"Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida." (Jesus Cristo)

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Traduções Crédulas: A Fundação da Eleição Corporativa por JCFreak

Mais uma para a conta da eleição corporativa! Aqui é simples: Martin Glynn associa o panorama do AT para definir a eleição, e com isso formar a base para a mesma no NT.

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Traduções Crédulas: Como Funciona a Eleição Corporativa por JCFreak

Pois bem, já faz quase dois anos que estou com esta tradução engavetada! Este é um post de uma série meio perdida do JCFreak, sobre eleição corporativa. Entenda estes como sendo uma introdução light ao tema.

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Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (A Eleição de Cristo)

A Eleição de Cristo

Em Efésios, vemos a eleição de um corpo e um plano. O corpo é a Igreja, e o plano é salvação mediante Jesus Cristo. Esta eleição foi pré-temporal mas não vemos nunca esta eleição como sendo inclusiva de certos indivíduos enquanto exclusiva de outros. Nesta seção, a eleição pré-temporalserá demonstrada como abrangida em uma eleição — a eleição de Cristo. Em Cristo, nós encontramos o cumprimento não apenas do plano de salvação, mas o objeto da salvação que é a igreja. As Escrituras apontam para Deus planejando um destino para o corpo do Eleito sem determinar quem teria ou não acesso pela fé à incorporação neste corpo. Abaixo, a eleição de Cristo com relação a Seu corpo eleito será comparada com a eleição de Israel e sua relação com aqueles dentro da nação. Veremos que a eleição de Cristo é a única eleição pré-temporal de um indivíduo especificamente mencionada no Novo Testamento [12].


Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?)

Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?

A necessidade da vocação redentora de Cristo deve ser suficiente para nós entendermos que a salvação e eleição de indivíduos não ocorre pré-temporalmente mas, em vez disso, ocorre no tempo assim que a pessoa coloca sua fé em Jesus Cristo. Porém, existe outra faceta da teologia do Novo Testamento que serve para demonstrar que a eleição de Efésios 1:3-4 é corporativa. Devemos novamente notar o conceito de nossa eleição. Quando vem o testemunho do restante do Novo Testamento, o fato de se estar em Cristo vem com benefícios explícitos. A frase é sempre vista como inclusão salvífica de todos os benefícios que pertencem a nós mediante fé em Cristo.

Uma breve visão da teologia do “em Cristo” de Paulo a partir de sua epístola aos romanos demonstra este ponto. Nossa justificação é realizada “mediante a redenção que está em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (8:1). Em Cristo somos livres da lei do pecado e da morte (Rm 8:2). Se Cristo está em nós, o que é igualado a nós estando nEle (Jo 14:20-21), temos vida no Espírito (Rm 8:10). Somos beneficiários do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (8:39). A mensagem é clara: Estar em Cristo é ter salvação.

Então como isto apresenta um problema para uma visão que afirma eleição pré-temporal individual? Esta interpretação é problemática porque eleição pré-temporal, como delineada em Efésios 1:3-4, é “em Cristo”. Como apontado acima, todos os benefícios da salvação são “em Cristo”. Um destes benefícios seria o fato de que não há condenação. Para a teologia calvinista permanecer consistente com esta interpretação de Efésios 1:3-4, ela teria de concluir que indivíduos eleitos para salvação estavam livres da condenação no momento que foram eleitos “em Cristo” na eternidade passada. Além do fato de ser absurdo para alguém ser retirado da condenação antes de ter entrado nela, este conceito também é a-escritural. Jo 3:18,36 deixa claro para nós que aqueles que presentemente não creem também estão presentemente debaixo de condenação. Calvinistas concordariam que todos os que não creem em Cristo estão em tal estado, mas novamente, eles o fazem de maneira inconsistente com sua teologia. Pois em sua moldura interpretativa, indivíduos foram eleitos em Cristo antes mesmo de crerem. É logicamente impossível para alguém estar “em Cristo” e debaixo de condenação ao mesmo tempo (Rm 8:1).

A descrição de Andrônico e Júnia, dado para nós pelo Apóstolo em Romanos 16:7, é bastante pertinente ao assunto da eleição pré-temporal individual. Paulo estabelece que eles estavam “em Cristo” antes dele. O simples significado do texto é, claro, que sua conversão ocorreu cronologicamente antes da de Paulo. Mas Paulo usou a frase específica ἐν Χριστῷ. Se Efésios 1:3-4 estiver falando da eleição individual em vez da corporativa, então teremos uma contradição aqui. Eleição em Cristo ocorreu antes do tempo. Portanto, se indivíduos foram eleitos em Cristo antes do tempo, qualquer afirmação, como esta que temos em Romanos 16:7, seria sem significado. Porém, se entendermos que uma pessoa está “em Cristo” apenas sob sua conversão, não em um decreto pré-temporal de Deus, então a afirmação de Paulo aqui faria perfeito sentido. Portanto, devemos ser convenientemente capazes de descartar a interpretação de eleição individual em Cristo em Efésios 1:3-4.


Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Eleição Individual É Especificamente Tratada Em Efésios?)

Eleição individual é especificamente tratada em Efésios?

Agora nós iremos olhar diversos exemplos em que encontraremos este pareamento de pronomes plurais com nossas bênçãos em Cristo. Note em 1:6 que nos foi dada a graça de Deus, “a qual nos deu gratuitamente no Amado;”. Baseado no seguinte verso que está traduzido “em quem temos a redenção pelo seu sangue…”, existe pouca dúvida que “o Amado” refere-se a Cristo. Ambos os versos 6 e 7 revelam a nós a natureza cristocêntrica e corporativa dos dons divinos da graça e redenção. Claro, eles são realizados temporalmente nas vidas dos indivíduos mediante sua fé em Cristo, mas aqui, eles se referem ao plano e propósito de salvação que foi estabelecida em Cristo como um plano para a plenitude dos tempos (versos 9-10).

Novamente, nos versos 11-14, o mesmo tipo de imagem é usado acerca de nossa herança. Por causa de nossa inclusão no corpo corporativo de Cristo, nós temos obtido esta maravilhosa herança, bem como o selo do Santo Espírito que é a garantia de nossa herança (1:14). Note nestes versos que não foi a escolha pessoal de Deus pelos indivíduos que nos garantiu coisa alguma. É somente a identificação com Cristo mediante fé que traz tal segurança de salvação. Mediante o crer, se é incluso no eleito corporativo (Ef 1:3-4). Com o eleito corporativo sendo o corpo de Cristo (1Co 12:27), Sua eleição (1Pe 2:6) foi essencialmente a eleição da igreja. Portanto, a referência de Paulo para o eleito corporativo (em Cristo) não pode ser separada do próprio Cristo.

Efésios 2:6-7 demonstra que a ênfase de Paulo é no eleito corporativo em Cristo. A igreja é vista como assentada em Cristo nos lugares celestiais. Aqueles de nós que têm sido salvos mediante fé em Cristo, apesar de nossa posição física em vida, podemos estar confidentes que nossa posição espiritual é assentado com Cristo à destra do Pai. Isto só pode ser possível se o apóstolo têm o corpo corporativo de Cristo em mente. Como corpo de Cristo nós estamos posicionados com Ele. Cristo obteve esta posição no Céu desde que Ele ascendeu da terra de volta para o Pai [9]. Indivíduos, por outro lado, só experimentam esta posição em Cristo mediante crença. As “imensuráveis riquezas de Sua graça em benevolência para conosco” são disponíveis para todos que escolhem estar “em Cristo Jesus” (verso 7). Portanto, o corpo corporativo eleito sempre esteve assentado nos céus em Cristo, mas o que estes versos certamente não nos contam é que cada indivíduo crente sempre esteve lá.

Em 3:11, o apóstolo referencia o “eterno propósito de Deus que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor”. Poucos discordariam que a eleição é cristocêntrica, e este fato é especialmente realçado neste verso. Note no verso 12 que “…temos ousadia e acesso com confiança mediante nossa fé nEle”. Não baseamos nossa confiança em uma eleição pré-temporal na qual fomos escolhidos antes de Cristo morrer por nossos pecados. Em vez disso, nossa confiança é baseada em uma verdade central – Jesus Cristo e Ele crucificado![10] Uma expressão semelhante é encontrada em 2Tm 1:9, em referência a Deus, “… que nos salvou e chamou para um santo chamado… por causa de seu próprio propósito e graça, que ele nos deu em Cristo Jesus antes dos tempos começarem”. O propósito de Deus foi em Cristo pré-temporalmente, mas note que nem na passagem de Efésios e nem na de 2Tm encontramos que alguns indivíduos foram escolhidos para salvação. Certamente, enquanto somos agora parte de um eleito corporativo, em retrospecto, este propósito de Deus foi por nós, mas não podemos concluir que o nós nesta passagem foi um grupo predeterminado de indivíduos eleitos. Porém, sabemos que Deus estabeleceu Seu propósito em Cristo “antes das eras começarem” para todos aqueles que agora são parte da igreja.

2Tm 1:10 explica como este propósito de Deus, salvação mediante Cristo, foi “manifesto pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo” no tempo. Com Seu aparecimento, Jesus “aboliu a morte”. Ele não aboliu-a para nós na eternidade passada, mas foi em Sua cruz que Ele triunfou sobre a morte (Cl 2:13-15). Se indivíduos, ainda não existentes, já foram colocados em Cristo pré-temporalmente com todos os benefícios e benesses da salvação (Ef 1:3) mantidos asseguradamente, destinados para vida eterna, então por que a obra redentora de Cristo no primeiro século AD? Como qualquer das bênçãos da salvação ser efetiva sobre nós antes da obra finalizada de Cristo? Alegar isto parece tornar a missão redentora de Cristo um “espalhafato divino”, um mero símbolo do que Deus já havia completado na eternidade passada[11].  Seria mais consistente com a Escritura, que claramente vê a cruz como necessária para nossa salvação, manter que o eterno propósito de Deus foi que a salvação viria mediante Cristo, não que certos indivíduos foram eleitos pré-temporalmente.


Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Em Cristo)

Em Cristo

Deve ser primeiro notado que não é nem a linguagem corporativa de Efésios e nem o uso dos pronomes plurais nos versos 3-4 que demonstra que eleição corporativa é a visão acurada na interpretação desta passagem. Porém, o uso por Paulo desta linguagem é necessário neste ponto. Note que nossa eleição, incluindo as bênçãos espirituais que se levantam desta eleição, é cristocêntrica[8]. Em outras palavras, é realizada e centrada em Cristo. Além disso, deve ser notado que cada vez que lemos sobre nós estando “em Cristo” em Efésios, a ideia é sempre descrita com nomes plurais. A carta de Paulo aos efésios foca na igreja como um corpo com Cristo como sua cabeça. Esta ênfase é especialmente realizada enquanto olhamos para passagens como Efésios 2:11-12 em que a igreja é descrita como “santo templo do Senhor” que é “edificada para morada de Deus no Espírito” (versos 21-22). Novamente, o corpo corporativo de crentes está “a crescer em todas as coisas naquele que é a cabeça, em Cristo, no qual o corpo todo” está sendo construído “em amor” (4:15-16). Portanto, quando Paulo usa pronomes como “nós” e “nos”, ele está se referindo à igreja católica, o corpo corporativo de Cristo. Nesta seção responderemos duas questões importantes: 1) É a eleição de indivíduos especificamente mencionada em Efésios? E 2) É uma escolha individual pré-temporal individual consistente com o restante da teologia do Novo Testamento?


OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Eleição Condicional

Eleição Condicional

(Conditional Election – Artigo 1 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Existem duas visões principais sobre o que a Bíblia ensina acerca do conceito de eleição para salvação: se ela é condicional ou incondicional. A eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus por aqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não foi nada sobre eles que contribui para a decisão de Deus em escolhê-los, o que parece tornar a escolha por Deus de qualquer indivíduo em detrimento de qualquer outro arbitrária. Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha por Deus de não salvar certos indivíduos mas daná-los pelos seus pecados por razão nenhuma a ver com eles, o que parece contradizer o espírito de numerosas passagens que enfatizam o pecado humano como razão para divina condenação bem como o desejo de Deus para que as pessoas se arrependam e sejam salvas (e.g. Gn 18:25; Dt 7:9, 12; 11:26-28; 30:15; 2Cr 15:1-2; Sl 145:19; Ez 18:20-24; Jo 3:16-18; veja também “Expiação para Todos” acima e o tratamento da reprovação por John Wesley, incluindo muito mais versos com breve comentário disponível em http://evangelicalarminians.org/wp-content/uploads/2013/07/Wesley-on-Reprobation.pdf). A eleição ser condicional significa que a escolha por Deus daqueles que ele salvará tem algo a ver com eles, que parte de sua razão para escolher eles tem algo a ver com eles. Acerca da eleição para salvação, a Bíblia ensina que Deus escolhe para salvação aqueles que creem em Jesus Cristo e portanto tornam-se unidos a ele, fazendo a eleição condicional à fé em Cristo.

Desejando a salvação de todos, provendo expiação para todos, e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação entregando o evangelho e habilitando todos os que ouvem o evengelho a responder positivamente em fé (veja “Expiação para Todos” e “Livres para Crer” acima), Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho / em Jesus Cristo (Jo 3:15-16, 36; 4:14; 5:24, 40; 6:47,50-58; 20:31;
Rm 3:21-30; 4:3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9:30-33; 10:4, 9-13;
1Co 1:21; 15:1-2;
Gl 2:15-16; 3:2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28;
Ef 1:13; 2:8;
Fp 3:9;
Hb 3:6, 14, 18-19; 4:2-3; 6:12;
1Jo 2:23-25; 5:10-13, 20).
Esta verdade bíblica clara e básica é equivalente a afirmar que a eleição para salvação é condicional à fé. Assim como a salvação é pela fé (e.g. Ef 2:8 – “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (assim a eleição para salvação é pela fé, um ponto explicitamente exibido em 2Ts 2:13 – “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (NASB; note: “Deus vos escolheu … mediante … fé na verdade”; sobre a gramática deste verso, veja “Traduções Rápidas: 2Tessalonicenses 2:13, Gramática Grega e Eleição Condicional“). Ou como João 14:21 coloca (com a suposição não-afirmada que o amor por Cristo e obediência a seus mandamentos vêm da fé) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Ou de novo, nas palavras de 1Co 8:3, “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Além disto, nós encontramos várias expressões da condição de eleito/salvo sendo dada pela fé, i.e. concedida por Deus em resposta à fé. Crentes são justificados pela fé (Rm 3-4, Gl 3), adotados como filhos de Deus pela fé (Jo 1:12, Gl 3:26), herdeiros de Deus pela fé (Rm 4:13-16; Gl 3:24-29; Tt 3:7; cf. Rm 8:16-17), dados vida espiritual (= regenerados) pela fé (Jo 1:12-13; 3:14-16; Jo 5:24, 39-40; 6:47, 50-58; 20:31; Ef 2:4-8 [note que ser salvo aqui é igualado a ser levantado para a vida espiritual etc., e que isto é então dito como tomando lugar pela fé]; Cl 2:12; 1 Tm 1:16; Tt 3:7), santificados pela fé (At 26:18), dados o Espírito Santo pela fé (Jo 4:14; 7:38-39; At 2:33; Rm 5:1, 5; Ef 1:13-14; Gl 3:1-6, 14), habitados pelo Pai, Filho e Santo Esírito pela fé (com os parênteses anteriores, veja Jo 14:15-17, 23; 17:20-23; Ef 3:14-17), e unidos a Cristo pela fé (Jo 6:53-57; 14:23; 17:20-23; Ef 1:13-14; 2; 3:17; Gl 3:26–28; Rm 6; 1Co 1:30; 2Co 5:21).

Nós devemos ser cautelosos em não perder a expressão da situação de eleitos nos diversos estados de graça. O estado da justificação significa estar em correto relacionamento com Deus. Mas isto implica pertencer a ele como um de seu povo eleito. Adoção/filiação também é uma expressão clássica do Antigo Testamento sobre a eleição de aliança do povo de Deus (Ex 4:22-23). Isto envolve a ideia de pertencer a Deus da mais profunda maneira possível para seres humanos. Herança segue diretamente disto como uma expressão de eleição. Filhos, que pertencem a Deus, são herdeiros de suas bênçãos e promessas pactuais (Rm 8:16-17). Vida espiritual também implica situação de eleito porque é uma das bênçãos providas na aliança. Mas a conexão com a situação de eleito pactual é ainda maior, como Jo 17:3 revela que não apenas aqueles que pertencem a Jesus recebem vida eterna, mas esta vida eterna é conhecer Cristo/Deus, o que é melhor entendido como um relacionamento íntimo de aliança envolvendo a condição de eleitos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste”.

O fato que o Santo Espírito é dado a crentes sob a condição de fé em Cristo também é profundamente confirmatório da eleição condicional. Pois na Escritura a presença de Deus / o Santo Espírito é o doador e marcador da eleição. Como Moisés orou em Ex 33:15-16, “… Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra”. Ou como Paulo estabelece em Rm 8:9-10, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça” (ênfase acrescida). A concessão do Espírito acarreta eleição, e ter o Espírito faz a pessoa eleita. Portanto, tendo o Espírito também separa a pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição também ser pela fé.

De um ponto de vista arminiano não-tradicional (veja mais abaixo sobre diferentes visões arminianas), isto acorda com os fatos que o Santo Espírito santifica os crentes e santificação é por vezes identificada com o meio pelo qual a eleição é obtida (2Ts 2:13, 1Pe 1:2). Santificar significa “ser feito santo, separado para Deus”. A obra santificatória inicial do Espírito é mais ou menos equivalente a crentes-eleitos sendo escolhidos ou separados para serviço e obediência para ele. O Apóstolo Paulo conta à igreja dos tessalonicenses, “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (2Ts 2:13 NASB). Eleição é aqui apresentada como tomando lugar mediante ou pela santificação que o Santo Espírito realiza. Mas como nós temos visto, o Santo Espírito é recebido pela fé, fazendo a santificação que ele traz também condicionada à fé e lançando luz na menção de “fé na verdade” seguindo imediatamente 2Ts 2:13. Semelhantemente 1Pe 1:1-2 fala dos “escolhidos refugiados … segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo…” Eleição toma lugar em ou pelo ou mediante a santificação efetivada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Santo Espírito a separa como pertencente a Deus, para obediência para com Jesus Cristo e para aspersão com seu sangue (i.e. o perdão dos pecados), um ato consequente à entrega do Espírito, o que mais uma vez é a própria consequência da fé em Cristo.

O estado final da graça daqueles acima mencionado para nós considerarmos é a união com Cristo, que é o mais fundamental de todos eles, servindo como base de cada um. Como Ef 1:3 afirma acerca da Igreja, Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. A frase “em Cristo” indica união com Cristo, um estado no qual se adentra pela fé, como já mencionado. Em Ef 1:3, união com Cristo é dada como condição para as bênçãos de Deus para a Igreja. Isto é, Deus abençoou a Igreja com toda sorte de bênçãos espirituais como consequência de serem unidos a Cristo (cf. Rm 9:7b – “Em Isaque será chamada sua descendência”, o que claramente significa que a descendência de Abraão seria nomeada como consequência de estar em Isaque, i.e. aqueles conectados a Isaque seriam contados como descendência de Abraão). Uma das bênçãos espirituais especificadas como entre cada bênção espiritual com a qual a Igreja foi abençoada é eleição (Ef 1:4). Agora se Deus abençoou a Igreja com toda bênção spiritual como consequência de estar unida a Cristo, e a eleição é uma destas bênçãos, então isto significa que a eleição é condicional à união com Cristo e à fé pela qual esta união é estabelecida.

Mais diretamente, Ef 1:4 explicitamente indica a condição de eleição especificamente com a frase “nEle [em Cristo]“: “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Bem como Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual indica que Deus nos abençoou porque estamos em Cristo (Ef 1:3), então Deus nos escolhendo em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1:4). Efésios 1:4, portanto, articula eleição condicional, uma eleição que é condicional à união em Cristo. Mas o fato que união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.

A próxima frase em Efésios 1:4 – “antes da fundação do mundo” – nos traz a uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição incondicional. A visão tradicional concebe eleição condicional como sendo individualística, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele dantes soube que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria nesta fé-em-união. A visão parece encontrar impressionante suporte em duas passagens proeminentes que relatam-se com a eleição.

Romanos 8:29 diz “Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Agora sem questão, o pré-conhecimento de Deus sobre os seres humanos é total e incluiria conhecimento anterior de cada pessoa e se creria ou não. E em Rm 8:29, presciência divina é apresentada como a condição para predestinação. Dado tudo que foi dito até aqui, muitos chegariam que a presciẽncia de Deus sobre a fé dos crentes seria o elemento mais natural de sua presciência deles ser determinativo de sua decisão de salvá-los e predestiná-los para serem conformes à imagem de Cristo.

A outra passagem proeminente provendo suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina sobre a fé humana é 1Pe 1:1-2, que fala da situação de eleito como sendo “segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Aqui a situação de eleito é explicitamente dito como sendo baseado na presciẽncia de Deus. E novamente, o tipo de evidência que estamos revendo leva muitos a crer que é especialmente presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela a qual a eleição divina conforma. Desde que este texto não especifica a presciência em vista como sendo de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas de eleição tomaria a presciência divina em 1Pe 1:2 como sendo do próprio plano de Deus para salvação, significando que eleição é baseada no plano de Deus para salvar aqueles que creem.

A visão arminiana não-tradicional da eleição é conhecida como eleição corporativa. Ela observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento foi consequência da escolha de um indivíduo que representou o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo foi eleito no cabeça corporativo, isto é, como consequência de sua associação com o representante corporativo (Gn 15:18; 17:7-10, 19; 21:12; 24:7; 25:23; 26:3-5; 28:13-15; Dt 4:37; 7:6-8; 10:15; Ml 1:2-3). Além disso, indivíduos (tais como Raabe e Rute) que não eram naturalmente relacionados ao cabeça corporativo poderiam unir-se ao povo escolhido e à identidade, história, eleição, e bênçãos do cabeça e povo eleitos. Houve uma série de cabeças de alianças no Antigo Testamento – Abraão, Isaque, e Jacó, e a escolha de cada novo cabeça do pacto trouxe uma nova definição do povo de Deus baseado na identidade do cabeça da aliança (juntamente com as referências anteriores deste parágrafo, veja Rm 9:6-13). Finalmente, Jesus Cristo veio como cabeça da Nova Aliança (Rm 3-4; 8; Gl 3-4; Hb 9:15; 12:24)— ele é o Escolhido (Mc 1:11; 9:7; 12:6; Lc 9:35; 20:13; 23:35; Ef 1:6; Cl 1:13; e numerosas referências a Jesus como Cristo/Messias) – e qualquer um unido a ele vem a compartilhar sua identidade, história, eleição, e bênçãos da aliança (nos tornamos coerdeiros com Cristo – Rm 8:16-17; cf. Gl 3:24-29). Portanto, a eleição é “em Cristo” (Ef 1:4), consequência da união com ele pela fé. Assim como o povo de Deus na Antiga Aliança foi escolhido em Jacó/Israel, assim o povo de Deus na Nova Aliança é escolhido em Cristo.

Alguns têm erroneamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 para a eleição discricionária dos cabeças das alianças anteriores como sendo indicação de que a eleição de Deus para salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça da aliança é única, acarretando a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para tornar-se parte do povo eleito da mesma forma que o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com esta grande ênfase em Romanos sobre salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus em fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou ascendência, bem como sua conclusão na seção evidencia, referindo-se à situação eletiva da justificação:

30. Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

31. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não atingiu a lei da justiça.

32. Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras da lei.

