realizar. Se é este o caso, parece claro que “escolha” é um termo destituído de seu sentido.

Se o único curso de ação disponível para uma pessoa em qualquer situação dada é o curso de ação pré-determinado por Deus desde a eternidade, então ninguém tem realmente uma “escolha”. A pessoa só pode fazer aquilo que ela deve fazer, e pensar o que ela deve pensar. O único curso de ação disponível é o pré-determinado. Se existe apenas um curso de ação realmente disponível, então não há nada para a pessoa escolher, e de fato, nenhuma escolha afinal.

Esta é uma disputa difícil para o calvinista, porque todos nós cremos que fazemos escolhas todos os dias em numerosas situações. Nós reconhecemos que quando há apenas um curso disponível de ação, não temos neste caso uma escolha. Alguns calvinistas que reconhecem esta dificuldade recorrem a focar na distinção entre “ter” escolhas e “tomar” escolhas. Eles nos dizem que enquanto não temos escolhas nós ainda tomamos escolhas. Mas é ao mesmo tempo aparente que é, de fato, impossível “tomar” uma escolha sem primeiro “ter” uma escolha. Não se pode simplesmente escolher (tomar uma escolha) se não há escolha a se fazer (ter uma escolha).

O calvinista que quiser fazer tais distinções ilógicas é portanto forçado a definir “fazer uma escolha” de uma forma ilusória. Ele pode argumentar que fazer uma escolha se refere somente a uma percepção cognitiva (esquecendo convenientemente que, de acordo com a doutrina calvinista, até mesmo o curso das percepções cognitivas de alguém é meticulosamente predeterminado). Enquanto esta pessoa acredita que ela tem uma escolha ela pode fazer uma escolha. Mas esta assertiva revela a necessidade de haver uma escolha, a fim de fazer uma escolha, desde que o calvinista crê que a pessoa deve no mínimo “acreditar” ou “perceber” que tem uma escolha antes de poder “tomar” a escolha. Ademais, se o determinismo calvinista for verdadeiro, então mesmo as “opções” cognitivas não são opções reais se a mente só pode se mover em uma direção pré-determinada e causada.

Verdade, Escolha, e o Testemunho da Escritura

O problema mais significativo é que quando falamos de escolhas estamos falando da realidade da situação e não apenas de como as coisas parecem ser. Se eu falo a alguém que ele tem uma escolha quando de fato eu sei que nenhum outro curso real de ação está disponível, então eu estou sendo mentiroso em dizer que a pessoa tem uma escolha. A pessoa pode acreditar que ela tem uma escolha, e de fato acreditar que ela tomou uma escolha, mas a verdade é que a pessoa não tomou uma decisão real, já que existia apenas um curso disponível de ação. Então, se eu afirmo a uma pessoa que ela tem uma escolha quando na realidade ela não tem uma escolha, então vê-se que ao mesmo tempo eu estou sendo fraudulento e mentiroso.

Verdade tem a ver com realidade, com como as coisas realmente são e não como elas parecem ser. De fato, a palavra “fraudulento” é mais naturalmente empregada quando falando de como as coisas meramente parecem quando elas de fato não são assim. Falar uma mentira é simplesmente falar algo contrário à realidade, e portanto contrário à verdade. Proferir uma mentira é justamente falar aquilo que é contrário à realidade, e portanto contrário à verdade. Então, a conclusão que se parece inescapável é que é fraudulento e contrário à realidade (mentira) dizer que uma pessoa tem uma escolha, quando na verdade ela não tem. Torna-se então imediatamente aparente que Deus seria culpado de colossal fraude, desde que a Bíblia revela que Deus tanto oferece escolhas às pessoas, quanto as ordena a fazer escolhas. Considere as palavras de Moisés aos israelitas:

Vê que tenho posto diante de vós hoje vida e bem, morte e mal, e eu vos comando a amar o SENHOR vosso Deus, de andar em seus caminhos, e manter seus mandamentos, estatutos, e julgamentos, que vocês viverão e se multiplicarão; e o SENHOR vosso Deus vos abençoará na terra que vós ireis possuir. Mas se vosso coração se voltar tal que não ouvis, e se afastarem, e adorarem outros deuses e servi-los, eu vos anuncio hoje que certamente perecereis; não prolongareis seus dias na terra que atravessarem diante do Jordão por possessão. Eis que hoje chamo céus e terra como testemunhas contra vós, que coloquei diante de vós vida e morte, bênção e maldição; portanto escolheis vida, para que tanto vós quanto vossos descendentes vivam. {Deuteronômio 30:15-19 King James}

