Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista III

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Vamos para uma falácia não muito comum: a escolha aleatória. Na verdade, ao que parece é uma tentativa de explicar tudo de maneira determinista: como ‘mensurar’ o livre arbítrio?

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Falácias da Apologética Calvinista

Falácia III – “Escolhemos aleatoriamente?”

por J.C.Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Crédulo from this WordPress Blog

Falácias Relacionadas:

Petição de Pincípio,

Argumento ad hoc [dado que Deus tem o poder de escolha contrária]

Falsa dicotomia

“Se todos os homens são neutros na graça preveniente então foi por pura sorte que um creu e o outro não?” – [A Prayer That a Synergist Won’t Pray (An Open Challenge to All Synergists) – mais uma ‘vitória’ de John Hendryx]

Esta é mais uma asserção particularmente estranha da apologética calvinista. Já que o livre-arbítrio é um mecanismo que não podemos modelar com complete precisão ou explicar detalhadamente seus princípios internos, alguns calvinistas fazem a inferência que escolhas na visão libertária são totalmente aleatórias! Este argumento, por si só, tem dificuldades lógicas, mas vamos suspender a exploração delas até que primeiro avaliemos a coerência do livre arbítrio na visão cristã. Muitos calvinistas objetam a ideia do livre-arbítrio libertário, afirmando ser a mesma ilógica ou impossível. Tais objeções filosóficas podem ter algum apelo em um paradigma materialista ou não-teísta, mas não se saem tão bem quando comparados com a visão cristã, bem como a maioria deles encalham nos atributos do próprio Deus.

Problemas com esta lógica

No meu primeiro post sobre falácias calvinistas, eu citei o fato de Deus possuir livre-arbítrio como evidência de que tal conceito de escolha contrária é logicamente convincente; elaborarei mais do conceito aqui. Se o próprio Deus realmente serve como exemplo primário de escolha contrária, isto demonstra que o poder/livre-arbítrio libertário de escolha contrária, quando adequadamente definido, é um conceito logicamente pertinente. A segunda peça-chave é se é possível Deus ter dotado os homens com um poder similar de escolha contrária. Meu objetivo aqui não é quantificar exatamente como o livre arbítrio funciona, mas demonstrar que não é irracional crer que Deus concedeu algum grau de liberdade ao homem.

As duas questões principais são, então:

  1. Deus tem o poder de escolha contrária?
  2. Deus é capaz de criar pessoas dotadas de uma capacidade – ainda que remotamente – semelhante?

Se tais questões admitirem uma resposta afirmativa, então nenhuma objeção lógica contra o conceito de livre arbítrio libertáro pode ser efetiva. A resposta à primeira questão é bastante óbvia – considere apenas algumas ramificações da premissa de que Deus não tem o poder de escolha contrária:

  • Deus não poderia escolher criar nada diferente do que Ele fez; portanto Ele estava, por algum princípio, compelido a (não podia escolher nada diferente de) criar cada um de nós.
  • A eleição, salvação, e a glorificação de certas pessoas ocorreu por necessidade a qual Ele mesmoe stava sujeito; Ele não poderia ter feito de outra maneira, portanto Ele efetivamente tinha que salvar os indivíduos.

Quão lisonjeira poderia ser uma filosofia dessas? Era absolutamente necessário para o próprio Deus não apenas me criar, mas Ele não tinha nenhuma outra escolha além de me eleger, salvar e glorificar? Tal crença não é apenas uma terrível ofensa à soberania e independência de Deus, mas uma inacreditável visão de salvação centrada no homem, e portanto algo inaceitável à doutrina cristã. Se Deus escolheu nos salvar, e ainda era completamente capaz de escolher de outra maneira, então segue inevitavelmente que Deus tem algum tipo de poder de escolha contrária.

Da segunda questão, além dos absurdos conceituais (p.ex. outro como Ele, rochas que Ele não possa carregar), não há realmente nenhuma base legítima para concluir que Deus seja limitado naquilo que Ele pode criar.

Dadas as ramificações acima, desde que Deus tem o poder de escolha contrária, não há razão para concluir que a ideia de escolha contrária é conceitualmente absurda. E como nós (na visão cristã de livre arbítrio) não fomos criados como deuses autônomos invencíveis, mas como agentes livres ainda subordinados à própria vontade divina, não há dificuldades lógicas aparentes com a ideia de Deus dotar Suas criaturas com capacidade semelhante, e portanto não há erros lógicos na conclusão de que Deus seja capaz de criar pessoas que possuam algum poder de escolha contrária.

Voltando à falácia das ‘escolhas aleatórias’, alguns monergistas como Hendryx sugerem que se escolhas livres não são causadas por fatores além da livre vontade, então nossa auto-determinação deve ser por ‘sorte’ (ou aleatoriedade/caos/etc). Novamente, aplicando tal asserção ao caso da vontade de Deus parta verificar se ela se sustenta logicamente, uma questão deve ser feita: Dado que Deus tem o poder de escolha contrária, e nada O compeliu a escolher de uma forma ou outra, então concluiremos que as escolhas de Deus (como a eleição) são aleatórias? Se for este o caso, isto faria com que a salvação fosse definitivamente devida a alguma loteria metafísica bizarra, e pior ainda, isto subordinaria a vontade de Deus (e o próprio Deus) a esta força mística aleatória.

Obviamente, calvinistas seriam rápidos em corrigir tal assertiva, insistindo que não há nada de caótico ou aleatório nas escolhas de Deus – o que eu certamente concordo. Mas se nada causa as decisões de Deus, e ao mesmo tempo elas não são aleatórias, então pelo argumento acima, por que exatamente Deus não poderia dotar as pessoas da capacidade de livremente tomarem decisões de maneira semelhante? Argumentar que o conceito de escolha contrária não é logicamente incoerente quando aplicado a Deus, mas de repente se torna incoerente ao ser aplicado a humanos, não é nada além de uma falácia do argumento ad hoc (aplicação seletiva injustificada das regras).

Para apontar mais um flagrante erro fundamentado nesta linha de raciocínio, argumentar que decisões libertárias seriam derivadas do acaso é novamente suscitar a questão de causação determinística, simplesmente troca o fator de determinação externa da divindade para o caos. Então esta particular esquisitice calvinista efetivamente afirma:

“O acaso causou as escolhas não causadas”,

algo patentemente absurdo.

Em suma, livre arbítrio não é determinístico e nem tempestuoso. É uma categoria em si mesmo, e seria errôneo supor que deva encaixar em algum desses moldes. A vontade de Deus não é certamente um redemoinho desestruturado de caos sem rumo ou não-inteligente, mas também não é uma máquina de estados. É algo maravilhosamente diferente que simplesmente não se compara com tais fenômenos insignificantes e sem vida; e é deseperadamente confusa e mendicante uma filosofia que conclui que aqueles que Ele criou à Sua Imagem só podem ser robôs ou máquinas caça-níqueis aleatórias.

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3 comentários sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista III

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