{Romanos 9:30-32b Almeida Recebida}

(Para um bom artigo sobre Romanos 9, veja Traduções Crédulas: Romanos 9 – Uma Leitura sob uma Nova Perspectiva.)

A metáfora da oliveira por Paulo em Rm 11:17-24 dá uma excelente figura da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo eleito de Deus. Mas indivíduos são enxertados no povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou são arrancados do povo escolhido de Deus e de suas bênçãos por causa da descrença. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando da eleição por meios de sua participação (mediante fé) no grupo eleito, que compreende a história da salvação. Efésios 2:11-12 semelhantemente atesta que os gentios que creem em Cristo são nele feitos para ser parte do corpo de Israel, cidadãos companheiros com os santos, membros da família de Deus, e possessores das alianças da promessa (2:11-12; note especialmente os versos 12,19).

Enquanto concordando que Deus conheça o futuro, incluindo os que crerão, a perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências ao pré-conhecimento em Rm 8:29 e 1Pe 1:1-2 como referindo-se ao conhecimento relacional anterior que se resume a previamente reconhecer ou contar ou adotar ou escolher pessoas como pertencendo a Deus (i.e. em relacionamento/parceria de aliança). A Bíblia algumas vezes menciona este tipo de conhecimento, tal como quando Jeus fala dos que nunca se submeteram verdadeiramente ao seu sehorio: “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23; cf. Gn 18:19, Jr 1:5, Os 13:2-5, Am 3:2, 1Co 8:3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significa ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. “Os [plural] que previamente conheceu” em Rm 8:29 referir-se-ia à Igreja como um corpo corporativo e sua eleição em Cristo bem como sua identidade como a legítima continuação do povo escolhido de Deus histórico, que crentes individuais compartilham na união-em-fé com Cristo e participação no seu povo. Tal referência é relacionada com afirmações na Escritura ditos a Israel sobre Deus escolhendo-os no passado (i.e. pré-conhecendo eles), uma eleição que a geração contemporânea sendo abordada compartilhava (e.g., Dt 4:37; 7:6-7; 10:15; 14:2; Is 41:8-9; 44:1-2; Am 3:2). Em cada geração, Israel poderia ser dita como escolhida.

A Igreja agora compartilha esta eleição mediante Cristo, o cabeça e mediador da aliança (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).

Semelhantemente, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo referir-se-ia a compartilhar a eleição de Cristo que tomou lugar antes da fundação do mundo (1Pe 1:20). Como Cristo incorpora e representa seu povo, pode ser dito que seu povo foi eleito quando ele o foi bem como pode ser dito que a nação de Israel estava no útero de Rebeca antes de sua existência porque Jacó estava (Gn 25:23) e que Deus amou/escolheu Israel amando/escolhendo Jacó antes de a nação de Israel existir (Ml 1:2-3) e que Levi pagou dízimo a Melquisedeque em Abraão antes de Levi existir (Hb 7:9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes mesmo de a Igreja sequer existir (Ef 2:5-6; cf. Cl 2:11-14; Rm 6:1-14) e que nós (a Igreja) estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo quando nós ainda não estamos literalmente no Paraíso mas Cristo está. A eleição de Cristo acarreta a eleição daqueles que estão unidos a ele, e portanto nossa eleição pode ser tida como tendo tomado lugar quando a dele ocorreu, mesmo antes de nós de fato estarmos unidos a ele. Isto é de certo modo semelhante a como eu, enquanto americano, posso dizer que nós (a América) vencemos a Revolutionary War antes que eu ou qualquer americano vivo hoje tenha sequer nascido.

A visão corporativa explica por que somente aqueles que na realidade são do povo de Deus são chamados de eleitos ou apelações semelhantes na Escritura, e não aqueles que não pertencem a Deus mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente crentes são identificados como eleitos. Como Romanos 8:9 afirma, “…Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Semelhantemente, Rm 11:7-24 apóia o entendimento corporativo da eleição como referindo-se somente àqueles que estão na realidade em Cristo pela fé em vez de também incluir certos descrentes que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Porque em Romanos 11:7, “os outros” são não-eleitos. Mas Paulo cria que estes dentre os outros podiam crer ainda, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite desvio de e entrada para os eleitos como retratado na passagem da metáfora da oliveita. Desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Portanto 2Pe 1:10 urge aos crentes para “mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição” e o Novo Testamento é recheado de alertas para perseverar na fé e evitar abandonar a eleição/salvação (veja “Segurança em Cristo” abaixo; para uma introdução à visão corporativa com links para mais fontes, veja
http://evangelicalarminians.org/a-concise-summary-of-the-corporate-view-ofelection-and-predestination/).

Sumarizando, existem duas visões diferentes de eleição condicionada à fé. Primeiro, a eleição individual é a visão clássica, na qual Deus individualmente escolhe cada crente baseado em sua presciência da fé de cada um e assim predestina cada um deles à vida eterna. Segundo, eleição corporativa é a principal visão alternativa, mantendo que a eleição para salvação é primariamente da Igreja como povo e adota indivíduos somente na união-em-fé com Cristo O Escolhido e como membros de seu povo. Além disso, desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e o povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto creem. Eleição condicional é apoiada pela Escritura por (veja a discussão acima para explanações):

  1. Afirmação direta;
  2. Salvação pela fé;
  3. Várias expressões da situação de eleição sendo pela fé;
  4. A apresentação da eleição como baseada na presciência de Deus, seja a da fé humana ou equivalente à escolha anterior de Cristo e/ou o povo de Deus como um corpo corporativo no qual indivíduos participam pela fé;;
  5. Eleição sendo “em Cristo”, que é um estado em si mesmo condicional à fé;
  6. A linguagem da eleição sendo aplicada somente a crentes e não a crentes que depois creriam;
  7. O desejo de Deus para a salvação de todos;
  8. A provisão de expiação para todos;
  9. A proclamação da chamada do Evangelho para todos;
  10. A atração de todos para a fé em Cristo;
  11. Liberdade humana (para este e os outros 4 pontos anteriores, veja “Expiação para Todos” e “Libertos para Crer” acima); e
  12. Numerosas advertências contra o abandono da fé e portanto da situação de eleição e suas bênçãos da salvação.

A doutrina da eleição condicional centra a eleição em Cristo tornando-a condicional à união com ele em vez de reduzir o papel de Cristo como sendo o meio pela qual a eleição é efetuada. Além disso, eleição condicional sublinha a iniciativa graciosa na salvação em direção a pessoas totalmente depravadas e encoraja a humildade e adoração para a maravilhosa graça de Deus em escolher aqueles que merecem o Inferno para adoção em sua família, salvação, e toda bênção espiritual, um dom livre recebido pela fé (a condição não-meritória para eleição) pelo maior custo para Deus, que sacrificou seu próprio Filho para que pudesse nos escolher, e pelo maior custo para Jesus Cristo, que morreu por nós para que nós pudéssemos ser escolhidos por Deus. Toda glória e louvor a Deus somente!


Traduções Crédulas: Eleição Corporativa É Meramente Eleição Virtual? por William W. Klein

Um texto não muito curto sobre eleição corporativa.

(mais…)


Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Eleição Corporativa em Efésios 1:3-4)

Eleição Corporativa em Efésios 1:3-4

Efésios 1:3-4 é, sem dúvida, uma passagem acaloradamente debatida sobre o assunto de eleição. Têm sido desde muito tempo a alegação da escola calvinista de pensamento que os versos 3-4 se referem à eleição incondicional individual de crentes cristãos[1]. É inferido que Deus fez uma escolha pré-temporal de indivíduos particulares para serem salvos baseada unicamente em Sua boa vontade sem o cumprimento pela parte deles de qualquer condição que seja (i.e. escolha de crer em Cristo). Desta inferência, não existe espaço para a possibilidade de um indivíduo ter escolha genuína na salvação de sua alma. Então, a ideia que Deus salva alguém baseado na condição de sua fé em Cristo é contradita pela sua visão calvinista.

Claro, a visão da eleição incondicional nunca terá lugar para aqueles que discordam da teologia do calvinismo, e certamente não se encaixa bem com arminianos que afirmam escolha humana genuína na salvação bem como segurança condicional (i.e. Deus salva o homem que escolhe se arrepender e crer e sua glorificação é contingente ao seu permanecer na fé)[2]. Têm existido geralmente duas maneiras que os arminianos têm lidado com passagens como Efésios, que tratam de uma eleição pré-temporal. Primeiro, arminianos clássicos têm argumentado que Deus elege, ou escolhe, crentes pré-temporalmente baseado em Sua presciência de nossa escolha em se arrepender e crer[3]. Com esta visão, Deus é visto como tendo conhecimento passivo de nossa futura crença. Muitos calvinistas têm tido fortes objeções a esta visão baseada na ideia que a presciência de Deus deveria ser vista como um processo mais ativo em que Deus escolhe nos conhecer em relacionamento íntimo[4]. Porém, outros arminianos têm escolhido uma linha de argumentação diferente contra o entendimento calvinista clássico. Eles postulam que a eleição em Efésios 1:3-4 concerne a eleição de um corpo corporativo de crentes em Cristo. Não é uma eleição do indivíduo, mas em vez disso uma eleição do corpo que todos os que crerão em Jesus Cristo para salvação podem fazer parte. Com esta visão, Cristo é apresentado como fundação da eleição da igreja em Efésios 1:3-4, e como o objeto de eleição em 1Pedro 2:6. Como a igreja é o corpo de Cristo (1Co 12:27), a eleição de Cristo inclui a eleição de seu corpo. Então, existe forte conexão entre a eleição da igreja e a eleição de Cristo[5].

A última posição será defendida e argumentada neste paper. Tomando Efésios 1:3-4 como nosso ponto inicial, eleição corporativa pode ser mostrada como o correto entendimento da passagem mediante os seguintes meios: 1) Primeiro, atenção especial à linguagem corporativa eclesiástica presente nestes versos (i.e. o que significa o ἐν Χριστῷ) bem como seu uso ao longo da epístola[6]. 2) Então, por um entendimento apropriado da frase no verso 4, “ele nos escolheu nele” (ἐξελέξατο ἡμᾶς ἐν αὐτῷ)…[7], podemos demonstrar que isto se refere à eleição pré-temporal de Cristo, não de indivíduos. “Nós” (ἡμᾶς) neste verso refere-se ao corpo corporativo, e nós encontraremos a mesma linguagem corporativa enquanto comparamos outras Escrituras sobre eleição, aonde o único indivíduo referenciado na eleição é Cristo (1Pe 2:4-9). 3) Terceiro, veremos que eleição corporativa é verdadeira porque a doutrina da apostasia, do ponto de vita arminiano, é verdadeira. Esta faceta do argumento se hasteia em Efésios 1:4, e pode ser demonstrado que o destino do corpo corporativo de Deus, ser “santo e sem culpa (ἁγίους καὶ ἀμώμους)” ao final é certa somente para o corpo corporativo e não para o indivíduo.



Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Abstract)

Abstract

Controvérsia e debate têm tomado a natureza da eleição, e provavelmente a mais ponderada passagem sobre o assunto é encontrada em Efésios 1. Esta tese proverá uma exegese extensiva de Efésios 1:3-4 em particular enquanto observando seu contexto mais abrangente dengtro da epístola em geral. Com Efésios 1:3-4 como seu foco central, esta tese demonstrará o seguinte: Eleição é incondicional e corporativa em Cristo. Apesar de uma salvação individual ser certamente conhecida por Deus na eternidade passada, indivíduos não eram escolhidos por Deus para esta salvação. O incondicionalmente eleito é Jesus Cristo, e indivíduos são eleitos para salvação debaixo da crença em Cristo enquanto eles se tornam parte de um corpo corporativo em Cristo.



Traduções Crédulas: Efésios 1:3-4: Uma Explanação da Natureza Corporativa e Cristocêntrica da Eleição (Folha de Rosto)

Efésios 1:3-4: Uma Explanação da Natureza Corporativa e Cristocêntrica da Eleição

Joshua Ratliff

 

Uma Tese Senior submetida em cumprimento parcial dos requerimentos para graduação no Programa de Honorários

Liberty University

Outono de 2009

Aceitação da Tese Senior Honorária

Esta Tese Senior Honorária é aceita em cumprimento parcial dos requerimentos para graduação no Programa de Honorários da Universidade Liberty.

