Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (A Eleição de Cristo)

A Eleição de Cristo

Em Efésios, vemos a eleição de um corpo e um plano. O corpo é a Igreja, e o plano é salvação mediante Jesus Cristo. Esta eleição foi pré-temporal mas não vemos nunca esta eleição como sendo inclusiva de certos indivíduos enquanto exclusiva de outros. Nesta seção, a eleição pré-temporalserá demonstrada como abrangida em uma eleição — a eleição de Cristo. Em Cristo, nós encontramos o cumprimento não apenas do plano de salvação, mas o objeto da salvação que é a igreja. As Escrituras apontam para Deus planejando um destino para o corpo do Eleito sem determinar quem teria ou não acesso pela fé à incorporação neste corpo. Abaixo, a eleição de Cristo com relação a Seu corpo eleito será comparada com a eleição de Israel e sua relação com aqueles dentro da nação. Veremos que a eleição de Cristo é a única eleição pré-temporal de um indivíduo especificamente mencionada no Novo Testamento [12].

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?)

Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?

A necessidade da vocação redentora de Cristo deve ser suficiente para nós entendermos que a salvação e eleição de indivíduos não ocorre pré-temporalmente mas, em vez disso, ocorre no tempo assim que a pessoa coloca sua fé em Jesus Cristo. Porém, existe outra faceta da teologia do Novo Testamento que serve para demonstrar que a eleição de Efésios 1:3-4 é corporativa. Devemos novamente notar o conceito de nossa eleição. Quando vem o testemunho do restante do Novo Testamento, o fato de se estar em Cristo vem com benefícios explícitos. A frase é sempre vista como inclusão salvífica de todos os benefícios que pertencem a nós mediante fé em Cristo.

Uma breve visão da teologia do “em Cristo” de Paulo a partir de sua epístola aos romanos demonstra este ponto. Nossa justificação é realizada “mediante a redenção que está em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (8:1). Em Cristo somos livres da lei do pecado e da morte (Rm 8:2). Se Cristo está em nós, o que é igualado a nós estando nEle (Jo 14:20-21), temos vida no Espírito (Rm 8:10). Somos beneficiários do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (8:39). A mensagem é clara: Estar em Cristo é ter salvação.

Então como isto apresenta um problema para uma visão que afirma eleição pré-temporal individual? Esta interpretação é problemática porque eleição pré-temporal, como delineada em Efésios 1:3-4, é “em Cristo”. Como apontado acima, todos os benefícios da salvação são “em Cristo”. Um destes benefícios seria o fato de que não há condenação. Para a teologia calvinista permanecer consistente com esta interpretação de Efésios 1:3-4, ela teria de concluir que indivíduos eleitos para salvação estavam livres da condenação no momento que foram eleitos “em Cristo” na eternidade passada. Além do fato de ser absurdo para alguém ser retirado da condenação antes de ter entrado nela, este conceito também é a-escritural. Jo 3:18,36 deixa claro para nós que aqueles que presentemente não creem também estão presentemente debaixo de condenação. Calvinistas concordariam que todos os que não creem em Cristo estão em tal estado, mas novamente, eles o fazem de maneira inconsistente com sua teologia. Pois em sua moldura interpretativa, indivíduos foram eleitos em Cristo antes mesmo de crerem. É logicamente impossível para alguém estar “em Cristo” e debaixo de condenação ao mesmo tempo (Rm 8:1).

A descrição de Andrônico e Júnia, dado para nós pelo Apóstolo em Romanos 16:7, é bastante pertinente ao assunto da eleição pré-temporal individual. Paulo estabelece que eles estavam “em Cristo” antes dele. O simples significado do texto é, claro, que sua conversão ocorreu cronologicamente antes da de Paulo. Mas Paulo usou a frase específica ἐν Χριστῷ. Se Efésios 1:3-4 estiver falando da eleição individual em vez da corporativa, então teremos uma contradição aqui. Eleição em Cristo ocorreu antes do tempo. Portanto, se indivíduos foram eleitos em Cristo antes do tempo, qualquer afirmação, como esta que temos em Romanos 16:7, seria sem significado. Porém, se entendermos que uma pessoa está “em Cristo” apenas sob sua conversão, não em um decreto pré-temporal de Deus, então a afirmação de Paulo aqui faria perfeito sentido. Portanto, devemos ser convenientemente capazes de descartar a interpretação de eleição individual em Cristo em Efésios 1:3-4.