Claramente foi dada aos israelitas uma escolha real nesta passagem. Deus deixa claro por intermédio de Moisés que Ele os colocou diante da vida, prosperidade e bênçãos de um lado, e morte, adversidade e maldições do outro. A linguagem é bastante intencional. Eles tinham duas alternativas postas diante deles e foram chamados a escolher. A escolha não foi apenas posta diante deles, mas a gravidade da escolha se fez explícita, “eu chamo céus e terra como testemunhas contra vós, que eu coloquei diante de vós…”

Céus e terra são chamados como testemunhas porque eles seriam totalmente responsáveis pela escolha que fizessem, e tal responsabilidade repousa na realidade das possibilidades postas diante deles. Eles genuinamente tinham uma escolha e eles foram chamados a fazer uma escolha da maneira mais urgente possível. Não apenas Deus os chamou a a escolher mas os persuadiu a fazer a escolha correta, “Então escolham a vida para que vivam, vós e vossos filhos”.

Deus demandou que eles escolhessem entre as alternativas postas diante deles e expressou Seu desejo de que eles escolhessem a vida e não a morte. Porém, a despeito do desejo expresso de Deus para que eles escolhessem a vida, Ele deixou-lhes as escolhas e por tal razão chamou o céu e a terra como testemunhas contra os israelitas.

Este cenário simplesmente não encaixa-se no sistema calvinista. Se todas as nossas ações são predeterminadas por Deus, então não existe escolha a ser feita e não há razão para chamar céus e terra como testemunhas (concernentes às escolhas que eles farão e as consequências que delas seguirão). Se suas ações são predeterminadas desde a eternidade, então apenas um curso de ação é realmente posto diante deles e não existe alternativa. Eles na verdade não tem escolha além de fazer exatamente o que Deus havia pré-determinado, e se for este o caso, então Deus está sendo fraudulento em lhes falar que eles têm uma escolha, que realmente eles podem escolher entre duas alternativas, e que a realidade de tal escolha é a base de sua responsabilidade diante de Deus (e o expresso desejo para eles escolherem a vida seria diretamente contrário ao Seu eterno decreto de reprovação de alguns). Isto é de fato demonstrado quando olhamos as palavras de Moisés nos versos 11-14:

Pois este mandamento que eu vos mando neste dia, não está escondido de vós, nem está demasiado longe. Ele não está no céu, para que digais, Quem irá por nós até o céu, e o trará até nós, para que possamos ouvi-la, e obedecê-la? Nem está além do mar, para que digais, Quem irá além do mar por nós, e o trará para nós, para que possamos ouvi-la, e obedecê-la? Mas esta palavra está bem próxima de vós, nos vossos lábios, em vosso coração, para que possam segui-la. {Deuteronômio 30:11-14 King James}

É extremamente importante notar que Moisés fala às pessoas que elas são totalmente capazes de fazer a escolha correta (a qual é enfatizada pelo desejo de Deus que eles escolham a vida no verso 19). Isto milita fortemente contra qualquer forma de determinismo, já que de acordo com o dogma necessarianista é totalmente inverídico que isto não é tão difícil para muitos deles obedecerem[3]. Aqueles que desobedeceram (e muitos certamente o fizeram) não podem possivelmente ter feito de outra forma além de desobedecer, caso o determinismo seja verdadeiro. Porém, Moisés deixou claro que todos os que ouviram sua voz eram de fato capazes de obedecer o comando divino e firmemente censurou qualquer um que por acaso se atrevesse a declarar o contrário.

Isto novamente estabelece a base da responsabilidade e veracidade da realidade da escolha (isto é, a habilidade de escolher entre alternativas reais). Se aquele que escolheu não seguir o mandamento divino fora predeterminado a seguir a morte de acordo com a irrevogável necessidade de um decreto divino, Moisés não poderia dizer que eles eram capazes de fazer a escolha certa. Ele não poderia dizer que a escolha fora posta diante deles, de tal modo que “pudessem obedecê-la”. Pelo contrário, se aqueles que seguiram a morte o fizeram pela necessidade divina, então o único propósito das palavras de Moisés seria o de sua condenação e não o de que “possam obedecê-la”. O propósito das palavras de Moisés seria apenas para que eles pudessem desobedecê-la de acordo com a irresistível e irrevogável decreto eterno de Deus. Mas o testemunho desta passagem é claramente contra tal visão.

Então temos Deus colocando diante das pessoas duas alternativas. Temos Deus chamando-os a escolher entre as alternativas. Temos Deus chamando céus e terra como testemunhas contra eles na tomada da escolha. Temos Deus afirmando que a escolha correta (obedecer e viver) não estava além de sua capacidade (isto é, não é “demasiado difícil” ou “além da capacidade”). Temos Deus afirmando que a palavra da promessa está “bem próxima” e “em vossos lábios e coração” de tal forma que “possam obedecer”, tudo isto sendo sem sentido se o determinismo calvinista for verdadeiro.