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James A. Borland, Th.D.

Thesis Chair

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Richard A. Fuhr, Ph.D.

Committee Member

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Randy Miller, M.S.

Committee Member

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James Nutter, D.A.

Honors Director

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Date



Traduções Crédulas: Cinco Questões sobre Predestinação – Questão No. 3: Como?

Cinco Questões sobre Predestinação

Questão No. 3: Como?

 

por Christopher Chapman

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Questão: Como alguém se torna membro do povo predestinado de Cristo?

 

Resposta: Crendo no Evangelho de Jesus Cristo

Quando nós falamos sobre indivíduos sendo parte do povo escolhido de Deus no Antigo Testamento, Israel, por causa de seu relacionamento com Abraão, não é difícil para nós entender a natureza de tal relacionamento. Eles foram relacionados a ele porque eles tinham este sangue correndo nas veias. Mas quando discutimos a natureza do relacionamento entre Cristo e sua Igreja não estamos falando de ascendência física. O povo de Deus no Novo Testamento não é determinado pela sua raça, mas pela sua fé.

[13] no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,

[14] o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

{Efésios 1:13-14 Almeida Recebida}

 

porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;

{Hebreus 3:14 Almeida Recebida}

 

[12] Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

[13] os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

{João 1:12-13 Almeida Recebida}

Nos tempos do Antigo Testamento, para ser considerado um membro de planos direitos de Israel, e compartilhar das bênçãos prometidas ao povo de Abraão, você precisaria ter pelo menos um parente judeu. Naqueles dias uma pessoa nascia membro do povo escolhido de Deus. Mas na era do Novo Testamento nos tornamos membros do povo escolhido de Deus mediante fé. Nós somos “incluídos em Cristo” quando ouvimos e cremos no Evangelho. Somos conectados a Cristo, e compartilhamos sua situação de eleito, mediante fé. Podemos estar confiantes que somos parte do povo escolhido de Deus porque cremos em Jesus. Fomos escolhidos mediante Cristo; e estamos nele mediante fé!

Pedro, citando o Antigo Testamento, diz “Eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será envergonhado”{1Pe 2:6 AR}. E Paulo confirma isto em Gálatas 3:8 quando ele diz “Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações”.

Bem antes de Cristo vir à terra Deus revelou seu plano de escolher um povo relacionado entre si pela sua fé. Ainda que Deus não predestine quais indivíduos seriam membros do Corpo de Cristo, ele determinou de antemão como alguém poderia se tornar membro deste povo santo.

Um dos mais lamentáveis erros do calvinismo é a doutrina da eleição incondicional. Esta doutrina ensina que antes do mundo ter início Deus predestinou que indivíduos ele concederia vida eterna, e quais ele abandonaria à morte em seus pecados. De acordo com esta perspectiva Deus não escolheu indivíduos por causa de sua conexão com Cristo mediante fé, mas meramente porque isto foi o que ele decidiu desde a fundação do mundo. Ele estabelece que Deus escolheu os homens sem qualquer condição discernível, mas apenas porque foi seu direito divino escolher quem vive e quem morre. Isto contradiz o testemunho do Novo Testamento que faz fé em Cristo a condição para conexão a Cristo, seu povo, e herança eterna preparada para seus filhos. A eleição por Deus de indivíduos não é baseada nas boas obras das pessoas, mas é baseada na aceitação de seu Filho pela fé. Eleição soberana é baseada em uma clara condição, não em um plano misterioso de Deus.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

Com estas observações em mente, estamos agora numa posição de responder a preponderante questão teológica do que de se os exemplos aduzidos por Paulo em Romanos 9:7-13 representam ou apoiam a concepção de uma eleição individual incondicional para salvação final projetada pelos calvinistas. Para responder esta questão devemos abordar três questões suplementares. Primeiro, devemos perguntar quem são os objetos da(s) eleição(ões) descritas nestes versos? Então devemos perguntar no que a eleição é condicionada (se ela de fato for)? Finalmente devemos nos perguntar qual é o fim da eleição? (P.Ex. a salvação final da pessoa eleita está em vista como fim da eleição, ou há algum outro fim em vista?) Abordarei estas questões aqui.

Respondendo a primeira questão (i.e. quem são os objetos da eleição?) os objetos imediatos da eleição nos exemplos de 9:7-13 são Isaque e Israel (Jacó), apesar de que porque esta eleição se baseia em linhagem física de acordo com a promessa de Deus (i.e. linhagem tipo 2 acima), ela se estende de modo a compreender todos os descendentes físicos de Israel (mesmo que não todos os descendentes físicos de Abraão; veja a discussão acima). A eleição aqui em vista contrasta neste assunto com a eleição discutida por Paulo no capítulo quatro de Romanos e aludida em 9:6b, que é baseada na descendência espiritual pela fé da mesma de Abraão (linhagem tipo 1 acima). No último caso os objetos da eleição são todos e apenas todos os judeus e gentios que têm a mesma fé de Abraão (cf. 4:12; 11:20, 23).

Respondendo à segunda questão acima (i.e. no que a eleição é condicionada), a eleição de Isaque e Jacó foi dita ser ‘não por causa das obras mas por Aquele que chama’ (9:11). Avançando até o verso 16, vemos que essa mesma eleição “não depende do que quer, nem quem corre, mas de Deus que usa de misericórdia”. O desfecho destas assertivas é que o tipo de eleição outorgada a Isaque, Jacó e os descendentes de Jacó (i.e. linhagem tipo 2 acima) não foi baseada em quaisquer fatores volicionais da sua parte que pudessem obrigar Deus a tratá-los diferentemente do que os que não foram eleitos. Em vez disso, a discriminação de Deus entre Jacó e Esaú foi em último caso não restrita a quaisquer fatores externos ao próprio livre arbítrio de Deus em estender misericórdia. Isto se posiciona em contraste com a eleição baseada na linhagem de Abraão pela fé espiritual, que da mesma forma sendo inteiramente pela graça, ainda assim procede de acordo com o decreto auto-imposto de salvar a todos e somente aqueles que creem (Jo 3:15-18, 36, 6:40, 47, 11:25-26, 20:31; At 16:31; 1 Co 1:21; cf. a formulação de Arminius do segundo decreto divino, “Public Disputations,” The Works of James Arminius, London Ed., Vol. 2, trans. James Nichols, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1986, Disp. XV, 2, p. 226; “Certain Articles,” ibid., Art. XIV, p. 719). Eleição para salvação é portanto condicionada diretamente pela fé dos recipientes desta eleição, que contrasta neste sentido com os descrentes não eleitos. Como Paulo estabeleceu no capítulo quatro, Abraão foi apontado “o pai de todos que creem o pai de todos os que creem… e  também andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão” (4:11-12). A promessa para Abraão (da qual a linhagem espiritual de seus herdeiros-pela-fé é baseada) foi “pela justiça da fé” e é pela fé (4:13,16). Novamente, no capítulo onze Paulo fala de seus contemporâneos judeus descrentes que eles foram arrancados [i.e. excluídos de participação na nova aliança de salvação centrada em Cristo] por incredulidade, enquanto Paulo fala aos cristãos romanos que eles permanecem nesta mesma nova aliança pela fé (11:20). Como discutirei em mais profundidade abaixo, esta eleição condicional não é estática, porém, mas dinâmica, porque Paulo segue afirmando em 11:23 que estes mesmos descrentes judeus que são atualmente não eleitos (no sentido da eleição baseada no tipo 1 de linhagem da fé de Abraão; cf. 11:7 e discussão abaixo) podem de fato se tornar eleitos e ser reenxertados em Cristo e desfrutar participação em sua aliança, “se eles não permanecerem na incredulidade”. Paulo não poderia ter colocado mais claramente: Eleição para participação na linhagem espiritual de Abraão é condicionada pela fé, ao contrário da eleição baseada em descendência física de Jacó (Israel), que é condicionada em nada além do próprio livre arbítrio de Deus para estender misericórdia;[7]

Finalmente, devemos nos perguntar, qual fim tinha a eleição de Isaque e Jacó (e seus descendentes físicos)? Em particular, estava a salvação final deles em vista como fim desta eleição, ou tinha algum outro fim em vista? Já vimos acima que a eleição de Isaque e Jacó estabelecida na linhagem tipo 2 listada acima, a saber a nação de Israel compreendendo todos aqueles descendendo fisicamente de Jacó (Israel). Paulo se refere a este tipo de linhagem em 9:3-4 como “meus parentes segundo a carne; que são israelitas”, e provê uma sucinta descrição de “… a quem é a adoção, e a glória, e as alianças, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne” (9:5-6). Vemos também que Paulo notou anteriormente em 3:1-2 que os judeus têm a “vantagem” distinta de terem sido “confiados os oráculos de Deus”. Em resumo, os descendentes físicos de Israel foram escolhidos por Deus para mediar a revelação da Palavra verbal de Deus para a humanidade bem como superintender as outras manifestações externas da presença de Deus entre eles, à vista das nações, de tal modo a preparar o caminho para o Cristo, a Palavra Encarnada, vir ao mundo. Desta forma, aos israelitas físicos foi concedido acesso privilegiado às verdades de Deus como comunicadas mediante as alianças, a Lei, os serviços do templo, as promessas, e o próprio Cristo.

Apesar de esta eleição claramente aumentar as oportunidades disponíveis para qualquer dado indivíduo israelita adentrar uma aliança salvífica com Deus, a eleição não garantia por si só a salvação dos indivíduos judeus. A Bíblia é clara em que cada adulto judeu precisa adentrar pessoalmente em uma aliança salvífica de relacionamento com Deus pelo caminho da fé, lealdade, e resultante obediência a Deus. Não há garantia de tal participação na aliança meramente na base da eleição de acordo com a linhagem tipo 2 acima descrita e referenciada em Romanos 9:7-13. De fato o Antigo Testamento está repleto de exemplos de descendência física de Israel que claramente falharam em participar pela fé em uma aliança de relacionamento salvífica com Deus e que portanto não tinham evidência de terem alcançado salvação espiritual. O livro de Malaquias é instrutivo neste sentido. Ainda que, como dantes notado, Deus reafirmou aos israelitas do dia de Malaquias a natureza irrevogável das suas promessas aos patriarcas (Ml 1:2; 3:6), ao mesmo tempo Deus deixou claro que a salvação espiritual dos israelitas era contingente ao arrependimento pessoal e fé. Apenas os que temiam o Senhor e estimavam Seu nome (Ml 3:16) foram considerados por Deus como sendo dele como sua possessão (3:17), e nenhum dos israelitas que persistiram em impiedade restaria no vindouro dia do julgamento (Ml 3:17-4:3; veja também 2:2-3,9,12; 3:5,9; 4:6).

Além disso, é importante recordar que a possibilidade de salvação espiritual não era limitada aos descendentes físicos de Israel, mesmo nos tempos do Antigo Testamento. A lei mosaica fez acomodações para qualquer gentio que assim desejasse livremente adentrar numa aliança de relacionamento salvífica com Deus ao voluntariamente se colocar nas condições da aliança (em essência, voluntariamente “tornar-se judeu”; cf. Ex 12:48; Lv 19:33-34; Js 8:33; Rt 1:16; Is 14:1; 56:3,6-8). Portanto, a eleição de Isaque, Jacó, e seus descendentes citados em Rêomanos 9:7-13 não tem a salvação pessoal última dos eleitos em vista como seu fim ou garante tal salvação a eles, nem ela impede a salvação última dos não-eleitos (i.e. Esaú, Ismael ou qualquer outro gentio). Em vez disso, esta eleição baseada na linhagem física tipo 2 resultou apenas num acesso privilegiado às verdades salvíficas de Deus e uma oportunidade adicional de interagir com e abraçar estas verdades salvíficas mediante fé (i.e. uma oportunidade maior de escolher participar pela fé da linhagem espiritual tipo 1). Esta era de fato a situação dos judeus nos dias de Paulo, entre os quais mesmo aqueles que estavam naquele tempo mergulhados na incredulidade ainda tinham disponíveis para eles a oportunidade de abraçar a fé em Cristo e serem enxertados novamente na árvore que representa o povo de Deus (11:23).