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Eleição Individual É Especificamente Tratada Em Efésios?)

Eleição individual é especificamente tratada em Efésios?

Agora nós iremos olhar diversos exemplos em que encontraremos este pareamento de pronomes plurais com nossas bênçãos em Cristo. Note em 1:6 que nos foi dada a graça de Deus, “a qual nos deu gratuitamente no Amado;”. Baseado no seguinte verso que está traduzido “em quem temos a redenção pelo seu sangue…”, existe pouca dúvida que “o Amado” refere-se a Cristo. Ambos os versos 6 e 7 revelam a nós a natureza cristocêntrica e corporativa dos dons divinos da graça e redenção. Claro, eles são realizados temporalmente nas vidas dos indivíduos mediante sua fé em Cristo, mas aqui, eles se referem ao plano e propósito de salvação que foi estabelecida em Cristo como um plano para a plenitude dos tempos (versos 9-10).

Novamente, nos versos 11-14, o mesmo tipo de imagem é usado acerca de nossa herança. Por causa de nossa inclusão no corpo corporativo de Cristo, nós temos obtido esta maravilhosa herança, bem como o selo do Santo Espírito que é a garantia de nossa herança (1:14). Note nestes versos que não foi a escolha pessoal de Deus pelos indivíduos que nos garantiu coisa alguma. É somente a identificação com Cristo mediante fé que traz tal segurança de salvação. Mediante o crer, se é incluso no eleito corporativo (Ef 1:3-4). Com o eleito corporativo sendo o corpo de Cristo (1Co 12:27), Sua eleição (1Pe 2:6) foi essencialmente a eleição da igreja. Portanto, a referência de Paulo para o eleito corporativo (em Cristo) não pode ser separada do próprio Cristo.

Efésios 2:6-7 demonstra que a ênfase de Paulo é no eleito corporativo em Cristo. A igreja é vista como assentada em Cristo nos lugares celestiais. Aqueles de nós que têm sido salvos mediante fé em Cristo, apesar de nossa posição física em vida, podemos estar confidentes que nossa posição espiritual é assentado com Cristo à destra do Pai. Isto só pode ser possível se o apóstolo têm o corpo corporativo de Cristo em mente. Como corpo de Cristo nós estamos posicionados com Ele. Cristo obteve esta posição no Céu desde que Ele ascendeu da terra de volta para o Pai [9]. Indivíduos, por outro lado, só experimentam esta posição em Cristo mediante crença. As “imensuráveis riquezas de Sua graça em benevolência para conosco” são disponíveis para todos que escolhem estar “em Cristo Jesus” (verso 7). Portanto, o corpo corporativo eleito sempre esteve assentado nos céus em Cristo, mas o que estes versos certamente não nos contam é que cada indivíduo crente sempre esteve lá.

Em 3:11, o apóstolo referencia o “eterno propósito de Deus que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor”. Poucos discordariam que a eleição é cristocêntrica, e este fato é especialmente realçado neste verso. Note no verso 12 que “…temos ousadia e acesso com confiança mediante nossa fé nEle”. Não baseamos nossa confiança em uma eleição pré-temporal na qual fomos escolhidos antes de Cristo morrer por nossos pecados. Em vez disso, nossa confiança é baseada em uma verdade central – Jesus Cristo e Ele crucificado![10] Uma expressão semelhante é encontrada em 2Tm 1:9, em referência a Deus, “… que nos salvou e chamou para um santo chamado… por causa de seu próprio propósito e graça, que ele nos deu em Cristo Jesus antes dos tempos começarem”. O propósito de Deus foi em Cristo pré-temporalmente, mas note que nem na passagem de Efésios e nem na de 2Tm encontramos que alguns indivíduos foram escolhidos para salvação. Certamente, enquanto somos agora parte de um eleito corporativo, em retrospecto, este propósito de Deus foi por nós, mas não podemos concluir que o nós nesta passagem foi um grupo predeterminado de indivíduos eleitos. Porém, sabemos que Deus estabeleceu Seu propósito em Cristo “antes das eras começarem” para todos aqueles que agora são parte da igreja.

