Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista II

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Mais um post da série Falácias! Com o oferecimento de Arminian Perspectives, um post sobre espantalhos da liberdade de escolha. Aliás, foi bastante oportuno eu tê-la achado, é algo bastante comum entre calvinistas (em especial, ex-arminianos).

Falácias da Apologética Calvinista 

Falácia II – “Arminianismo implica salvação pela habilidade inerente”

por J.C.Thibodaux
Tradução: Crédulo from this WordPress Blog

Falácias relacionadas:
Espantalho
Propaganda enganosa(isca de troca)

“Por que você é um cristão e seus amigos não? …É porque você é mais esperto que eles?” (O cativeiro pelagiano da igreja, R.C. Sproul)
“…Creio que se possa demonstrar definitivamente que a graça preveniente apenas levanta a questão de sob tais influências a decisão final para crer no Evangelho ainda vem da capacidade natural e da habilidade moral inata” (descaracterização típica de John Hendryx)

Tem sido observado diversas vezes que teólogos calvinistas, em geral, não entendem nem mesmo remotamente da teologia arminiana. Em resposta, muitos deles parecem em uma disputa para demonstrar que certa asserção está absolutamente correta. Muitas vezes parece que seus argumentos são baseados não em um estudo das crenças arminianas, mas em fontes que pesadamente distorcem ou apenas falham completamente. Divulgadores do calvinismo tentam com vigor espremer o arminianismo (e qualquer teologia sinergística) em seu próprio molde de ‘salvação por mérito’. Geralmente quando eles escrevem sobre o assunto, vão lançar termos como “habilidade inerente” em uma tentativa de armação da soteriologia arminiana como um sistema baseado em mérito humano ou alguma habilidade inerente.
Uma das piores ofensas que eu já vi até agora foi um ensaio de Nate Harlan, no qual ele argumenta que devido a uma crença na salvação por habilidade inerente, o arminianismo deve ser herético. De maneira semelhante ao argumento de Hendryx, Por que escolhemos de uma forma e não outra?, Harlan coloca as semelhanças entre dois pecadores (o que aceita e o que não aceita Cristo):

  1. Ambos possuem livre-arbítrio
  2. Portanto, são igualmente capazes de vir a Cristo
  3. Ambos estão perdidos no pecado
  4. Portanto, ambos precisam de Cristo
  5. Ambos são convencidos pelo Espírito Santo a partir do ouvir a Palavra
  6. Portanto, ambos são cientes de sua necessidade de Cristo

A partir daí, ele lista as diferenças em suas reações (junto a uma tentativa mal-concebida de conclusão silogística):

  1. Joe confiou em Cristo
  2. Bob rejeitou Cristo
  3. Logo, Joe é mais esperto que Bob (?)

Ele coloca o dilema em termos matemáticos,

“Contida na receita sinergística da salvação está um ingrediente secreto que deve ser ‘adicionado’ para que se ocorra a salvação. Vamos observar de uma perspectiva algébrica: ouvir a Palavra + convicção do Espírito + X = responder em fé a Cristo. Joe possui esta propriedade X enquanto Bob não.”

e então conclui

“Claramente, no quadro da teologia arminiana, devemos concluir que aqueles que confiam em Cristo possuem em si uma propriedade (não dotada por Deus) que lhes habilita a crer; aqueles que O rejeitam, apesar de terem ouvido a Palavra e serem convencidos pelo Espírito, não possuem tal propriedade e portanto continuam mortos em pecados.
As duas primeiras partes da receita são comuns a todos os homens, mas apenas os salvos possuem o terceiro ingrediente.

Ainda, este não é inerente a todos os indivíduos, pois nem todos confiam em Cristo. Então, apenas algumas pessoas possuem esta propriedade especial. Por quê? Porque em última análise isto leva a uma salvação baseada em méritos: a obra de Cristo torna-se impotente para salvação até o indivíduo adicionar à mistura o ingrediente misterioso e inerente X, completando a receita de salvação…”

Problemas com esta lógica

Para resolver esta ‘equação’, a resposta curta: X = ‘receber a Palavra de Deus (Marcos 4:20) e não resistir à atuação do Espírito (Atos 7:51)’. Note que estes constituem uma ação livremente realizada ou a sua não-realização, e não a características ou atributos como Mr. Harlan equivocadamente conclui. Na visão libertariana, uma pessoa não precisa de uma propriedade diferente (inteligência, sabedoria, força, carisma, destreza, mana, tipo de armadura etc.) para tomar uma decisão diferente de outra. Se tal escolha fosse necessariamente produzida por algum conjunto de atributos ou propriedades inerentes, então depositar sua confiança em Cristo não seria livre no sentido libertário, mas determinado pela sua natureza.