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa Como Escolha Unilateral de Deus

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa como Escolha Unilateral de Deus

Quando Paulo faz a primeira assertiva acima em 9:6b, ele assume que seus leitores concordarão com ele na base do argumento já fornecido em 4:11-16. Por esta razão, Paulo procede sem mais comentários diretamente à segunda assertiva distinta no verso 7, “nem por serem descendência de Abraão são todos filhos”. Esta segunda assertiva, bem como a primeira acima discutida, é enraizada no conceito da promessa de Deus aos patriarcas, mas aqui no verso 7a Paulo considera a promessa não em termos de uma segurança dada por Deus para ser crida, mas em termos de ser uma escolha unilateral de Deus para determinar a linhagem física do povo escolhido de Deus (isto é, os judeus, em contraste a todos os gentios). Citando os versos 7b e 9b (de Gênesis 21:12 e 18:10) as várias manifestações da promessa enquanto relacionadas a Isaque, e no verso 13 (de Malaquias 1:2-3) a promessa como relacionada a Jacó, Paulo traça a promessa de Deus mostrando que a eleição seria transmitida mediante Isaque (e não Ismael) e subsequentemente mediante Jacó (e não Esaú) e seus descendentes físicos. Destes exemplos Paulo conclui que a eleição dos judeus como “filhos” de Deus (verso 8a) não pode ser baseada em descendência física cega somente. (No que diz respeito aos judeus físicos serem considerados “filhos” de Deus, note que os judeus descrentes, que são “israelitas” [9:4] e patrícios de Paulo “de acordo com a carne” [9:3], são, apesar de sua descrença, ditos possuir “a adoção como filhos [de Deus]” em 9:4.)[6] Os judeus, então, são considerados “filhos” de Deus não meramente “porque eles são descendentes de Abraão” (verso 7a); caso contrário, Ismael e Esaú, sendo descendentes de Abraão, seriam parceiros iguais com os judeus como recipientes do favor especial de Deus. O fato de Ismael e Esaú terem sido contados fora da família eleita de Deus indica que os judeus participavam desta eleição como “filhos, descendência” de Deus (literalmente, semente, verso 8) não simplesmente porque são “filhos da carne” mas porque são “filhos da promessa”(verso 8b). Isto é, eles são eleitos de acordo com a promessa discriminadora de Deus distinguir entre Isaque e Ismael, e entre Jacó e Esaú no estabelecimento da linhagem do povo eleito de Deus.

É crítico neste momento entender que a afirmação de Paulo aqui no verso 8 não significa que a eleição divina dos judeus não pode ser sensível à descendência física fluindo de Jacó, o cabeça do corpo corporativo da Israel física. Numerosos pontos da Escritura atestam a validade da eleição divina dos descendentes físicos de Jacó. Um verso é Malaquias 1:1-3, citado por Paulo aqui em Romanos 9:13. É claro que na passagem de Malaquias o “amor” de Deus pode Jacó foi uma eleição de todos os descendentes físicos de Jacó e não meramente do próprio Jacó, como visto em Malaquias 1:2 em que estes descendentes (i.e. a nação de Israel) são referidos como sendo recipientes do mesmo amor divino dado a Jacó. Que esta eleição de Jacó e seus descendentes era irrevogável (cf. Romanos 11:29) mesmo em face da descrença de Israel é mostrado pelas palavras de Deus a Israel em Malaquias 3:6, “Porque eu o SENHOR, não me mudo; por isso que vós, filhos de Jacó, não sois consumidos.”. Apesar da pervasiva hipocrisia dos judeus nos dias de Malaquias, Deus não os consumira (isto é, destruir completamente) porque ele estava ligado por suas promessas aos patriarcas, as quais, como o próprio Senhor, “não mudam”. Mais adiante em  Romanos o próprio Paulo se refere à mesma obrigação de eleição dos descendentes físicos de Jacó. Em acréscimo a várias passagens já mencionadas acima (Romanos 3:1-3, 9:4-5), note 11:1,11,16 e especialmente 11:28-29, aonde Paulo afirma aos Judeus, que eram naquele tempo inimigos dos cristãos, são mesmo assim quanto à eleição amados por causa dos pais. É claro de tais passagens que Paulo não despreza o valor da posição dos judeus como descendentes físicos de Jacó, porque sua descendência física apesar de sua descrença lhes permitiu permanecer na abrangência da soberana eleição de Deus como aqueles a quem “foram confiados os oráculos de Deus”(3:2). A insistência de Paulo em 9:8, então, que “os filhos da promessa são tratados por descendência”, não invalida toda a consideração da linhagem física; em vez disso simplesmente distingue entre descendência física cega de um lado, e descendência física que está de acordo com a promessa de Deus do outro lado, em que “descendência de acordo com a promessa” se refere à linhagem física que recebe o favor e escolha soberanos de Deus. Ismael e Esaú são exemplos da primeira forma de descendência física; Isaque e Jacó são exemplos da última.

Dado tudo que foi dito acima acerca dos dois aspectos distintos da promessa de Deus dada aos patriarcas, podemos agora distinguir entre as seguintes variedades possíveis de linhagem ou descendência dos patriarcas abordadas por Paulo em Romanos. Considere cuidadosamente:

  1. Descendência espiritual de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos que são da fé de Abraão, seja judeu ou gentio
  2. Descendência física de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de [Isaque e ] Jacó)
  3. Descendência física sem referência à promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de Abraão, incluindo seus descendentes gentios; no caso, Ismael, Esaú, e seus descendentes)

De acordo com Paulo, somente as duas primeiras formas de linhagem são reconhecidas por Deus como formas válidas de eleição divina. O primeiro tipo de linhagem é sujeito de Romanos 4:11-16 e da assertiva de Paulo em 9:6b. Este tipo de linhagem é associado com eleição para salvação contingente à fé. O segundo tipo de linhagem é o assunto da segunda asserção de Paulo, aquela encontrada em Romanos 9:7a e discussão subsequente de Paulo em 9:7b-13. Este tipo de linhagem é associado à eleição divina do Israel físico para serem recipientes das bênçãos descritas por Paulo em 3:2 e 9:4-5.

Isto nos leva ao núcleo da segunda resposta de Paulo (em 9:7-13) ao desafio contra a fidelidade de Deus aludida no verso 6a. Não apenas Deus ainda é fiel à sua promessa aos patriarcas considerada no primeiro sentido da promessa acima discutida (isto é, ele é fiel ais eleitso para salvação e permite participar no verdadeiro Israel espiritual todos aqueles que como Abraão colocam sua fé na promessa de Deus), Deus também permanece fiel à sua palavra acerca do segundo aspecto de tal promessa, a saber, unilateralmente continuar a estender favor divino especial aos descendentes físicos de Israel confiando-lhes o ser recipientes tanto da verbal quanto da encarnada Palavra de Deus. Em vez de ter rejeitado sua anterior eleição dos judeus (como em geral, mas erroneamente, assumido sobre o ensino de Paulo aqui), Paulo sugere em 9:7-13 que apesar de sua descrença (conforme 9:2-3, 11:28-29) Deus permanece fiel a sua anterior eleição dos descendentes físicos de Jacó, todos eles considerados “filhos de Deus” (confira a Nota 6), não por mera descendência cega de Abraão, mas no sentido de ser “filhos da promessa” (isto é, a promessa de Deus pela qual Isaque e Jacó foram escolhidos para transmitir a linhagem física divinamente favorecida; linhagem tipo 2 acima). Como argumentarei abaixo, é precisamente a fidelidade divina à Sua eleição dos descendentes físicos de Israel desta maneira que O motiva a continuar buscando os judeus a virem ao arrependimento e fé, um objetivo que Paulo ensina em 11:26 será definitivamente completado. (De fato, esta eleição continuada deve ser reconhecida para entender propriamente os planos presentes e futuros de Deus para os descendentes físicos de Israel. Veja a discussão do capítulo onze abaixo.)

Eu notei acima que enquanto a primeira assertiva de Paulo em Romanos 9:6b é baseada em uma consideração da promessa de Deus considerada como uma segurança dada por Deus requerendo fé, a subsequente asserção no verso 7a é baseada na consideração da promessa de Deus como uma escolha unilateral de Deus. Por tal afirmação, eu quero dizer que a escolha de Deus por Isaque e Jacó para transmitir a linhagem física favorecida de Israel não foi condiciona a nenhum ato volicional dos próprios Isaque ou Jacó que os pudesse distinguir de Ismael ou Esaú. Paulo nota acerca de Jacó e Esaú que a escolha de Deus fora feita entre eles enquanto “não tendo ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal” (verso 11), então eliminando a possibilidade de que a eleição de Jacó e seus descendentes físicos pudesse ser baseada em obras de mérito de sua parte de alguma forma ausentes em Esaú e seus descendentes. Paulo descreve a natureza incondicionada desta eleição em termos ainda mais amplos no verso 16, onde ele afirma que não depende do homem que quer nem do que corre. Esta afirmação pode ser tomada como eliminando quaisquer fatores adicionais de diferenciação surgindo do exercício da vontade humana, tais como fé ou sua ausência. De fato, a eleição de Jacó e seus descendentes físicos foi obtida antes de e à parte de qualquer consideração de fé da parte de Jacó ou Esaú.


Traduções Soltas: Comentário Rápido Sobre Romanos Nove

Este é um post curtinho. É a resposta do Richard Coords, autor do site ExaminingCalvinism, a um rápido comentário. Ele trata da perspectiva arminiana em Romanos Nove, de uma maneira bem resumida.

Eis:

Você comentou sobre os direitos soberanos do oleiro.

O entendimento arminiano de Romanos 9 é diferente do dos irmãos calvinistas, não apenas no entendimento nações VS indivíduos, mas em termos de com quem Paulo está falando. Arminianos creem que Paulo está persuasivamente argumentando com o judeu não-convertido. (Veja Romanos 2:17 no qual Paulo especificamente interpela o judeu. Paulo torna sua atenção aos gentios em Romanos 11:13, a fim de que não tenham orgulho em seu enxerto. Logo após, Paulo volta sua atenção à Igreja como um todo quando discutindo obediência às autoridades governantes e sua visita à igreja.)

Arminianos creem que em Romanos 9:1-3 Paulo estabelece o tom para o diálogo, com suas melhores intenções no coração, e cogita isto, pelo que ele estará a dizer. Paulo menciona que os judeus pensam que eles são salvos em virtude de serem filhos de Abraão (Rm 9:7) e Paulo imediatamente lhes traz Ismael e Esaú, ambos filhos de Abraão, e mesmo assim não compondo o povo da aliança de Deus, que tinha o efeito de mostrar aos judeus não-convertidos que eles não podem simplesmente confiar em serem filhos de Abraão. Paulo acrescenta que a graça não advém de “querer e correr”. Se Paulo está no diálogo com o judeu não-convertido, então o seu “querer e correr” é referente aos esforços judeus de manter a Lei, e merecer a misericórdia de Deus, ao que Paulo aponta que a misericórdia de Deus não é engatilhada pelo manter a Lei.

Paulo então traz o ponto sobre Moisés e Faraó, que é relativo ao endurecimento. Nenhum judeu poderia rejeitar que Deus foi perfeitamente justo ao endurecer Faraó, já que Faraó era o Hitler da antiguidade. Porém, Deus tem mais justificativa em endurecer os judeus do que no caso de Faraó, porque os judeus receberam mais luz que Faraó. A Escritura alerta Israel em Jeremias 18:1-13 que Deus disse que os endureceria como o oleiro endurece o barro, a não ser que Israel voltasse para Ele. De acordo com Isaías 65:2, Deus estendera Seus braços de graça para Israel todos os dias, mas Israel rejeitou Seus esforços amorosos em reuni-los, como como a galinha que reúne seus pintinhos. Este endurecimenrto foi executado de acordo com Isaías 6:9-10. O endurecimento foi mostrado ser completado em Jo 12.