2Tm 1:10 explica como este propósito de Deus, salvação mediante Cristo, foi “manifesto pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo” no tempo. Com Seu aparecimento, Jesus “aboliu a morte”. Ele não aboliu-a para nós na eternidade passada, mas foi em Sua cruz que Ele triunfou sobre a morte (Cl 2:13-15). Se indivíduos, ainda não existentes, já foram colocados em Cristo pré-temporalmente com todos os benefícios e benesses da salvação (Ef 1:3) mantidos asseguradamente, destinados para vida eterna, então por que a obra redentora de Cristo no primeiro século AD? Como qualquer das bênçãos da salvação ser efetiva sobre nós antes da obra finalizada de Cristo? Alegar isto parece tornar a missão redentora de Cristo um “espalhafato divino”, um mero símbolo do que Deus já havia completado na eternidade passada[11].  Seria mais consistente com a Escritura, que claramente vê a cruz como necessária para nossa salvação, manter que o eterno propósito de Deus foi que a salvação viria mediante Cristo, não que certos indivíduos foram eleitos pré-temporalmente.

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Em Cristo)

Em Cristo

Deve ser primeiro notado que não é nem a linguagem corporativa de Efésios e nem o uso dos pronomes plurais nos versos 3-4 que demonstra que eleição corporativa é a visão acurada na interpretação desta passagem. Porém, o uso por Paulo desta linguagem é necessário neste ponto. Note que nossa eleição, incluindo as bênçãos espirituais que se levantam desta eleição, é cristocêntrica[8]. Em outras palavras, é realizada e centrada em Cristo. Além disso, deve ser notado que cada vez que lemos sobre nós estando “em Cristo” em Efésios, a ideia é sempre descrita com nomes plurais. A carta de Paulo aos efésios foca na igreja como um corpo com Cristo como sua cabeça. Esta ênfase é especialmente realizada enquanto olhamos para passagens como Efésios 2:11-12 em que a igreja é descrita como “santo templo do Senhor” que é “edificada para morada de Deus no Espírito” (versos 21-22). Novamente, o corpo corporativo de crentes está “a crescer em todas as coisas naquele que é a cabeça, em Cristo, no qual o corpo todo” está sendo construído “em amor” (4:15-16). Portanto, quando Paulo usa pronomes como “nós” e “nos”, ele está se referindo à igreja católica, o corpo corporativo de Cristo. Nesta seção responderemos duas questões importantes: 1) É a eleição de indivíduos especificamente mencionada em Efésios? E 2) É uma escolha individual pré-temporal individual consistente com o restante da teologia do Novo Testamento?

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Eleição Condicional

Eleição Condicional

(Conditional Election – Artigo 1 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Existem duas visões principais sobre o que a Bíblia ensina acerca do conceito de eleição para salvação: se ela é condicional ou incondicional. A eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus por aqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não foi nada sobre eles que contribui para a decisão de Deus em escolhê-los, o que parece tornar a escolha por Deus de qualquer indivíduo em detrimento de qualquer outro arbitrária. Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha por Deus de não salvar certos indivíduos mas daná-los pelos seus pecados por razão nenhuma a ver com eles, o que parece contradizer o espírito de numerosas passagens que enfatizam o pecado humano como razão para divina condenação bem como o desejo de Deus para que as pessoas se arrependam e sejam salvas (e.g. Gn 18:25; Dt 7:9, 12; 11:26-28; 30:15; 2Cr 15:1-2; Sl 145:19; Ez 18:20-24; Jo 3:16-18; veja também “Expiação para Todos” acima e o tratamento da reprovação por John Wesley, incluindo muito mais versos com breve comentário disponível em http://evangelicalarminians.org/wp-content/uploads/2013/07/Wesley-on-Reprobation.pdf). A eleição ser condicional significa que a escolha por Deus daqueles que ele salvará tem algo a ver com eles, que parte de sua razão para escolher eles tem algo a ver com eles. Acerca da eleição para salvação, a Bíblia ensina que Deus escolhe para salvação aqueles que creem em Jesus Cristo e portanto tornam-se unidos a ele, fazendo a eleição condicional à fé em Cristo.