Adicionalmente, a conclusão de Mr. Harlam contradiz sua premissa original.
Compare:

“Portanto, são igualmente capazes de vir a Cristo“

com

“Claramente, no quadro da teologia arminiana, devemos concluir que aqueles que confiam em Cristo possuem em si uma propriedade (não dotada por Deus) que lhes habilita a crer; aqueles que O rejeitam, apesar de terem ouvido a Palavra e serem convencidos pelo Espírito, não possuem tal propriedade e portanto continuam mortos em pecados.[Ênfase do autor]

Note que ele afirma que esta propriedade ‘habilita’ alguém a crer em Cristo. Pode-se então logicamente inferir que se aquele que rejeitou Cristo não possuía esta mística propriedade que é tão vital à salvação na imaginária visão de Mr. Harlam sobre a soteriologia arminiana, então este seria completamente incapaz de vir a Cristo afinal, o que contradiz a segunda premissa de que tanto o arrependido quanto o não-arrependido são capazes de vir a Cristo.
Este é um caso clássico de propaganda enganosa, conhecida como bait-and-switch ou “isca de troca”: ele emoldura ambas as pessoas como igualmente capazes de vir a Cristo (a visão libertária) e então efetivamente afirma que uma delas é de fato incapaz de porque lhe falta uma propriedade (um conceito determinista). O fato de ele continuar a enquadrar este ridículo espantalho como uma representação fiel do arminianismo está além do absurdo.
A verdadeira soteriologia arminiana ensina que o homem é por natureza escravo do pecado, mas Deus chama os homens ao arrependimento e à fé em Cristo pela Sua graça, a qual torna os homens capazes de crer.

[14] e na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.
[15] Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,
[16] revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue,
[17] nem subi a Jerusalém para estar com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. {Gálatas 1:14-17 Almeida Recebida}

[25] Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: Quem pode, então, ser salvo?
[26] Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.
[27] Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que recompensa, pois, teremos nós?
[28] Ao que lhe disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me seguistes, que na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.{Mateus 19:25-28 Almeida Recebida}

Fé em Cristo não requer mais esperteza ou inteligência, mas que os pecadores inclinem seus ouvidos à Sua graciosa chamada e se humilhem ante à convicção do Espírito Santo. Além de bastante óbvio, estas verdades da teologia arminiana são de conhecimento geral e bem-defendidas por muitos estudiosos e escritores. Ainda assim, por uma razão inexplicável, apologistas calvinistas persistem em suas declarações descontroladamente acusatórias que os arminianos devem crer que crentes possuem alguma habilidade inata que os descrentes não tem. Aparentemente pensando ser alguma espécie de Dungeon-Master{NT: referência ao jogo de RPG Dungeons&Dragons, provavelmente} em divindade, eles continuam tecendo esta fantasia de ‘salvo por pontos de status’{NT: referência a jogos de RPG, certamente!} sobre a teologia arminiana, a qual não tem lastro na realidade tanto quanto elfos-drow empunhando cimitarras duplas {NT: uma referência a Dungeons&Dragons, sem sombra de dúvida!}.

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4 comentários sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista II

  1. “Por que você é um cristão e seus amigos não? …É porque você é mais esperto que eles?”

    Nunca imaginei em uma frase tão boa quanto esta, para expor em uma discussão entre amigos.

    “A verdadeira soteriologia arminiana ensina que o homem é por natureza escravo do pecado, mas Deus chama os homens ao arrependimento e à fé em Cristo pela Sua graça, a qual torna os homens capazes de crer.”

    Os calvinistas tb creem nisto, mas por meio da regeneração e não da decisão.
    Para mim o ponto de contigencia esta ai na decisão.
    Diferença pontual:
    Calvinista → Motivo: Graça; Método: apartir da Regeneração; Conclusão: Preservação;
    Arminiano → Motivo: Graça; Método: apartir da Decisão; Conclusão: Segurança;

    Se todos os arminianos cresem desta forma ficaria tranquilo, mas infelizmente isso tornou-se uma tragédia, o que poderia ocorrer, e que ocorre tb com o calvinismo so que em menor escala.

    Uma questão que o arminianismo sempre vai ficar se perguntando: Pq uma pessoa decide por Cristo e outra não?

    “Calvinismo é uma questão de regeneraão” (Paul Washer)

    Até Logo.

    SOLI DEO GLORIA.

    • 1 – Que fique claro que este argumento do “mais esperto” é bastante usado por monergistas desavisados, hehe!

      Ela geralmente surge da ideia de que um presente, uma graça, ainda pode ser imerecida mesmo sem ser condiconal. Aí o calvinista costuma apelar para o argumento da glorificação divina – “mas o cara que escolheu foi mais esperto, logo tem do que se gloriar”.
      Pior é que eu diria que da perspectiva ‘mais esperta e imediatista’ o melhor é recusar. No mundo, em todas as épocas o cristianismo nunca foi motivo de orgulho algum, e a fé por definição é um salto em direção a não-racional.

      2 – Tratarei disto futuramente, mas é bom ressaltar que mesmo Calvino, em suas Institutas, afirma que a fé vinha antes da regeneração. Este é um panorama arminiano, e em minha opinião mais próximo da Bíblia (afinal, sou sinergista :P).

      3 – Esta pergunta, na verdade, tem a sua versão calvinista:
      “Por que Deus escolhe incondicionalmente um e não outro?”
      No caso, o arminianismo me é preferível porque coloca a culpa da danação no ser humano – e a própria Bíblia o faz, ao afirmar que quem não crê é condenado porque lhe foi apresentada a luz.

      Os calvinistas pôem o mistério da danação em Deus, enquanto os arminianos o pôem no homem.

      3.1 – Estas duas perguntas, no fim das contas, são versões do Evil Problem: “por que Deus permite o mal no mundo?” ou “por que Deus, sendo a expressão máxima do amor, envia algumas de suas criaturas ao inferno?”. Feliz ou infelizmente este é o melhor argumento que os ateus têm contra a nossa crença, hehe! Existem livros inteiros dedicados a isto, mas este não é bem o ponto do meu blog.

      Pelo Primogênito dos Mortos (1Co 15:19-20), até outra!

      Credulo

  2. Pingback: Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista III | credulo

  3. Pingback: Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista (INDEX) | credulo

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