A fala do endurecimento em Romanos 9 fora em referência a Israel (como parte da continuação do diálogo em Romanos 9:1-3), e é entrelaçado com o conceito de “pedra de tropeço”, o qual é também referenciado em Rm 9. Em Rm 11:25, o endurecimento é mostrado como sendo um endurecimento parcial dos judeus, até o tempo dos gentios se completar. O conceito de endurecimento não é um processo mágico, mas em vez disso tem a ver com o sistema de valores da pessoa.

Os judeus não valorizavam o que Deus valorizava. Então, quando Deus enviou Seu Messias, Ele não O enviou para resgatar os judeus descrentes. Em vez disso, Deus enviou Seu Messias com o mesmo exato sistema de valores que o Seu próprio, sistema este que os judeus rejeitaram. Os judeus valorizavam poder, onipotência e soberania. Deus tem estas coisas, mas elas não O definem. Deus valoriza misericórdica, compaixão, amor, humildade, fé e perdão, e o povo rejeitou a substância de Deus. Então a “pedra de tropeço” é um fator do Messias de Deus, Jesus Cristo, sendo reflexão dos valores de Deus, em completo contraste aos valores da pessoa, e portanto Eles rejeitaram o Filho também. Se eles amassem Deus pelos Seus valores, então eles teriam amado o Filho que espelhava tais valores, e não tropeçariam na pedra de tropeço, e Jesus não seria uma pedra de tropeço afinal.

É disto que se trata Romanos 9: Deus foi paciente com Israel, vasos preparados para destruição, porque eles rejeitaram a graça de Deus dirigida a eles (veja Is 65:2). Em Rm 9:20, Paulo antecipa esta reação por serem endurecidos. A parte do “quem é você, homem” é o mesmo homem de Romanos 2:17, que é parte do diálogo que se prossegue.

Então, arminianos têm um entendimento amplamente diferente dos seus irmãos calvinistas.

LINK para o comentário original.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa Como uma Segurança a Ser Crida

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa Como uma Segurança a Ser Crida

Primeiro, Paulo considera a promessa de Deus em termos de ela sendo uma garantia dada por Deus na qual era requerido de Abraão colocar sua fé. E este sentido de promessa que determina a natureza da linhagem espiritual possuída pelos verdadeiros filhos de Abraão, o que por sua vez consiste a eleição para a salvação do verdadeiro Israel espiritual do qual Paulo se refere em 9:6. Paulo discutira os aspectos da promessa anteriormente no capítulo 4, onde ele argumenta que Abraão fora creditado com justiça na base da sua fé na promessa de Deus, não na base de quaisquer obras da Lei (incluindo circuncisão), com o propósito de “[...] que fosse pai de todos os que creem, não estando na circuncisão, para que também a justiça lhes seja considerada”, bem como “pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nos passos da fé de nosso pai Abraão” (4:11-12). Em todo caso, seja gentio ou judeu, é a fé de alguém que o faz descendente espiritual de Abraão. Paulo então relacionou este fato à promessa: “Pois, a promessa de que ele seria herdeiro do mundo, não veio a Abraão, ou à sua descendência, pela lei, mas pela justiça da fé.” {Romanos 4:13 Almeida Recebida} A promessa “Portanto é pela fé, para que seja pela graça; a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da Lei [ou seja, aqueles fisicamente descendentes de Israel e que portanto participam da promessa no sentido a ser logo discutido], mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós [ou seja, aqueles que participam da promessa no sentido sendo agora considerado]“{Romanos 4:16 Almeida Recebida}. Portanto, no pŕimeiro sentido a promessa de Deus é condicionada à fé dos sucessores de Abraão, no que apenas aqueles que têm a fé de Abraão são considerados como sua linhagem espiritual em fé.

Portanto, quando Paulo fala em 9:6 que “nem todos os que são de Israel são verdadeiros israelitas”, ele está tomando o ponto já desenvolvido no capítulo quatro e aplicando-o especificamente ao caso da nação judaica (isto é, os descendentes físicos de Jacó/Israel), os quais Paulo trouxe a foco em 9:1-6. Baseados nos argumentos em 4:11-16, Paulo pode agora concluir acerca dos judeus que a eleição para participação na verdadeira nação espiritual de Israel não é baseada em mera linhagem física do patriarca Israel (Jacó). Em vez disso, eleição para salvação é condicionada à fé somente, sem respeito à linhagem judaica ou gentílica. Esta verdade fornece a primeira das respostas de Paulo ao desafio aludido no verso 9:6 que as promessas de Deus deveriam necessariamente ter falhado em vista da descrença da maioria judaica. A este desafio pode-se corretamente responder que nunca foi a intenção de Deus que aqueles em descrença, sejam judeus ou gentios, fossem numerados entre os eleitos para salvação, sendo isto demonstrado em Abraão, que obteve justiça na base de sua fé. Consequentemente, a descrença dos judeus contemporâneos a Paulo não acarreta que Deus tenha sido infiel à sua promessa.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – Um problema Geralmente Não Reconhecido

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 - Um problema Geralmente Não Reconhecido

O que eu acabei de descrever é uma interpretação bastante padrão da resposta básica de Paulo ao assunto levantado em 9:6 acerca de se as promessas de Deus aos patriarcas falharam. Esta abordagem acima é, porém, incompleta. Para vermos por que, precisamos começar reconhecendo um aparente problema do raciocínio de Paulo que tem sido largamente abandonado pelos comentaristas desta epístola. Enquanto é verdade que os exemplos de Isaque vs. Ismael e Jacó vs. Esaú demonstram a insuficiência da descendência física de Abraão para assegurar a situação de alguém como filho eleito de Deus (verso 7), estes exemplos em si, estritamente falando, não anulam a possibilidade de que descendência física de Israel (Jacó) garante a situação como membro do Israel eleito. Isto é, não é claro como estes exemplos se enquadram com a afirmação de Paulo que “[...]porque nem todos os que são de Israel são verdadeiros israelitas” (verso 6). Se alguma coisa, os exemplos de eleição de Isaque mas não Ismael, e de Jacó mas não Esaú, podem ser usados para na verdade apoiar um apelo à descendência física de Israel (Jacó), dado que a eleição de Isaque e Jacó foi feita por Deus com o claro propósito de delimitar uma nação de judeus (feira de todos os fisicamente descendentes de Israel/Jacó) que seria o povo da aliança visível de Deus, em distinção a todos os gentios. Enquanto é fácil, então, ver como a eleição de Isaque e Jacó (e a consequente rejeição de Ismael e Esaú) demonstra a verdade do verso 7 (“Nem por serem descendentes de Abraão quer dizer que todos são filhos”), não está claro como estes mesmos exemplos tomados em seu valor literal de face demonstram a verdade afirmada no verso 6 (“porque nem todos os que são de Israel são verdadeiros israelitas”).

O problema acima surge porque nós temos até agora assumido, de acordo com a interpretação padrão destes versos, que a resposta de Paulo à acusação no verso 6 (a qual é, se a palavra de Deus com os patriarcas falhou) consiste de apenas um ponto, a saber, que Deus ainda é fiel às suas promessas porque apenas os membros crentes do Israel físico foram mesmo considerados verdadeiramente eleitos. Sob esta interpretação padrão, a segunda das assertivas gêmeas nos versos 6 e 7 é tomada como sendo essencialmente uma repetição da primeira (isto é, “nem todos os que são de Israel são verdadeiros israelitas.” = “Nem por serem descendentes de Abraão quer dizer que todos são filhos”). A solução para este problema trazido pela interpretação padrão é reconhecer que, de fato, o verso 7 não é simplesmente uma repetição do verso 6, mas de fato um ponto distinto em resposta à questão de se as promessas de Deus falharam (estes dois pontos de resposta nos versos 6 e 7 sendo conectados pela frase interveniente “nem por serem” no início do verso 7). Esta dupla resposta de Paulo à questão da fidelidade de Deus é em si mesma baseada em dois sentidos distintos de promessa feita por Deus aos patriarcas, que por sua vez correlatam não meramente a um mas a dois sentidos igualmente válidos de eleição. Vamos considerá-las aqui por este momento.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – A Palavra de Deus Falhou?

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – A Palavra de Deus Falhou?

Nesta seção Paulo começa a abordar as principais questões naturalmente levantadas pelas suas observações em 9:1-5, uma questão originalmente iniciada em 3:3, em que ele pergunta, “Então o quê? Se alguns foram incrédulos, sua incredulidade anulará a fidelidade de Deus?” {Romanos 3:3 BLIVRE}. Esta questão ressurge aqui em 9:6a e como notado acima guiará o restante da passagem estendida até o capítulo onze. Em essência, a questão pode ser colocada como se segue: A falha da maioria dos judeus dos dias de Paulo em crer em Jesus significa que a eleição divina deles mediante os patriarcas falhara? Se a maioria deles são de fato malditos e excluídos da salvação por causa de sua rejeição a Cristo (como Paulo implica em 9:3), então como podem eles serem ainda considerados eleitos de Deus, e como podemos evitar a conclusão que Deus falhou em seu propósito expresso mediante sua anterior eleição dos judeus mediante os patriarcas?

No capítulo três a resposta de Paulo a esta sugestão de que Deus falhara em cumprir seus compromissos foi curta e enfática: “De jeito nenhum; antes seja Deus verdadeiro, e todo ser humano mentiroso; assim como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando tu fores julgado” {Romanos 3:4 BLIVRE} Aqui no capítulo nove Paulo provê uma resposta mais aprofundada baseado numa distinção em 9:8 entre dois tipos distintos de linhagem dos patriarcas; a saber, os descendentes de acordo com a carne (os filhos da carne) e os descendentes de acordo com a promessa (os filhos da promessa). Paulo sugere que os últimos e não os primeiros são os “filhos de Deus” e “descendência de Abraão” (verso 8b). Para provar seu ponto, Paulo trata com os dois exemplos mais pertinentes das vidas dos patriarcas: a escolha/eleição de Isaque (o que implica a não-eleição do outro filho de Abraão, Ismael), e a escolha/eleição de Jacó (contrastada com Sua rejeição a Esaú). O fato de ambos Ismael e Esaú eram descendentes de Abraão e mesmo assim foram contados como gentios em vez de membros da nação eleita forçosamente demonstra o ponto de Paulo que a eleição de Deus não procede meramente por cega descendência física à parte da consideração da promessa de Deus. Isto é importante porque fornece para Paulo uma maneira de explicar como a descrença da maioria dos seus contemporâneos judeus não compromete a legitimidade das promessas de Deus aos patriarcas. Como nem todo judeu é necessariamente um descendente de acordo com a promessa, a descrença de alguns judeus não implica que as promessas de Deus falharam.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:1-5

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:1-5

É imediatamente após o crescendo em 8:28-39 celebrando a segurança dos crentes em Cristo que Paulo volta sua atenção para seus contemporâneos judeus, a maioria dos quais não participando deste relacionamento espiritual com Cristo mediante a fé. É este flagrante contraste entre os eleitos crentes em Cristo e os descrentes judeus dos dias de Paulo que provê o plano de fundo de toda a missiva de Romanos capítulos de nove a onze, um ponto que devemos constantemente manter em mente quando procurando interpretar esta seção da Escritura. Uma preocupação em particular, levantada por Paulo em 9:6 e ecoando a questão dantes levantada em 3:3, fornece a força-motriz por detrás da maior parte da discussão de Paulo nestes capítulos: Como Deus pode ser considerado fiel à sua eleição original dos descendentes físicos de Israel se a maioria de tais descendentes não se voltou a Cristo em fé? É imperativo que Romanos capítulo nove seja lido em termos desta questão, caso contrário faremos o erro que muitos antes de nós fizeram ao forçar todas as assertivas de Paulo em um falso molde como relacionado primariamente à salvação final da Igreja e à reprovação última de todos os outros. De fato, porém, o montante dos comentários de Paulo (e muitas das observações relacionadas no capítulo onze) são primariamente com a intenção de prover uma abordagem do estado de descrença dos judeus contemporâneos de Paulo, tanto em termos de como eles chegaram até aquele ponto em primeiro lugar, quanto em termos do que Deus ainda tinha reservado a eles. Isto não quer dizer que Paulo não lidaria com temas teológicos que teriam implicações para a salvação dos gentios também; de fato, irei traçar algumas destas implicações em meu discurso abaixo assim que elas surgirem. Mas jamais devemos esquecer que são os compatriotas judeus incrédulos de Paulo que permeiam sua visão neste capítulo. Apenas então podemos esperar seguir precisamente este fluxo de pensamento e traçar as lições teológicas apropriadas das palavras de Paulo.