Desejando a salvação de todos, provendo expiação para todos, e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação entregando o evangelho e habilitando todos os que ouvem o evengelho a responder positivamente em fé (veja “Expiação para Todos” e “Livres para Crer” acima), Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho / em Jesus Cristo (Jo 3:15-16, 36; 4:14; 5:24, 40; 6:47,50-58; 20:31;
Rm 3:21-30; 4:3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9:30-33; 10:4, 9-13;
1Co 1:21; 15:1-2;
Gl 2:15-16; 3:2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28;
Ef 1:13; 2:8;
Fp 3:9;
Hb 3:6, 14, 18-19; 4:2-3; 6:12;
1Jo 2:23-25; 5:10-13, 20).
Esta verdade bíblica clara e básica é equivalente a afirmar que a eleição para salvação é condicional à fé. Assim como a salvação é pela fé (e.g. Ef 2:8 – “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (assim a eleição para salvação é pela fé, um ponto explicitamente exibido em 2Ts 2:13 – “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (NASB; note: “Deus vos escolheu … mediante … fé na verdade”; sobre a gramática deste verso, veja “Traduções Rápidas: 2Tessalonicenses 2:13, Gramática Grega e Eleição Condicional“). Ou como João 14:21 coloca (com a suposição não-afirmada que o amor por Cristo e obediência a seus mandamentos vêm da fé) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Ou de novo, nas palavras de 1Co 8:3, “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Além disto, nós encontramos várias expressões da condição de eleito/salvo sendo dada pela fé, i.e. concedida por Deus em resposta à fé. Crentes são justificados pela fé (Rm 3-4, Gl 3), adotados como filhos de Deus pela fé (Jo 1:12, Gl 3:26), herdeiros de Deus pela fé (Rm 4:13-16; Gl 3:24-29; Tt 3:7; cf. Rm 8:16-17), dados vida espiritual (= regenerados) pela fé (Jo 1:12-13; 3:14-16; Jo 5:24, 39-40; 6:47, 50-58; 20:31; Ef 2:4-8 [note que ser salvo aqui é igualado a ser levantado para a vida espiritual etc., e que isto é então dito como tomando lugar pela fé]; Cl 2:12; 1 Tm 1:16; Tt 3:7), santificados pela fé (At 26:18), dados o Espírito Santo pela fé (Jo 4:14; 7:38-39; At 2:33; Rm 5:1, 5; Ef 1:13-14; Gl 3:1-6, 14), habitados pelo Pai, Filho e Santo Esírito pela fé (com os parênteses anteriores, veja Jo 14:15-17, 23; 17:20-23; Ef 3:14-17), e unidos a Cristo pela fé (Jo 6:53-57; 14:23; 17:20-23; Ef 1:13-14; 2; 3:17; Gl 3:26–28; Rm 6; 1Co 1:30; 2Co 5:21).

Nós devemos ser cautelosos em não perder a expressão da situação de eleitos nos diversos estados de graça. O estado da justificação significa estar em correto relacionamento com Deus. Mas isto implica pertencer a ele como um de seu povo eleito. Adoção/filiação também é uma expressão clássica do Antigo Testamento sobre a eleição de aliança do povo de Deus (Ex 4:22-23). Isto envolve a ideia de pertencer a Deus da mais profunda maneira possível para seres humanos. Herança segue diretamente disto como uma expressão de eleição. Filhos, que pertencem a Deus, são herdeiros de suas bênçãos e promessas pactuais (Rm 8:16-17). Vida espiritual também implica situação de eleito porque é uma das bênçãos providas na aliança. Mas a conexão com a situação de eleito pactual é ainda maior, como Jo 17:3 revela que não apenas aqueles que pertencem a Jesus recebem vida eterna, mas esta vida eterna é conhecer Cristo/Deus, o que é melhor entendido como um relacionamento íntimo de aliança envolvendo a condição de eleitos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste”.

O fato que o Santo Espírito é dado a crentes sob a condição de fé em Cristo também é profundamente confirmatório da eleição condicional. Pois na Escritura a presença de Deus / o Santo Espírito é o doador e marcador da eleição. Como Moisés orou em Ex 33:15-16, “… Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra”. Ou como Paulo estabelece em Rm 8:9-10, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça” (ênfase acrescida). A concessão do Espírito acarreta eleição, e ter o Espírito faz a pessoa eleita. Portanto, tendo o Espírito também separa a pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição também ser pela fé.