Se o determinismo exaustivo for verdadeiro, então aqueles que desobedeceram não tiveram nenhuma alternativa (eles tinham de desobedecer). Céus e terra foram chamados como testemunhas contra seu ato inevitável de desobediência. O desejo expresso de Deus para que escolhessem a vida, em vez da morte, era fraudulento e contraditório com o Seu decreto irrevogável e a eterna predeterminação de que eles desobedecessem para a morte, em vez de obedecerem para a vida. Moisés estava errado em falar a eles que a escolha entre obediência e vida não está longe nem é demasiado difícil, porque de fato ela o era. Não era apenas difícil, mas impossível. Moisés estava mentindo quando lhes falou que a palavra da promessa para a vida estava “bem próxima”, já que a promessa não fora sequer uma remota possibilidade para os desobedientes. Moisés estava sendo fraudulento quando disse que a palavra estava em seus lábios e coração, de tal forma que “pudessem obedecê-la”, já que a obediência era tão impossível a eles quanto a criação de um universo.

Esta e outras numerosas passagens semelhantes destroem a doutrina calvinista do determinismo exaustivo. Passagens como esta são simplesmente incompatíveis com tal doutrina, enquanto a linguagem intencional de tais passagens se encaixa perfeitamente com a abordagem arminiana do livre arbítrio, e a responsabilidade ligada ao exercício de Deus em dar o poder de escolha. A alternativa à visão libertária dessas passagens tem a inevitável conclusão de tornar Deus um mentiroso que frauda para Seu povo, levando-o a crer que eles são capazes de tomar a escolha correta, quando na realidade é impossível a eles tal escolha. Uma escolha predeterminada não é escolha nenhuma, desde que só há um curso de ação disponível. O melhor que o calvinista pode oferecer é que Deus dá uma ilusão de escolha, enquanto controla cada pensamento e ação para se adequar ao Seu infalível e irrevogável decreto eterno.

Considere 1Co 10:13,

[11] Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.
[12] Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe para que não caia.
[13] Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.
[14] Portanto, meus amados, fugi da idolatria.
[15] Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo. {1Coríntios 10:11-15 Almeida Recebida}

As implicações são óbvias e inevitáveis. Aqueles que falham em resistir à tentação têm apenas eles mesmos para culparem, desde que Deus deu a via de escape[4]. O verso afirma claramente que ao crente que Deus é fiel, e que a fidelidade é demonstrada em no fato de que Deus não permitirá a alguém ser tentado além da sua capacidade de suportar (isto é, resistir) à tentação[5]. Mas como tal promessa se comporta ao lado do determinismo exaustivo? Sabemos que todos os crentes caem em tentação às vezes (isto é, pecam), e falham em usar o escape provido por Deus em Sua fidelidade. Se o determinismo calvinista for verdadeiro então sua queda em tentação fora pré-determinada desde a eternidade, e não poderia possivelmente ser evitada. Neste caso, é simplesmente inverídico que a tentação não estava além da possibilidade de suportar, nem é verdadeiro que Deus fielmente proveria um escape. Como pode existir uma “via de escape” para os pré-determinados a cair de acordo com um decreto eterno e irrevogável?

Novamente, o melhor que o calvinista pode oferecer é que o crente tem uma ilusão de escolha. Ele crê que pode evitar a tentação quando na verdade isto é impossível de evitar. A “via de escape” não é nada além de uma ilusão inalcançável. Deus meramente providenciou uma ilusão de escape quando nenhum escape era possível. Ele não foi fiel afinal, desde que eles caíram em tentação por necessidade, uma necessidade fixada desde a eternidade por Deus. Eles não podiam resistir ou escapar da tentação mais do que eles poderiam criar um universo. Então, enquanto esta simples passagem aniquila o sistema calvinista, ela concorda plenamente com a doutrina arminiana de escolha alternativa e livre arbítrio. Ela também coaduna perfeitamente com as mais básicas e vastamente aceitas definições destes conceitos.