Para começar, então, Paulo primeiro expressa sua severa tristeza em Romanos 9:1-3 sobre o fato que seus compatriotas judeus estavam envoltos em incredulidade. Os favores especiais que Deus lhes dera como descendentes eleitos de Israel (Jacó), enumerados por Paulo em 9:4-5, fizeram sua descrença ser de todo mais trágica. A lista de Paulo destes privilégios pode ser tomada como uma elaboração e extensão de sua anterior observação em 3:1-2 de que os judeus tem “vantagem” em “terem sido confiados os oráculos de Deus”. Note em particular aqui em 9:1-3 a menção de Paulo das promessas dadas aos judeus, sua relação com os patriarcas e seus papéis privilegiados de serem guardiães terrenos da Lei, e de fornecerem a linhagem física para o aparecimento do Cristo. Em resumo, os judeus foram escolhidos/eleitos por Deus mediante os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó para receber a Palavra de Deus à humanidade e funcionar como veículo para preparar o mundo para a vinda do Messias, o Salvador tanto de judeus quanto de gentios. Apesar desta posição especial como eleitos de Deus, porém, Paulo claramente via os judeus descrentes de seus dias como sendo amaldiçoados e separados de Cristo (uma posição que ele estava desejoso de trocar com eles, 9:3).


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – O Contexto Precedendo Romanos 9

Eleição em Romanos 9

O Contexto Precedendo Romanos 9

Com os conceitos anteriores em mente, podemos agora iniciar a base preparatória para uma exegese de Romanos capítulo nove considerando o contexto relevante que precede este capítulo. paulo começa nos primeiros dois capítulos de Romanos explorando a base da revelação da ira de Deus “contra toda maldade e injustiça dos seres humanos, que detêm a verdade por causa da injustiça.”{Rm 1:18}. Paulo argumenta que isto é verdade não apenas para os para os gentios como também para os judeus igualmente, porque todos falharam em manter os termos da Lei de Deus (seja a Lei externa, escrita, ou a Lei interna testemunhada pela consciência; 2:12,14-15) caem igualmente debaixo da ira de Deus, seja judeu ou gentio. Disto segue-se que o relacionamento espiritual de alguém com Deus é baseado não em ritos externos ou linhagem física, mas sim na condição interna do coração: “Porque ele não é judeu na aparência, nem é circunciso na carne; Mas ele é judeu no interior, e circunciso de coração, em espírito, e não na letra; cujo louvor não vem dos seres humanos, mas sim de Deus”{2:28-29} É esta radical clarificação aqui em 2:28-29 do que significa ser um “judeu espiritual”, uma definição potencialmente abrangendo ambos judeus e gentios físicos, o que provoca nos versos de abertura do capítulo três certas questões que se tornarão depois o foco central de Romanos capítulo nove até onze. Especificamente, a asserção de Paulo de que gentios e judeus igualmente podem participar em uma verdadeira linhagem judaica espiritual levanta questões acerca da situação dos judeus físicos e seu lugar no plano divino de salvação para a humanidade. Se a linhagem que conta é espiritual em natureza, então não há vantagem nenhuma afinal em em ser descendente físico de Israel? (3:1) A falha de alguns fisicamente judeus em participar da linhagem judaica da qual Paulo fala significa que Deus tem falhado em manter suas promessas aos patriarcas judeus (3:3)?

Paulo oferece apenas uma resposta superficial a estas questões na primeira parte do capítulo três (veja 3:2,4) por causa de sua avidez em prosseguir rapidamente em uma discussão mais completa da fé em Jesus Cristo como sendo a base da verdadeira linhagem judaica espiritual. O assunto urgente desta seção de Romanos é mostrar que é fé, não quaisquer obras de mérito baseadas na manutenção da Lei, que resulta em nossa justificação diante de Deus e consequente participação na verdadeira linhagem espiritual (3:28, 4:2-5). Esta discussão de fé como base toma a maior parte dos capítulos três até cinco, após os quais Paulo discute nos capítulos seis até oito como nossa identificação com Cristo mediante fé resulta não apenas uma liberdade legal da penalidade do pecado, mas também uma liberdade ativa do poder e tirania do pecado em nossas vidas. A chave para essa vitória ativa sobre o pecado é dependência do Santo Espírito, o qual Deus dá a todos os Seus verdadeiros filhos (8:12-14).

Nesta discussão dos privilégios aos filhos de Deus (8:14f), Paulo está inevitavelmente prosseguindo na consideração do fim e propósito último de seus filhos, a saber, sua participação na glória de Cristo (8:17). Em um sentido, os filhos de Deus já possuem uma medida desta glória, ainda que no presente está escondida e não de todo revelada (8:19; cf. 2Co 4:6-11; 5:1-5; veja meu devocional “Glória Escondida”). A revelação completa desta glória espera o futuro dia da adoção quando os filhos de Deus receberem a redenção de seus corpos (8:23). É dentro desta consideração do propósito último de Deus que Paulo pela primeira vez nesta missiva toca no conceito de eleição em 8:28-30:

[28] E sabemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
[29] Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
[30] E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.{Romanos 8:28-30 Almeida Recebida}

Paulo deixa claro aqui que a glorificação dos filhos dele é realizada por eles serem conformes à imagem de Cristo, seu irmão mais velho. Este “propósito” de Deus (8:28) surge apenas mediante a intencional intervenção de Deus. Falando daqueles “que amam Deus” (8:28), Paulo afirma que Deus já os “dantes conhecera” (isto é, amou e escolheu de antemão), “predestinou-os” (isto é, agiu com o objetivo previamente arranjado de conformá-los à imagem de Cristo), “chamou-os” (isto é, convidou-os para participação na aliança da salvação), “justificou-os” (isto é, declarou-os irrepreensíveis e santos mediante a obra redentora de Cristo), e finalmente “glorificou-os” (isto é, em referência à sua presente e futura participação na glória de Cristo mediante sua união nEle e conformação à Sua imagem). Esta extensão da ação intencional de Deus para o propósito de trazer a salvação e glória aos seus amados filhos leva Paulo a rejubilar na sua segurança e vitória em Cristo. Nenhuma acusação pode ser levantada contra estes “eleitos” (8:33) e nenhum poder externo pode separá-los do amor de Deus em Cristo (8:38-39).

A efusão de Paulo em graça e rejúbilo em 8:31-19 nos leva ao próximo passo no capítulo nove, aonde Paulo dramaticamente muda de direção e retorna ao assunto originalmente iniciada em 3:1f, uma questão que se tornou mais urgente agora em vista de tudo que Paulo havia dito no ínterim acerca do estado glorioso dos crentes em Cristo, os verdadeiros “judeus espirituais” que conhecer “o amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso Senhor” (8:39). Esta questão, a saber, é “Aonde isso tudo deixa os judeus físicos, a quem Deus fez promessas mediante os patriarcas? Deus abandonou inteiramente seus acordos com os descendentes físicos de Israel?” (conf. 9:1-6a). Antes de começarmos considerando a resposta completa de Paulo a esta questão no capítulo nove, porém, precisamos parar primeiro e olhar mais de perto as afirmações de Paulo em 8:29-30. Muitos intérpretes têm visto nestes versos apoio substancial à doutrina calvinista de eleição incondicional particular de indivíduos para salvação, dado que Deus é dito “pré-conhecer” e “predestinar” Seus filhos, todos os quais são igualmente “chamados”, “justificados” e “glorificados”. Isto pode parecer se referir a um certo número e identidade dos indivíduos os quais Deus têm eleito de antemão para participar na salvação.

Existe uma alternativa viável, porém, que não acarreta a conclusão acima. A saber, podemos ver a eleição aqui em Romanos 8:28-29 como corporativa em vez de individual em natureza. Da perspectiva corporativa, eleição não tem em vista a seleção de indivíduos per se (nem mesmo um agregado de indivíduos na medida que são tratados como indivíduos). Em vez disso, do ponto de vista corporativo a eleição tem em vista o estabelecimento de um Corpo, família, nação ou outro grupo cuja identidade corporativa é determinada estritamente em relação a uma dita Cabeça, patriarca, ou outro antecedente. A eleição dos israelitas para uma posição privilegiada na economia divina pode ser vista dessa luz. A identidade corporativa dos israelitas foi estabelecida na base de sua descendência física do patriarca Jacó (Israel), a quem as promessas de eleição foram feitas. No caso da Igreja (que é quem está em vista aqui em Romanos 8:28-29), o Cabeça de quem a Igreja ganha sua identidade corporativa é Cristo, e Seu corpo é composto de todos que estão em união espiritual com Ele mediante a fé (Ef 1:4-6, 22-23; Jo 15; 1Pe 2:9-10). Considerado deste ponto de vista corporativo, a eleição não determina em si mesma a identidade específica dos indivíduos que participarão do corpo corporativo; em vez disso, a eleição estabelece apenas as bases nas quais o Corpo será formado em relação à Cabeça (isto é, mediante a descendência física no caso de Israel, mediante união espiritual contingente à fé do indivíduo no caso da igreja; veja as discussões de Romanos capítulo quatro e onze abaixo).

É neste nível corporativo que Deus é dito decretar eleição de antemão, desde toda a eternidade. Isto é verdade tanto da eleição mediante Jacó para o Israel físico (que são ditos “dantes conhecidos” como povo; isto é, corporativamente escolhidos de antemão por Deus; Romanos 11:2) e da eleição mediante Cristo de Seu Corpo, que são semelhantemente ditos serem “dantes conhecidos” aqui em Romanos 8:29 e “escolhidos nEle [isto é, em Cristo], desde a fundação do mundo” em Efésios 1:4. Note que esta eleição anterior de crentes é dita ser “nEle” (isto é, em Cristo). Como argumentado acima, isto não é uma eleição primária de indivíduos em si, mas de fato aplica-se a indivíduos apenas enquanto eles são considerados em união a Cristo, como membros de um Corpo corporativo (cf. Robert Shank, Elect in the Son: A Study of the Doctrine of Election, Minneapolis, MN: Bethany House, 1970,1989, pp. 45-55). Existe uma ênfase corporativa semelhante em outro termo escritural referente a uma determinação prioritária acerca dos crentes: predestinação. Crentes são ditos a ser “predestinados para ser conformes à imagem do Filho de Deus” (Romanos 8:29). Enquanto o termo “pré-conhecido” enfatiza a escolha anterior ou eleição de crentes corporativamente para ser aqueles que irão participar das bênçãos de Cristo, o termo “predestinado” reforça esta determinação anterior do objetivo da eleição, a saber, que crentes virão a corporativamente compartilhar o caráter de Cristo em amor, santidade, e verdade (serem “conformes à Sua imagem”). Esta natureza corporativa da eleição, geralmente ignorada em discussões teológicas, pode ser claramente vista em Efésios 4:11-16, em que é o “corpo de Cristo” considerado como um todo (isto é, não meramente crentes individuais) é dito crescer “em homem maduro, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. A “plenitude de Cristo” aqui mencionada é a mesma conformidade a Cristo mencionada em Romanos 8:29 como sendo o objetivo da predestinação. (Espero explorar mais completamente esta natureza corporativa da predestinação à imagem de Cristo em um futuro ensaio.)