De um ponto de vista arminiano não-tradicional (veja mais abaixo sobre diferentes visões arminianas), isto acorda com os fatos que o Santo Espírito santifica os crentes e santificação é por vezes identificada com o meio pelo qual a eleição é obtida (2Ts 2:13, 1Pe 1:2). Santificar significa “ser feito santo, separado para Deus”. A obra santificatória inicial do Espírito é mais ou menos equivalente a crentes-eleitos sendo escolhidos ou separados para serviço e obediência para ele. O Apóstolo Paulo conta à igreja dos tessalonicenses, “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (2Ts 2:13 NASB). Eleição é aqui apresentada como tomando lugar mediante ou pela santificação que o Santo Espírito realiza. Mas como nós temos visto, o Santo Espírito é recebido pela fé, fazendo a santificação que ele traz também condicionada à fé e lançando luz na menção de “fé na verdade” seguindo imediatamente 2Ts 2:13. Semelhantemente 1Pe 1:1-2 fala dos “escolhidos refugiados … segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo…” Eleição toma lugar em ou pelo ou mediante a santificação efetivada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Santo Espírito a separa como pertencente a Deus, para obediência para com Jesus Cristo e para aspersão com seu sangue (i.e. o perdão dos pecados), um ato consequente à entrega do Espírito, o que mais uma vez é a própria consequência da fé em Cristo.

O estado final da graça daqueles acima mencionado para nós considerarmos é a união com Cristo, que é o mais fundamental de todos eles, servindo como base de cada um. Como Ef 1:3 afirma acerca da Igreja, Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. A frase “em Cristo” indica união com Cristo, um estado no qual se adentra pela fé, como já mencionado. Em Ef 1:3, união com Cristo é dada como condição para as bênçãos de Deus para a Igreja. Isto é, Deus abençoou a Igreja com toda sorte de bênçãos espirituais como consequência de serem unidos a Cristo (cf. Rm 9:7b – “Em Isaque será chamada sua descendência”, o que claramente significa que a descendência de Abraão seria nomeada como consequência de estar em Isaque, i.e. aqueles conectados a Isaque seriam contados como descendência de Abraão). Uma das bênçãos espirituais especificadas como entre cada bênção espiritual com a qual a Igreja foi abençoada é eleição (Ef 1:4). Agora se Deus abençoou a Igreja com toda bênção spiritual como consequência de estar unida a Cristo, e a eleição é uma destas bênçãos, então isto significa que a eleição é condicional à união com Cristo e à fé pela qual esta união é estabelecida.

Mais diretamente, Ef 1:4 explicitamente indica a condição de eleição especificamente com a frase “nEle [em Cristo]“: “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Bem como Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual indica que Deus nos abençoou porque estamos em Cristo (Ef 1:3), então Deus nos escolhendo em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1:4). Efésios 1:4, portanto, articula eleição condicional, uma eleição que é condicional à união em Cristo. Mas o fato que união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.

A próxima frase em Efésios 1:4 – “antes da fundação do mundo” – nos traz a uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição incondicional. A visão tradicional concebe eleição condicional como sendo individualística, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele dantes soube que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria nesta fé-em-união. A visão parece encontrar impressionante suporte em duas passagens proeminentes que relatam-se com a eleição.

Romanos 8:29 diz “Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Agora sem questão, o pré-conhecimento de Deus sobre os seres humanos é total e incluiria conhecimento anterior de cada pessoa e se creria ou não. E em Rm 8:29, presciência divina é apresentada como a condição para predestinação. Dado tudo que foi dito até aqui, muitos chegariam que a presciẽncia de Deus sobre a fé dos crentes seria o elemento mais natural de sua presciência deles ser determinativo de sua decisão de salvá-los e predestiná-los para serem conformes à imagem de Cristo.

A outra passagem proeminente provendo suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina sobre a fé humana é 1Pe 1:1-2, que fala da situação de eleito como sendo “segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Aqui a situação de eleito é explicitamente dito como sendo baseado na presciẽncia de Deus. E novamente, o tipo de evidência que estamos revendo leva muitos a crer que é especialmente presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela a qual a eleição divina conforma. Desde que este texto não especifica a presciência em vista como sendo de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas de eleição tomaria a presciência divina em 1Pe 1:2 como sendo do próprio plano de Deus para salvação, significando que eleição é baseada no plano de Deus para salvar aqueles que creem.