Muitas outras passagens podem ser examinadas e levariam aos mesmos resultados. A doutrina calvinista do determinismo é simplesmente incompatível com a linguagem bíblica acerca de escolhas e responsabilidade. Ela nos força a crer que Deus dá a ilusão de escolha quando não existem escolhas possíveis. Ela nos força a crer que Deus nos tem por responsáveis e nos julga severamente por “escolhas” que de fato jamais tivemos a oportunidade ou a capacidade de tomar. Ela reduz o livre arbítrio à “liberdade” de fazer o que se deve fazer; a “liberdade” de se fazer o que não se pode evitar; a “liberdade” de irresistivelmente cumprir um eterno decreto irrevogável. Liberdade é reduzida a necessidade inevitável. Felizmente, esta não é a liberdade e a base da responsabilidade revelada na Escritura. Pelo contrário, a Escritura revela uma liberdade de escolher entre escolher entre alternativas reais, e nos toma por responsáveis pelas escolhas que nós fazemos porque somos realmente capazes de fazer a escolha certa em tais situações[6].

———————————————————————————————————

[1] Então os acadêmicos falam de livre arbítrio libertário. Isto é obviamente redundante, já que libertário pressupõe livre. Então ‘livre arbítrio libertário’ essencialmente significa livre arbítrio livre. E esta adição redundante se tornou necessária apenas porque aqueles que negam o livre arbítrio continuam a usar o termo.

[2] Poder alternativo da vontade é uma maneira útil de descrever livre arbítrio. Eu encontrei esta frase enquanto lia o livro “Freedom of the Will: A Wesleyan response to Johnatan Edwards”, de Daniel D. Whedon, editado por John D. Wagner. Whedon escreve: “Liberdade objetiva volitiva requer pluralidade externa de alternativas. Mas quando há dois cursos possíveis, não-ação pode ser de fato ser um terceiro curso.”(pg 52) Ele dá a seguinte definição de livre arbítrio como “… o poder de escolher em uma dada direção, com total poder de escolher diferentemente.”(pg 75). Então Whedon faz uma distinção entre a visão edwardsiana de liberdade, que ele chama de “unipotente”, e a sua visão de arbítrio que ele chama de pluripotente, o que representa o poder causal de “realizar uma dentre várias escolhas”(pg 67). Para mais na visão de Daniel Whedon contra Edwards, clique aqui.

[3] Uma objeção pode ser levantada de que somos incapazes de obedecer perfeitamente a lei e então estas passagens na verdade apresentam Deus chamando as pessoas a obedecer impossibilidades. Mas Deus sabia plenamente que a lei não poderia ser fielmente cumprida, e por tal razão instituíra o sistema sacrificial. As pessoas são chamadas a obedecer Deus no contexto de que a provisão de absolvição quando a lei fosse violada, pois a submissão a Deus em reconhecer a culpa pela via do sacrifício estava em si mesma num ato de fé e obediência e demonstrava o desejo de continuar em retidão diante de Deus. Essencialmente, eles eram chamados a ter um relacionamento de fidelidade a Deus. Por tal razão Paulo pode citar estas passagens apontando a provisão sacrificial de Jesus Cristo e chamando as pessoas da dispensação da Nova Aliança pela fé em Cristo (Rm 10:6-10). Note como Paulo iguala a proximidade da boca e do coração (verso 8) com a habilidade de confessar “com a própria boca” e crer “do coração” que Jesus, quem morreu e ergueu-Se dos mortos (versos 6,7), é o Senhor, para salvação.

[4] Note o “portanto” do verso 14: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria”. As implicações práticas são óbvias. O alerta contra idolatria é diretamente ligada à fidelidade em não permitirmos ser tentados além do suportável e Sua graciosa provisão de escape.

[5] Alguns calvinistas tentam diminuir a força dessa passagem apontando que ela só se aplica aos crentes. Mas a objeção é irrelevante desde que se o determinismo exaustivo for verdadeiro então ela se aplica tanto a crentes quanto a descrentes. Todas as nossas ações são pré-determinadas por Deus (de acordo com o calvinismo). Portanto, a incompatibilidade do determinismo exaustivo calvinista com as promessas de Deus, expressas nesta passagem, continua válida e inevitável.

[6] Isto não significa que o pecador tenha a capacidade de obedecer e crer no Evangelho sem o benefício da habilitação divina. Apenas depois que Deus graciosamente intervém derrubando a depravação do pecador é que a escolha se torna real (lembrando que sem a presença de alternativas reais “escolha” é um termo sem sentido). Antes da obra de graça capacitante de Deus, o pecador não tem opção além de continuar rebelde e descrente. Porém, uma vez que Deus habilita o pecador a responder em fé ao Evangelho, ele pode ainda resistir ao chamado de Deus, para sua própria condenação eterna.

Anúncios

2 comentários sobre “Traduções Crédulas: A Realidade da Escolha e o Testemunho da Escritura

  1. Pingback: Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista IV | credulo

  2. Pingback: Refutando 5calvinistas: “Seria Deus justo exigindo do homem o que ele não pode cumprir?” | credulo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s