Meu ponto, então, acerca de Romanos 8:28-30 é que a passagem inteira faz referência ao Corpo Eleito de Cristo da perspectiva corporativa acima descrita, não de uma perspectiva individual. Paulo não diz que Deus determinou de antemão os indivíduos específicos que seguirão os estágios descritos nos versos 29-30. Em vez disso, Paulo está enfatizando a fidelidade de Deus em intencionalmente realizar Seu propósito de estabelecer um Corpo glorificado de crentes assumindo a imagem de Seu Filho. Paulo não aborda nestes versos a questão de em que base a participação em tal Corpo se constitui, ou se esta base para participação pode ser relacionada a fatores contingentes ao exercício do livre arbítrio humano. Estas questões Paulo responde em outros locais no capítulo quatro e novamente no capítulo onze; a saber, que a união com Cristo para qualquer dado indivíduo é contingente ao exercício livre do indivíduo e perseverança em fé (veja discussão dessas passagens abaixo).


Traduções Crédulas: Predestinação e Eleição em Efésios 1

Eis mais uma exegese curta de Efésios 1, por Nicholas Liguori. Como a anterior de Dan Chapa, ela se utiliza da eleição corporativa – um assunto que pretendo abordar nos futuros posts.

A ideia é que Jesus é o meio designado desde antes da fundação do mundo como salvação, e desde a fundação do mundo Deus decidiu  eleger em Cristo Jesus aquele que fosse fiel.

Enfim, boa leitura! (mais…)


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Definições

Eleição em Romanos 9

Definições

Antes de prosseguir com uma consideração do contexto de Romanos capítulo nove e uma exegese detalhada da passagem abaixo, pode ser útil oferecer inicialmente ao leitor definições de alguns dos conceitos-chave a ser empregados neste ensaio. O mais importante deles é a noção de graça preveniente (lit. graça precedente ou antecipatória), um termo que tem sido tradicionalmente utilizado (especialmente por arminianos) para se referir à graça de Deus estendida a uma pessoa anteriormente à salvação (i.e., anterior à dispensação divina de graça salvífica, pela qual uma pessoa é justificada e regenerada). Graça preveniente serve tanto para trazer uma pessoa à fé e arrependimento quanto para habilitar a pessoa a exercitar tal fé e arrependimento, pelos quais ela pode então ser salva. Sem tal graça. é impossível ao homem natural não-regenerado exercer uma autêntica decisão em fé em direção a Deus (Jo 6:44, 15:5).

Dois dos pontos principais acerca da graça preveniente com a qual calvinistas e arminianos tradicionalmente têm diferido são como se segue. Primeiro, teólogos têm diferido sobre se a graça precedente é irresistível ou senão restistível. Calvinistas, que geralmente evitam o termo “graça preveniente” e em vez disso coligam certos aspectos deste conceito debaixo da noção de “chamado eficaz” (conf. Westminster Confession of Faith, X/i-ii, iv), argumentam que qualquer graça precedente que tenha salvação em vista é irresistível ou eficaz, tal que qualquer pessoa a quem Sua graça precedente é dispensada necessariamente será levada à fé e arrependimento e se tornar um recipiente da graça salvífica. Isto segue do entendimento calvinista do decreto divino, pelo qual Deus incondicionalmente determina quem irá ou não ser salvo, e pré-ordena todos os meios necessários (incluindo a dispensação da graça eficaz) para produzir seu resultado nos eleitos.Arminianos, em contraste, argumentam que graça preveniente é resistível; isto é, ainda que a graça preveniente sirva para conceder a uma pessoa a oportunidade de mover-se em direção a Deus em fé e arrependimento e de fato habilita a pessoa a realizar tais movimentos, graça preveniente não compele ou de outra maneira necessita, em si mesma, uma resposta particular por parte de tal pessoa. A pessoa ainda retém uma agência autenticamente livre pela qual ela pode resistir à graça preveniente estendida por Deus e rejeitar a oportunidade de exercer fé e arrependimento.

Segundo, teólogos têm diferido sobre se graça preveniente ou precedente tendo em vista a salvação é estendida apenas a particulares indivíduos ou se é de fato estendida universalmente a todos. Calvinistas adotam a primeira posição, o que é de fato um corolário de sua crença que tal graça precedente (sumarizada sob a “chamada eficaz”) é irresistível e eficaz. Arminianos têm tendido para a última posição, como consequência da convicção arminiana de que o desejo de Deus para que todas as pessoas sejam salvas O compele a estender a todas as pessoas uma autêntica oportunidade de responder em fé a Ele.

Dado que minha exegese leva a uma análise suportando os postulados básicos arminianos, não virá como surpresa que eu identifique graça preveniente como sendo ao mesmo tempo resistível e universal em natureza. Minha análise se afasta significativamente de outras análises arminianas, porém, em que minha exegese de Romanos capítulo nove me guia a ver graça preveniente como incluindo não apenas uma forma universalmente dispensada, mas também uma forma particular dispensada seletivamente a algumas pessoas mas não a outras. Esta graça particular preveniente é dispensada somente pelo soberano discernimento divino de acordo com seus próprios bons propósitos, ainda que seja irresistível acerca do efeito preparatório para salvação; isto é, os recipientes de tal graça de maneira alguma escolherão todos exercer fé e arrependimento. Em contraste, fé salvífica, de acordo com minha exegese de várias porções de Romanos abaixo, é dispensada por Deus a todos e apenas crentes contingente ao seu próprio exercício de fé autenticamente livre.

O conceito de eleição como empregado em Romanos pode ser associado com a dispensação divina ou da graça preveniente particular ou da graça salvífica (i.e., aquelas formas de graça que não são universalmente distribuídas). Eleição pode então ser dita como ocorrer a qualquer momento que Deus discrimina na seleção de recipientes de Sua graça (i.e. quando ele seleciona alguns mas não outros para receber tal graça). Deus sempre seleciona de acordo com critérios; isto é, na visão da sabedoria e natureza intencional de Deus Sua eleição é assumida como jamais sendo arbitrária ou caprichosa.

Os critérios de acordo com o qual Deus seleciona os recipientes de Sua graça pode ser de um destes dois tipos principais: (1) os critérios podem fazer referência à livre vontade do recipiente, ou fatores que derivem do exercício da vontade do recipiente, tal como a presença de fé no recipiente, ou (2) os critérios de seleção podem fazer referência apenas a fatores não associados diretamente com o exercício da vontade do recipiente, tais como os próprios propósitos de Deus para um indivíduo, grupo ou toda a humanidade.

Se os critérios são do primeiro tipo, podemos dizer que a eleição é condicionada ou contingente, pela qual dizem mais especificamente que a eleição é condicionada pelo menos em parte por fatores surgidos diretamente do exercício do exercício da vontade do recipiente. Se em vez disso os critérios para eleição excluem fatores volicionais humanos de tal espécie, podemos dizer que a eleição é incondicional ou não-contingente, pela qual dizemos mais especificamente que a eleição não é condicionada a fatores diretamente associados ao exercício da vontade do recipiente. No último caso, podemos também dizer que Deus agira unilateralmente, sua eleição em tal instância não sendo contingente a nenhum ato volicional do recipiente. Minha exegese de Romanos nove e passagens associadas leva-me a concluir que graça preveniente particular é dispensada unilateralmente em uma base incondicionada (não-contingente) (apesar disso, veja a NOTA 10 abaixo), enquanto graça salvífica é dispensada em uma base contingente com respeito a qualquer dado indivíduo, contingente à fé do recipiente.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Passagem Definitiva

Eleição em Romanos Capítulo 9

Passagem Definitiva

Entre as passagens da Escritura mais comumente citadas a favor da concepção calvinista/reformada da salvação (p.ex. Efésios 1:3-14 e várias afirmações de Jesus no Evangelho de João vêm à mente como passagens-bastião para o calvinismo nesse quesito), Romanos capítulo nove é considerada por muitos a passagem definitiva, particularmente acerca da doutrina da eleição incondicional, particular de indivíduos para salvação. O próprio Calvino referia a Romanos 9:6-24 como “aquela memorável passagem de Paulo que sozinha deve facilmente compor toda a controvérsia [acerca da predestinação] entre sóbrios e aquiescentes filhos de Deus” (Concerning the
Eternal Predestination of God, Translated by J. K. S. Reid. London: James Clarke & Co., Ltd.,
1961. 5:3). Muitos outros desde então tem concordado com Calvino, assumindo que as palavras do Apóstolo Paulo em Romanos capítulo nove desferem um golpe fatal no arminianismo e todas as formas de sinergismo entre Deus e o homem em matéria de salvação.

Vários teólogos arminianos, porém, têm notado as dificuldades remanescentes com a abordagem calvinista padrão de Romanos capítulo nove. Talvez a maior dificuldade desse gênero é como reconciliar o entendimento calvinista de Romanos 9:6-24 com o restante de Romanos, em especial com o capítulo onze, aonde há claras indicações que a eleição divina para salvação deve ser entendida em termos contingentes em vez de absolutos (veja, e.g., Robert Shank’s comments, Elect in the Son, Minneapolis, MN: Bethany House Publishers, 1970, 1989, pp. 117ff)[1].

Neste ensaio eu ofereço uma exegese detalhada de Romanos capítulo nove, bem como exegeses de passagens correlatas (por exemplo, Romanos capítulo onze) que fornecem contexto crítico para Romanos capítulo nove. É minha crença que calvinistas têm fundamentalmente interpretado erroneamente as intenções de Paulo nessa passagem crucial da Escritura. Tendo dito isto, gastarei muito pouco tempo nesse ensaio criticando direta ou formalmente a interpretação calvinista dessa passagem (ou outra interpretação existente, para o caso de), mas tentarei focar o próprio texto bíblico, permitindo interpretações teológicas relevantes se desdobrando pelo caminho. Portanto, assumo neste ensaio uma familiaridade básica com a doutrina calvinista da eleição incondicional particular por parte do leitor. Uma vez que eu tenha estabelecido aqui o que eu creio ser a mais convincente interpretação de Romanos capítulo 9, espero então em um futuro ensaio comparar e contrastar minha abordagem mais diretamente com outras exegeses publicadas que difiram da minha própria (p.ex. aquelas de Calvino, Arminius, Shank, Piper, Reymond, Schreiner)[2]

O arremate da interpretação pela qual eu argumentarei neste ensaio é que a massa de Romanos capítulo 9, que lida com a dispensação unilateral não-contingente de Deus, por um lado, e do endurecimento, por outro lado, referem-se não somente à salvação última (como calvinistas argumentam) mas de fato à dispensação soberana da graça (resistível) particular (veja definições abaixo), especificamente aos descendentes físicos de Israel como os recipientes dos oráculos de Deus (Romanos 3:2). Quando Paulo depois na passagem lida de fato com a dispensação divina da graça salvífica (em 9:22f e capítulo onze), é claro que tal graça salvífica é dispensada contingente à fé, como os arminianos argumentam.


Traduções Crédulas: Romanos 9 por Robert Hamilton (INDEX)

Este vai ser um post bastante diferente dos habituais. Na verdade é um sneak preview de uma tradução bem grande que estou fazendo – na verdade um conjunto de traduções.

Há pouco tempo, encontrei uma exegese excelente de Romanos 9, escrita por Robert Hamilton. A única coisa que de fato sei sobre ele é que tinha um site no extinto GeoCities, mas seus ensaios (ou a maioria, e entre eles os mais importantes) foram salvos por membros do SEA. Neles, encontrei diversas joias: exegeses de João 6 e Romanos 9, sem contar reflexões sobre diversos assuntos: vida cristã, livre-arbítrio,  santificação…

Este post será um índice deste ensaio de Hamilton, atualizado constantemente (e verei como colocá-lo no topo). Pretendo também disponibilizar em PDF após o trabalho concluído.

Puxe a aba e boa leitura!

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