A visão arminiana não-tradicional da eleição é conhecida como eleição corporativa. Ela observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento foi consequência da escolha de um indivíduo que representou o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo foi eleito no cabeça corporativo, isto é, como consequência de sua associação com o representante corporativo (Gn 15:18; 17:7-10, 19; 21:12; 24:7; 25:23; 26:3-5; 28:13-15; Dt 4:37; 7:6-8; 10:15; Ml 1:2-3). Além disso, indivíduos (tais como Raabe e Rute) que não eram naturalmente relacionados ao cabeça corporativo poderiam unir-se ao povo escolhido e à identidade, história, eleição, e bênçãos do cabeça e povo eleitos. Houve uma série de cabeças de alianças no Antigo Testamento – Abraão, Isaque, e Jacó, e a escolha de cada novo cabeça do pacto trouxe uma nova definição do povo de Deus baseado na identidade do cabeça da aliança (juntamente com as referências anteriores deste parágrafo, veja Rm 9:6-13). Finalmente, Jesus Cristo veio como cabeça da Nova Aliança (Rm 3-4; 8; Gl 3-4; Hb 9:15; 12:24)— ele é o Escolhido (Mc 1:11; 9:7; 12:6; Lc 9:35; 20:13; 23:35; Ef 1:6; Cl 1:13; e numerosas referências a Jesus como Cristo/Messias) – e qualquer um unido a ele vem a compartilhar sua identidade, história, eleição, e bênçãos da aliança (nos tornamos coerdeiros com Cristo – Rm 8:16-17; cf. Gl 3:24-29). Portanto, a eleição é “em Cristo” (Ef 1:4), consequência da união com ele pela fé. Assim como o povo de Deus na Antiga Aliança foi escolhido em Jacó/Israel, assim o povo de Deus na Nova Aliança é escolhido em Cristo.

Alguns têm erroneamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 para a eleição discricionária dos cabeças das alianças anteriores como sendo indicação de que a eleição de Deus para salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça da aliança é única, acarretando a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para tornar-se parte do povo eleito da mesma forma que o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com esta grande ênfase em Romanos sobre salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus em fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou ascendência, bem como sua conclusão na seção evidencia, referindo-se à situação eletiva da justificação:

30. Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

31. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não atingiu a lei da justiça.

32. Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras da lei.

{Romanos 9:30-32b Almeida Recebida}

(Para um bom artigo sobre Romanos 9, veja Traduções Crédulas: Romanos 9 – Uma Leitura sob uma Nova Perspectiva.)

A metáfora da oliveira por Paulo em Rm 11:17-24 dá uma excelente figura da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo eleito de Deus. Mas indivíduos são enxertados no povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou são arrancados do povo escolhido de Deus e de suas bênçãos por causa da descrença. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando da eleição por meios de sua participação (mediante fé) no grupo eleito, que compreende a história da salvação. Efésios 2:11-12 semelhantemente atesta que os gentios que creem em Cristo são nele feitos para ser parte do corpo de Israel, cidadãos companheiros com os santos, membros da família de Deus, e possessores das alianças da promessa (2:11-12; note especialmente os versos 12,19).

Enquanto concordando que Deus conheça o futuro, incluindo os que crerão, a perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências ao pré-conhecimento em Rm 8:29 e 1Pe 1:1-2 como referindo-se ao conhecimento relacional anterior que se resume a previamente reconhecer ou contar ou adotar ou escolher pessoas como pertencendo a Deus (i.e. em relacionamento/parceria de aliança). A Bíblia algumas vezes menciona este tipo de conhecimento, tal como quando Jeus fala dos que nunca se submeteram verdadeiramente ao seu sehorio: “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23; cf. Gn 18:19, Jr 1:5, Os 13:2-5, Am 3:2, 1Co 8:3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significa ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. “Os [plural] que previamente conheceu” em Rm 8:29 referir-se-ia à Igreja como um corpo corporativo e sua eleição em Cristo bem como sua identidade como a legítima continuação do povo escolhido de Deus histórico, que crentes individuais compartilham na união-em-fé com Cristo e participação no seu povo. Tal referência é relacionada com afirmações na Escritura ditos a Israel sobre Deus escolhendo-os no passado (i.e. pré-conhecendo eles), uma eleição que a geração contemporânea sendo abordada compartilhava (e.g., Dt 4:37; 7:6-7; 10:15; 14:2; Is 41:8-9; 44:1-2; Am 3:2). Em cada geração, Israel poderia ser dita como escolhida.

A Igreja agora compartilha esta eleição mediante Cristo, o cabeça e mediador da aliança (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).

Semelhantemente, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo referir-se-ia a compartilhar a eleição de Cristo que tomou lugar antes da fundação do mundo (1Pe 1:20). Como Cristo incorpora e representa seu povo, pode ser dito que seu povo foi eleito quando ele o foi bem como pode ser dito que a nação de Israel estava no útero de Rebeca antes de sua existência porque Jacó estava (Gn 25:23) e que Deus amou/escolheu Israel amando/escolhendo Jacó antes de a nação de Israel existir (Ml 1:2-3) e que Levi pagou dízimo a Melquisedeque em Abraão antes de Levi existir (Hb 7:9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes mesmo de a Igreja sequer existir (Ef 2:5-6; cf. Cl 2:11-14; Rm 6:1-14) e que nós (a Igreja) estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo quando nós ainda não estamos literalmente no Paraíso mas Cristo está. A eleição de Cristo acarreta a eleição daqueles que estão unidos a ele, e portanto nossa eleição pode ser tida como tendo tomado lugar quando a dele ocorreu, mesmo antes de nós de fato estarmos unidos a ele. Isto é de certo modo semelhante a como eu, enquanto americano, posso dizer que nós (a América) vencemos a Revolutionary War antes que eu ou qualquer americano vivo hoje tenha sequer nascido.

A visão corporativa explica por que somente aqueles que na realidade são do povo de Deus são chamados de eleitos ou apelações semelhantes na Escritura, e não aqueles que não pertencem a Deus mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente crentes são identificados como eleitos. Como Romanos 8:9 afirma, “…Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Semelhantemente, Rm 11:7-24 apóia o entendimento corporativo da eleição como referindo-se somente àqueles que estão na realidade em Cristo pela fé em vez de também incluir certos descrentes que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Porque em Romanos 11:7, “os outros” são não-eleitos. Mas Paulo cria que estes dentre os outros podiam crer ainda, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite desvio de e entrada para os eleitos como retratado na passagem da metáfora da oliveita. Desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Portanto 2Pe 1:10 urge aos crentes para “mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição” e o Novo Testamento é recheado de alertas para perseverar na fé e evitar abandonar a eleição/salvação (veja “Segurança em Cristo” abaixo; para uma introdução à visão corporativa com links para mais fontes, veja
http://evangelicalarminians.org/a-concise-summary-of-the-corporate-view-ofelection-and-predestination/).

Sumarizando, existem duas visões diferentes de eleição condicionada à fé. Primeiro, a eleição individual é a visão clássica, na qual Deus individualmente escolhe cada crente baseado em sua presciência da fé de cada um e assim predestina cada um deles à vida eterna. Segundo, eleição corporativa é a principal visão alternativa, mantendo que a eleição para salvação é primariamente da Igreja como povo e adota indivíduos somente na união-em-fé com Cristo O Escolhido e como membros de seu povo. Além disso, desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e o povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto creem. Eleição condicional é apoiada pela Escritura por (veja a discussão acima para explanações):

  1. Afirmação direta;
  2. Salvação pela fé;
  3. Várias expressões da situação de eleição sendo pela fé;
  4. A apresentação da eleição como baseada na presciência de Deus, seja a da fé humana ou equivalente à escolha anterior de Cristo e/ou o povo de Deus como um corpo corporativo no qual indivíduos participam pela fé;;
  5. Eleição sendo “em Cristo”, que é um estado em si mesmo condicional à fé;
  6. A linguagem da eleição sendo aplicada somente a crentes e não a crentes que depois creriam;
  7. O desejo de Deus para a salvação de todos;
  8. A provisão de expiação para todos;
  9. A proclamação da chamada do Evangelho para todos;
  10. A atração de todos para a fé em Cristo;
  11. Liberdade humana (para este e os outros 4 pontos anteriores, veja “Expiação para Todos” e “Libertos para Crer” acima); e
  12. Numerosas advertências contra o abandono da fé e portanto da situação de eleição e suas bênçãos da salvação.

A doutrina da eleição condicional centra a eleição em Cristo tornando-a condicional à união com ele em vez de reduzir o papel de Cristo como sendo o meio pela qual a eleição é efetuada. Além disso, eleição condicional sublinha a iniciativa graciosa na salvação em direção a pessoas totalmente depravadas e encoraja a humildade e adoração para a maravilhosa graça de Deus em escolher aqueles que merecem o Inferno para adoção em sua família, salvação, e toda bênção espiritual, um dom livre recebido pela fé (a condição não-meritória para eleição) pelo maior custo para Deus, que sacrificou seu próprio Filho para que pudesse nos escolher, e pelo maior custo para Jesus Cristo, que morreu por nós para que nós pudéssemos ser escolhidos por Deus. Toda glória e louvor a Deus somente!